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fev 10, 2019
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Dinheiro, estado e política internacional

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Dinheiro, estado e política internacional

Por que o estado imprime cada vez mais dinheiro, e quem lucra com isso

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Economia de trocas simples

“Por que nós não nos cuidamos por conta própria?” Para Adam Smith o homem tem uma tendência natural em negociar e fazer trocas. Ludwig von Mises explicou isso de maneira muito elegante:  Participamos da divisão de trabalho por razões egoístas, pois ela é mais produtiva”. Existem duas vantagens:

1º) A vantagem absoluta: quando uma pessoa é boa em uma área, e outra pessoa é boa em outra área, ao se especializarem, a oferta total de produtos se torna maior do que se cada uma fizesse tudo por conta própria.

2º) A vantagem comparativa: Quando uma pessoa é melhor em todas as áreas e uma outra é pior em todas as áreas, mesmo assim a divisão de trabalho é mais vantajosa, pois se a pessoa mais qualificada se concentrar naquilo que ela faz de melhor e deixar de trabalhar nas áreas que exigem menos qualificação, a quantidade total de bens produzidos pelas duas pessoas será maior.

Dessa maneira criamos então uma economia de trocas simples, na qual as pessoas fabricam diferentes produtos e trocam eles entre si. Quando houver uma necessidade, nós podemos fazer trocas. Basta você ter o que eu preciso, e eu ter o que você precisa. Quando isso não ocorre, nós não podemos trocar.

E logo alguém esperto irá perceber que nem sempre será possível trocar diretamente por aquilo que se quer, mas que algumas mercadorias são diferentes das outras. Que alguns produtos são mais comercializáveis, são mais facilmente vendidos e mais pessoas os querem, e que outros produtos são menos comercializáveis. E quando não se consegue achar alguém para fazer uma troca direta, pode-se tentar trocar o seu produto por um outro mais comercializável. E com esse produto mais comercializável atingir o seu objetivo final, que é comprar o produto realmente desejado.

Um bem desse tipo, que se diferencia através de uma alta comerciabilidade, se torna ainda mais comercializável à medida que algumas pessoas passam a usá-lo apenas como meio indireto de trocas. Esta prática é então imitada por outras pessoas, e o que acaba acontecendo a curto ou longo prazo, é que alguns produtos se tornam cada vez mais utilizados para trocas indiretas. E esses bens, que se distinguem através de sua maior comerciabilidade, e que são reconhecidos por outras pessoas como possuidores dessa qualidade, esses bens, que tem a maior comerciabilidade de todos, nós os chamamos de dinheiro.

O dinheiro é então, de todos os bens, aquele que é mais facilmente vendido e aquele que é mais amplamente aceito por outras pessoas. Então saímos de uma economia de trocas simples para uma economia monetária.

Economia monetária

Ao entramos em uma economia monetária, podemos pela primeira vez fazer cálculos. Podemos realizar cálculos econômicos.

O objetivo de toda produção é transformar um produto de menor valor em um de maior valor. Para verificarmos se isso ocorreu, precisamos recorrer ao cálculo econômico. Podemos calcular o preço dos insumos, ou seja, o preço de tudo que é usado na produção de um produto final. O preço dos insumos precisa ser menor do que o preço do meu produto final. Quando isso acontece, eu agi de maneira economicamente eficiente. Quando isso não acontece, eu gerei um prejuízo e isso me mostra que eu fiz algo sem sentido.

Quando a divisão de trabalho se dissemina mundialmente, de maneira que todo o planeta participa de uma divisão de trabalho, acaba surgindo uma mercadoria que é mundialmente usada como dinheiro. Uma mercadoria que prevalece globalmente como o produto mais comercializável, como o meio de troca mais reconhecido de todos. Tradicionalmente estas mercadorias foram o ouro e a prata.

Então estes são conceitos simples que as pessoas deveriam saber sobre o dinheiro. O dinheiro é algo que surge espontaneamente a partir do mercado.

Bancos e as reservas fracionárias

Quando há uma economia monetária, surgem os bancos. Os bancos possuem duas funções:

1) Bancos de depósito: as pessoas levam o dinheiro para o banco para que ele seja armazenado com segurança, permitindo transferências mais seguras. Nos bancos de depósito, a posse do dinheiro não é concedida aos bancos. Os bancos são apenas administradores e protetores do dinheiro, e se paga uma taxa para esse serviço que é oferecido pelo banco. O lucro dos bancos de depósito vem da taxa que se paga pela proteção e pelo serviço de transferência de dinheiro entre as contas das pessoas.

