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fev 13, 2020
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O Papa Francisco, a nova imagem do Socialismo

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Diego Mauricio Macana Roa 21/5/2019

São cada vez mais as errôneas e infelizes referências que o Papa Francisco tem em relação ao que ele chama de “Capitalismo selvagem”, culpando inclusive à sociedade o desejo de ter dinheiro, algo que ele considera ilógico ou imoral, mas é suspeito que um Papa tenha tão más interpretações econômicas quando seus antecessores, como João Paulo II e Bento XVI, eram defensores do livre mercado, talvez seja porque estes viveram em sua juventude, por sua experiência na Polônia e Alemanha, respectivamente, que foram sujeitos a regimes comunistas, o que os levou a ter uma visão negativa sobre as economias planejadas, inclusive teorizar em suas encíclicas a contradição que se observa entre o poder central e a planificação da economia em direta oposição à natureza e à dignidade humana, observaram que o socialismo constituía uma violação da moral natural não só dos católicos ou dos cristãos, mas de todos os seres humanos. Esta mensagem é um dos eixos básicos do seu pontificado, e um dos elementos que deram universalidade dos diferentes pronunciamentos de João Paulo II, uma das personalidades que mais tem contribuído para ampliar as fronteiras da liberdade.[1]

Na encíclica Centesimus Annus (1991), de João Paulo II, volume IV se pergunta: “pode-Se dizer, talvez, que depois do fracasso do comunismo, o sistema vencedor seja o capitalismo e que para ele sejam direcionados os esforços dos países que tratam de reconstruir a sua economia e a sua sociedade? É talvez este o modelo que é necessário propor aos países do Terceiro Mundo, que procuram a estrada do progresso econômico e civil?”. A resposta papal é sim, “já que pelo capitalismo entende-se o sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada dos meios de produção, da livre criatividade humana.”[2], deve-se somar a esta posição de máxima critica as tarifas protecionistas, por considerá-los uma expressão do egoísmo coletivo.

Inclusive, João Paulo II teve encontros com os teóricos da Escola Austríaca, perfilando-se assim o seu pensamento e opinião de uma economia livre, o pensador católico Michael Novak tornou pública a extensa conversa pessoal que o Papa João Paulo II e Hayek mantiveram antes do falecimento deste último.

Sem dúvida alguma, na encíclica referida manifesta-se como a concepção da ciência econômica por parte de seu redator foi muito modernizada a dar um importante salto qualitativo do ponto de vista científico, que deixou expirar, em grande medida, a antiga doutrina social da Igreja Católica e que supera até mesmo a importantes setores da própria ciência econômica, que até agora têm seguido ancorados no modelo do paradigma neoclássico-keynesiana, e que não foram capazes de dar check-in em seus ‘modelos’ para o caráter eminentemente criativo e dinâmico da função empresarial. Pela primeira vez na história, pois, agora, e graças à influência positiva da Escola Austríaca de Economia, a doutrina social da Igreja Católica se colocou à frente do paradigma dominante da própria ciência econômica que, até agora, vem ignorando o ser humano criativo e continua ancorado em uma concepção estática do mercado e da sociedade.[3]

O próprio papa emérito Bento XVI alerta de que a principal ameaça do nosso tempo reside precisamente no endeusamento da razão humana, que, por meio da suposta engenharia social se pretende construir aqui e agora um cenário de mundo perfeito, sob a liderança dos governos, o paraíso terrestre, graças a uma política estatal fundada cientificamente. O grande problema da humanidade é que transformamos o estado em um bezerro de ouro, que todos adoram.[4]

Bento XVI na sua carta encíclica DEUS CARITAS EST, segunda parte, o exercício do amor por parte da igreja como comunidade de amor, menciona o seguinte, “O estado, que queira prover a tudo, que absorve tudo em si mesmo, torna-se definitiva em uma instância burocrática, que não pode assegurar o mais essencial de que o homem sofredor – todo ser humano precisa: uma cativante atenção pessoal. O que faz falta não é um estado que regule e domine tudo, mas que generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que surgem das várias forças sociais que unem a espontaneidade com a proximidade aos homens necessitados de socorro” [5]

Nesta semana, o Papa Francisco teve diversas reuniões que chamaram a atenção de vários meios de comunicação e da comunidade acadêmica, entre estes, com o economista Joseph Stiglitz, onde se falou sobre o rumo que deve ter vários estados, como um agente de intervenção onde se evite o poder concentrado, onde o sumo pontífice pede uma intervenção para assegurar e resguardar o interesse público.

