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set 4, 2018
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Você não tem direito a um salário “justo” e a direitos trabalhistas

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Quando você vai às compras, você está participando de uma negociação que envolve duas partes, a sua parte e a parte do vendedor. Você acha que tem o direito de tomar decisões pelas duas partes dessa negociação? Além de poder decidir o quanto você está disposto a pagar, você também acha que tem o direito de decidir o quanto o vendedor tem que dar em troca para você? Se você acha que o vendedor não está colocando um preço “justo” no produto, você acha que tem o direito de forçar o vendedor a fornecê-lo a quantia de bens que você acha que mereceria receber e pelo preço que você considera “justo”?

Espero que você não seja tão arrogante para pensar dessa maneira. No entanto, tão arrogante quanto isso é você presumir que tem o direito de dizer a um “empregador” – alguém que está oferecendo dinheiro em troca pelo seu serviço – quais coisas ele pode e quais coisas ele não pode oferecer em troca pelo seu trabalho. “O meu patrão tem que me pagar no mínimo essa quantia, mais um adicional pelas horas extras. Ele também tem a obrigação de me dar férias remuneradas e de me pagar um plano de saúde, e…” Algumas pessoas tem uma mentalidade igual à de uma criança mal criada. Não, você não tem o direito mágico de ter as negociações que você gostaria que alguém fizesse com você. Ninguém tem obrigação alguma de lhe fazer qualquer oferta, muito menos uma oferta a qual você definiu, de maneira subjetiva e arbitrária, como sendo “justa”. As pessoas podem oferecer o que elas quiserem oferecer, e você tem o direito de decidir se quer aceitar a oferta delas ou não. E ponto final.

Para compreender melhor a situação, um bom exercício mental é imaginar como deve ser lidar na vida real com alguém que tem essa mentalidade arrogante, aquele tipo de pessoa que acha que tem “direito” para tudo. Imagine a situação abaixo:

Você está visitando uma pacata cidade no interior. É meio-dia e você está com fome. Após entrar em uma lancheria simples, você resolve folhear o cardápio, e enquanto procura um prato com um bom custo-benefício subitamente o dono da lancheria aparece e começa a gritar:

Pare agora mesmo! Eu conheço bem o seu tipo! Quem você pensa que é? Você só fica olhando para o seu umbigo! Sempre tentando pegar a oferta mais barata, tentando comer o máximo possível pelo menor preço que você conseguir pagar! Seu consumidor ganancioso e explorador! Você está me escravizando! Quando você vem aqui na minha lancheria, você não deveria ficar tentando comprar o prato mais barato! Você deveria se certificar que eu estou sendo bem pago, que eu consigo pagar o meu plano de saúde e as minhas contas! E quando eu saio de férias, você deveria vir aqui na lancheria fechada e me deixar um dinheiro, mesmo que eu não esteja fazendo nada em troca por você! E nem pense em deixar de vir aqui amanhã, pois se você me “demitir” eu vou exigir os meus direitos, seu cliente capitalista nojento! Eu tenho o direito de ter um rendimento mínimo para que eu consiga sobreviver! Eu preciso de você para garantir que eu consiga cuidar de mim e ter uma vida confortável! Essa é a sua responsabilidade como cliente da minha lancheria!”

Neste cenário hipotético, quase todo mundo iria dizer que o dono da lancheria é uma pessoa desagradável e com problemas mentais. Mas, na vida real, diversas pessoas – em especial, as pessoa esquerdistas – dizem exatamente as mesmas coisas, ou coisas até piores, quando o contexto envolve um “empregador” procurando alguém para fazer um serviço para ele. Elas realmente acreditam que, de alguma maneira, alguma pessoa em algum lugar tem o “dever” de fornecer para elas um “trabalho” e um “salário justo”. Como crianças mimadas e birrentas, elas acreditam que uma outra pessoa tem a obrigação de criar uma situação na qual elas possam ter uma vida confortável. Elas querem uma vida mole em um “emprego” que foi criado por uma outra pessoa, em uma empresa que foi criada por uma outra pessoa, numa relação onde elas não precisam assumir nada do risco que há em se manter um negócio.

E, é claro, elas nunca imaginam a si próprias como tendo esse tipo de obrigação; elas nunca imaginam a si próprias como tendo qualquer responsabilidade ou obrigação de se criar um “emprego”, nem para elas mesmas e muito menos para outra pessoa. Em nenhum momento passa pela mente delas que é responsabilidade delas fornecer um salário ou rendimento “justo” para outras pessoas. Não, elas acham que estão sempre na categoria das pessoas que tem direito a receber coisas, e nunca na categoria das pessoas que tem a obrigação de dar esses “direitos” para outras pessoas. E então, quando alguém faz uma oferta que elas não gostam, elas ficam se imaginando como vítimas.

Mas eu preciso ter um emprego para sobreviver!” Todos nós sabemos que o governo faz com que seja extremamente difícil para que uma pessoa ganhe dinheiro e seja auto-suficiente. O governo alega ser dono de terras sem dono, cobra impostos sobre a propriedade privada das pessoas e faz os mais variados tipos de leis e regulamentações. Mas isso não faz com que outra pessoa, que também é vítima do estado, tenha uma obrigação em lhe dar um “emprego” ou um bom salário. É a própria realidade da natureza: para obtermos comida, abrigo, vestimentas, etc. alguém tem que trabalhar por isso. E você não pode obrigar ninguém a trabalhar para você. Sim, o governo torna tudo isso mais difícil. Então, sim, condene a violência do governo. E se as “grandes corporações” usam a violência do estado para limitar as suas outras opções, então, condene isso também. Mas pare de achar que um outro ser humano inocente tem uma obrigação de lhe fornecer um trabalho, comida, moradia decente, cuidados de saúde, etc. A única obrigação que as outras pessoas tem com você é de permitir que você seja livre e viva a sua vida em paz, nada mais do que isso. E se você aceitar uma oferta de emprego com um salário não muito bom, pois essa opção é melhor do que as outras alternativas que você tem à disposição, isso não faz de você um escravo do seu salário; isso faz de você um adulto maduro.

Traduzido e adaptado do original escrito em 10 de maio de 2018.

 

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Blog · Direito e Ética · Economia

É um ativista libertário que ficou preso por questionar a receita federal americana.