2) Bancos de poupança e de empréstimo: onde se dá o dinheiro para o banco, se concede a propriedade por um período, com o objetivo de receber o dinheiro de volta com juros após um período. Os bancos então emprestam o dinheiro para empreendedores em potencial, etc., e exigem daqueles que recebem o empréstimo uma taxa de juros maior do que a rentabilidade que o banco garante para quem faz os depósitos. E o lucro das poupanças e dos fundos de empréstimo vem dessa diferença, da diferença que existe entre o dinheiro que é pago para o depositante e as taxas de juros que são pagas pelas pessoas que fazem empréstimos.

Quando existem vários bancos concorrendo entre si, existe uma tentação. Como os bancos acreditam que seus clientes não virão todos ao mesmo tempo sacar o seu dinheiro, eles tem a tentação de imprimir notas de dinheiro. E essas notas de papel são um título de propriedade. Elas dão direito ao portador de sacar o dinheiro a hora que ele quiser. Nós chamamos esses títulos de substitutos do dinheiro. São notas de papel que os bancos emitem e entregam aos seus clientes com o seguinte discurso: “Nos traga essa nota a qualquer momento e devolveremos o que você tem depositado em ouro ou prata”. Por confiarem nos bancos, os clientes passam a aceitar esses substitutos do dinheiro e começam a usá-los como meio de pagamento.

A tentação dos bancos consiste então em emitir mais notas do que eles tem de ouro e prata nos cofres. Em deixar de ter um lastro completo e passar a ter apenas um lastro parcial. Os bancos podem correr esse risco, pois sabem que as notas não serão todas trocadas ao mesmo tempo. Se todo mundo viesse sacar ao mesmo tempo, e os bancos não tivessem um lastro completo, haveria uma corrida aos bancos e todos eles quebrariam.

Em um sistema de livre mercado de bancos, onde vários bancos fazem suas próprias notas, há uma limitação natural de quantas notas alguém poderia emitir além de suas reservas. Se o banco A produz muito mais notas do que as suas reservas em ouro e prata, naturalmente essas notas serão primeiro retiradas pelos clientes desse banco. Mas quando essas notas caírem nas mãos de pessoas que são clientes de outros bancos, e elas levarem suas notas para os seus próprios bancos, o banco emissor vai receber uma solicitação do outro banco para que ele deposite em ouro e prata o valor que está escrito naquelas notas.

Como os bancos emissores temem que suas notas caiam nas mãos de clientes de outros bancos, com os quais eles devem honrar o que está escrito nas notas, em um ambiente com livre concorrência entre bancos, as reservas mantidas são relativamente altas. Ou seja, as reservas fracionárias são muito pequenas.

Alguns podem se perguntar, por que os bancos não fazem um cartel? Assim poderiam imprimir juntos as novas notas, acima de suas reservas. O problema que existe em todos os cartéis, não apenas nos bancários, é o seguinte: nos cartéis os produtores menos eficientes são os que mais lucram e os produtores mais eficientes são os mais prejudicados. Pois em condições normais, os produtores eficientes aumentariam a sua fatia de mercado e os produtores ineficientes perderiam a sua fatia de mercado.

Então, em um acordo de cartel, os produtores mais eficientes são os mais prejudicados e, por causa disso, eles sempre tem um interesse em terminar o cartel. Ou seja, um cartel de bancos em um livre mercado não funcionaria por muito tempo.

O estado e a falsificação do dinheiro

Somente através de um estado a falsificação de dinheiro pode ser mantida a longo prazo. A definição de estado que eu vou apresentar é incontestável:

“O estado é uma instituição que tem a palavra final em todos os conflitos interpessoais inclusive – e isso é muito importante – naqueles em que ele próprio ou os seus representantes estão envolvidos.”

Quando se observa essa definição, imediatamente se percebe que só coisas erradas podem surgir daí.

Mesmo se você perguntar para criancinhas:

– “Eu vejo que às vezes vocês brigam. Como vocês resolvem essas brigas?”

E uma delas diz:

– “Geralmente nós fazemos assim: Eu, Franz, serei a pessoa que decidirá quem tem razão”

– “Ok, Franz. E como vocês fazem quando você também está envolvido na briga?”

– “Nesses casos também sou eu quem decide”.

Até mesmo crianças em um jardim de infância achariam esse tipo de regra muito suspeita.

Infelizmente vivemos em um período na evolução em que a humanidade ainda não saiu muito da infância, pois todos nós achamos que esse tipo de organização é maravilhoso. Um policial te dá uma cacetada na cabeça e então você resolve processá-lo. E para onde o processo é encaminhado? Ele é encaminhado para um juiz. E o juiz recebe dinheiro da mesma organização que paga o salário do policial. É totalmente previsível que o julgamento de certa forma não vai ser muito justo.

