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7 meses atrás
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“Os libertários ajudam a esquerda”

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“Os libertários ajudam a esquerda” – hoje é muito comum nos depararmos com essa frase. Pensadores adeptos do conservadorismo não pensam duas vezes antes de catalogar libertários no mesmo grupo que esquerdistas. Pretendo aqui combater essa afirmação, oferecendo ao leitor um ponto de vista diferente do que ele está acostumado, e muito mais profundo do que a velha e gasta dicotomia “direita vs esquerda”.

Para começo de conversa, o que seria um libertário?

De modo simplificado, também chamados de anarco-capitalistas, libertários são indivíduos que se negam a participar de qualquer ato que seja classificado como iniciação de uma agressão. Os libertários acreditam que apenas interações pacíficas e voluntárias entre indivíduos são aceitáveis, visto que iniciações de agressão e violência, além de serem empreendimentos contra-produtivos do ponto de vista utilitarista, pois geram uma queda geral de qualidade de vida nas sociedades humanas, também são atos moralmente condenáveis, pois ferem os direitos naturais do homem, que são: o direito a vida, o direito a propriedade e o direito a liberdade.

Como libertários condenam atos de iniciação de agressão,violência e coerção, seja o ato perpetrado por um indivíduo singular ou um grupo de indivíduos, os libertários vão também condenar todo e qualquer grupo que empreenda tais ações. Acontece que um destes grupos é o estado. Mas porque o estado é visto como um dos grupos que empreende ações de iniciação de violência e agressão? De maneira simplista, podemos definir roubo como “apropriação sem autorização de bens alheios”. Como o estado possui como fonte de subsistência o “recolhimento” de impostos, ou seja, o recolhimento de parcela dos recursos gerados através de transações entre indivíduos-produtores pacíficos, sem a autorização dos donos dos recursos, podemos, fazendo o uso da razão, chegar a conclusão de que o estado possui como fonte de subsistência o ato de roubar. O leitor poderia até pensar na hipótese de os impostos serem voluntários, mas após levar o raciocínio até as últimas possibilidades, tal hipótese cai por terra em confronto direto com a razão, pois veja: se um indivíduo se negar a pagar seus impostos, o que acontece? Muito provavelmente terá suas contas bancárias e seus saldos usurpados pelo governo, poderá ser preso caso resista, e, se resistir a prisão, será muito provavelmente assassinado por membros das “forças de segurança do estado”. Claramente, impostos não são opção, mas sim imposição (o próprio nome sugere). Imposição respaldada pela violência e coerção.

Basicamente, um libertário é um indivíduo que não relativiza o que é certo e errado, que não utiliza dois pesos e duas medidas e que busca sua subsistência de maneira pacífica, sem agredir outras pessoas. Diferentemente do pensamento de esquerda, que acredita que os fins justificam os meios, que deposita a fé da humanidade no estado, um ente agressor e ladrão por natureza. O pensamento libertário é incompatível com a ideologia da esquerda política, mas não só isso, a ideologia esquerdista é muito mais semelhante do pensamento conservador do que as ideias libertárias da negação da iniciação de violência. Tanto socialistas como conservadores acreditam que o estado deve regular a vida dos indivíduos, que o estado deve ser a fonte de segurança, saúde, educação e demais serviços. Pelo contrário, libertários entendem que todos esses serviços devem ser obtidos de maneira não violenta, que a possibilidade de ofertar tais serviços não deva ser monopolizada por um ente, que é por natureza um usurpador de propriedade privadas, de vidas e de liberdades.

Conservadores e socialistas são mais parecidos do que admitem. Ambos defendem que um grupo de indivíduos deve existir como elite política e decidir pela vida dos demais, tratados como súditos. A única diferença é que eles discordam em como decidir e no que decidir, no entanto a decisão continua na mão de uns poucos indivíduos tratados como nobreza. Dizer que libertários trabalham em pró da ideologia socialista é um tanto irônico, pois são os conservadores que defendem justamente a mesma coisa, com outro nome e o conteúdo ligeiramente diferente. Por isso, da próxima vez que reparar em algum conservador ser chamado de “soça”, não ache estranho. Eles o são. Mas têm medo de sair do armário.


Autor:
 Julio C. Wandekoken
Artigo original: aqui.

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