Imediatamente eu me pergunto, será que um estado pode intervir para assegurar e resguardar o interesse público, quando a característica principal que tem o estado é violentar os princípios mais básicos de propriedade privada? Qual é a moral de falar de um estado intervencionista, quando o estado e suas instituições são, por excelência, os agentes mais imorais, já que a única forma que eles tenham e segure um poder baseado na coerção? Você será normal para o Papa Francisco que o estado, com suas instituições expropriadoras da riqueza da sociedade, do trabalho, inclusive dos mais pobres, que, em princípio, diz defender?

Inclusive é suspeito esta mudança de pensamento de Francisco, quando ainda Cardeal da Argentina, em uma entrevista concedida ao jornalista Chris Mathews da cadeia MSNBC, diz o seguinte: “culpo os políticos que buscam seus próprios interesses. Os socialistas acreditam na redistribuição que é uma das razões da pobreza, vocês querem nacionalizar o universo para controlar todas as atividades humanas, vocês destroem o incentivo do homem para, inclusive, assumir a sua família, um crime contra a natureza e contra Deus. Estas ideologias criam mais pobres que todas as corporações que vocês rotulam como diabólicas” “As pessoas dominadas pelos socialistas precisam saber que nós não temos que ser pobres, o estado de dependência criado por Hugo Chávez, com falsas promessas mentindo para que cheguem a ajoelhar-se perante o governo e diante dele, dando-lhes peixes, mas sem deixá-los a pescar, se na América Latina alguém aprenda a pescar, é punido e seus peixes confiscados pelos socialistas, A liberdade é punida” e diz-lhe diretamente  Mathews, “tu falas de progresso e eu de pobreza, temo pela América Latina, toda a região é controlada por um bloco de regimes socialistas, como Cuba, Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela, Nicarágua, Quem os salvará desta tirania?’

Francisco afastou-se de uma compreensão da economia como um processo dinâmico de tipo empresarial e do princípio ético que tem de regular as interações sociais, “a única forma de promover a liberdade e a criatividade empresarial de todos os seres humanos são os lugares onde se possa ter a segurança, a priori, de que poderá se apropriar dos resultados de sua criatividade e que não terão de ser desapropriados, total ou parcialmente, por ninguém, e muito menos pela administração do estado”.

[1] Lourenço, Bernaldo de Quiroz – Presidente de Freemarket internacional consulting em Madrid, Espanha.
[2] Centesimus Annus (1991), de João Paulo II, volume IV
[3] Eficiência e Justiça do capitalismo -6 A doutrina social da igreja católica e a contribuição de Kirzner -Jesus Huerta de Soto
[4] Conferência Jesus Huerta de Soto Anarquia, Deus e o papa Francisco.
[5] Ponto 28 B, DEUS CARITAS EST, o papa Bento XVI

Autor: Diego Maurício Macana Roa. ECONOMISTA Colombiano de 31 anos, vive no Brasil desde 2010, estudante de Economia da Universidade de Buenos Aires, seguidor da Escola Austríaca, defensor da liberdade econômica, promulga as idéias de autores como Mises, Rothbard, Hayek, Jesus Huerta de Soto, Hope, Escolásticos, entre outros.

Link Original: https://misesreport.com/el-papa-francisco-la-nueva-imagen-del-socialismo/O Papa Francisco, a nova imagem do Socialismo

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Economia · Libertarianismo · Política