Quando você tem a decisão final em todas as disputas, naturalmente você terá a idéia:

– “Eu preciso controlar o dinheiro. Eu preciso pegar para mim a maior quantidade possível do dinheiro das pessoas”

E você faz isso através dos impostos. Você toma o dinheiro das pessoas e quando elas reclamarem, você diz:

– “Ok, aqui está o juiz, que também é pago através dos impostos. E assim como eu, ele também gosta de receber o dinheiro dos impostos. E provavelmente dirá que eu tenho a razão, que tomei o seu dinheiro de maneira legal.”

É fácil perceber que o governo tem interesse em tomar para si o controle do dinheiro. E como ele faz isso?

1º) O monopólio na criação da moeda

Ele primeiro vê uma mercadoria sendo usada como dinheiro. E o 1º passo é dizer: “A partir de agora, eu monopolizarei a cunhagem das moedas. Eu sou a única instituição que tem permissão de cunhar moedas de ouro e prata.” Antes havia concorrência neste ramo. Quais são as chances de que agora o dinheiro piore de qualidade? De que a quantidade de ouro e prata nas moedas seja reduzida?

Agora imaginem que há uma concorrência neste ramo, e vocês constatam que um cunhador reduziu levemente a quantidade de ouro das moedas. Ao invés de 50g, as moedas contém apenas 48g. É claro que você faria uma campanha publicitária dizendo: “Atenção! A moeda dele tem 48g, mas ele diz que tem 50g!” E o cunhador iria falir rapidamente.

Agora imaginem que só há um único cunhador. Quais são as chances de ele falsificar a moeda ou reduzir a quantidade de ouro ou prata? Naturalmente são muito maiores! A moeda será piorada.

2º) O monopólio na emissão dos substitutos do dinheiro

O 2º passo será monopolizar a emissão dos substitutos do dinheiro. Antigamente os bancos fabricavam suas próprias notas de papel. E naturalmente, quando os bancos concorriam entre si, imprimia-se exatamente aquilo que se tinha nos cofres. Sempre que um banco suspeitava que outro banco havia impresso mais notas do que tinha em reservas fazia-se uma campanha publicitária dizendo: “Atenção! O banco imprimiu muito mais notas do que tem em reserva! Não seja cliente deles!”.

Agora imaginem que uma única instituição tem a permissão de imprimir notas. As chances de que esse banco agora imprima muito mais notas do que ele realmente tem de ouro nos cofres naturalmente são muito maiores do que seriam se houvesse concorrência.

Então o governo faz um banco central. O banco central é a instituição que os bancos privados irão usar como banco, da maneira como nós antes usávamos os nossos bancos. O ouro e a prata que antes ficavam nos bancos privados agora são realocados para o tesouro do banco central. E a obrigação de honrar os depósitos agora só existe nas notas que o banco central imprime. Somente o banco central precisa honrar o que está escrito nas notas.

O cliente vai com sua nota em seu banco privado, e o banco privado apresenta essa nota para o banco central, e o banco central supostamente deve trocar ela por ouro ou prata.

3º) A retirada do lastro em metais

E o 3º passo consiste em uma transição para uma economia que não é mais lastreada em metais, mas que é lastreada apenas em papel-moeda. Historicamente isso ocorreu em 1971, quando alguns países já haviam abandonado o padrão-ouro e o padrão-prata. Ou seja, as pessoas não podiam mais ir com suas notas aos bancos para sacar o ouro, ao invés disso, elas recebiam apenas notas recém-impressas.

Mas internacionalmente, até 1971, os bancos centrais dos países poderiam ir até o banco central americano e dizer: „Eu tenho aqui essa nota de 35 dólares, e agora você me deve uma onça de ouro“ Essa era a definição: uma onça de ouro equivalia a 35 dólares em papel-moeda. A partir de 1971 os EUA deixaram de honrar cada depósito de U$35 com uma onça de ouro, pois alguns países haviam percebido que os EUA haviam impresso enormes quantias de dólar, e que só conseguiriam honrar em ouro uma pequena parte desses dólares impressos.

Charles de Gaulle, o presidente da França, foi até os EUA, e os americanos, através do presidente Nixon, disseram: “Nós lamentamos, mas a partir de agora não iremos mais fazer assim a partir de hoje, não haverá mais nenhum lastro em ouro.” E a partir desse momento, pela primeira vez na história, o mundo inteiro adotou o padrão papel-moeda. E o que se pode esperar de um padrão papel-moeda é que a quantia de notas aumente muito mais do que se ainda existisse uma obrigação de se honrar os depósitos em ouro.

Os governos não precisam mais ser tão cuidadosos ao imprimir dinheiro, pois agora sabem „Eu não preciso entregar mais nenhum ouro. Sempre que eu precisar de dinheiro, basta eu imprimir umas novas notas“. E isso logicamente aumenta sistematicamente a inflação e a produção de dinheiro.

Os efeitos da produção do dinheiro

É claro que a produção de dinheiro não é capaz de elevar o padrão de vida geral. Se isso fosse possível, não haveriam mais pobres no mundo, pois as notas podem ser impressas à vontade. Já o ouro não pode ser criado à vontade.

Não haveria mais nenhum país pobre no mundo, se conseguíssemos aumentar o padrão de vida geral apenas imprimindo notas de papel.

O que a produção de dinheiro realmente causa é uma redistribuição dos rendimentos da população, que passa de um grupo para um outro grupo. E é fácil explicar como isso é feito.

Aqueles que primeiro recebem o dinheiro recém-impresso lucram às custas daqueles que recebem o dinheiro por último. Aqueles que primeiro tem o dinheiro nas mãos, e naturalmente estes são o banco central, o estado e os principais clientes dos bancos, podem comprar, com o dinheiro recém-impresso, produtos com preços antigos, que ainda são baixos. E quando o dinheiro circula através da economia, os preços começam a subir. E aqueles que tem um salário fixo e recebem o dinheiro por último, perdem dinheiro para aqueles que primeiro receberam o dinheiro.

Portanto, a inflação jamais será capaz de elevar o padrão de vida do povo. A única coisa que ela faz é tornar algumas pessoas ricas, às custas de outras pessoas, que se tornam mais pobres.

Política internacional

Nós temos muitos estados. Todos estes estados fizeram mais ou menos o mesmo: transformaram um dinheiro mercadoria universal em um dinheiro mercadoria nacional, o que acabou gerando diversas moedas. E na transição das moedas lastreadas em mercadorias para o papel-moeda naturalmente surgiram diversas moedas nacionais feitas de papel. Isso, por si só, foi um passo para trás no desenvolvimento econômico, pois seria vantajoso que houvesse uma única moeda, a qual tornaria o cálculo econômico mais fácil e eficiente.

Uma grande quantidade de moedas de papel gera um problema para o estado. Quando eu, a Alemanha, imprimo mais notas do que a França, então a minha moeda se desvaloriza em relação à moeda francesa. Ou seja, os bancos centrais de cada país tem a preocupação “Preciso cuidar para não imprimir dinheiro demais, pois isso faria com que o povo perceba que a minha moeda está desvalorizando em relação às outras. Eles deixariam de usar a minha moeda e passariam a usar uma mais forte.” É claro que o estado não quer que isso aconteça.

Estamos então diante do mesmo problema que eu já falei no início. Nós precisamos de um cartel para permitir que todos estados possam inflacionar ao mesmo tempo, assim evitaremos que as pessoas troquem a moeda mais fraca pela mais forte.

Estados e o paradoxo da política externa

Estados são organizações que são baseadas na violência, que tem o direito de aumentar os impostos, etc. m função disso, em comparação
com outras instituições, os estados são instituições mais agressivas. Quando eu mesmo tenho que arcar com os custos de se agredir outra pessoa, quando eu preciso pagar meus próprios seguranças e comprar minhas próprias armas, então, antes de atacar alguém, vou pensar duas vezes se vou lucrar com a agressão mais do que eu gastei.

Mas quando eu posso forçar outras pessoas a me fornecerem os meios que preciso para agir agressivamente, eu serei mais agressivo do que seria, caso não tivesse o dinheiro dos impostos à disposição. Em função disso, os estados se envolvem em conflitos com outros estados e existe uma tendência, “o paradoxo da política externa”, na qual os estados que tem uma politica interna relativamente liberal, que agem como se fossem bandidos bacanas, pode-se dizer, esses estados tendem a ser os que mais envolvem seu povo em lutas armadas, pois as guerras custam dinheiro e isso exige uma economia funcionante para mantê-las.

O paradoxo consiste então no seguinte: os estados bacanas com o povo são aqueles que tem uma política externa agressiva. E os estados brutais com o povo são mais pacíficos, pois já ficam satisfeitos em conseguir manter o que já tem.

Por isso que antigamente os países liberais, como a Inglaterra, tinham o grande poder imperial. E esse papel foi tomado pelos EUA na I e na II Guerra Mundial. Desde o final da II Guerra Mundial, os EUA iniciaram muito mais guerras do que qualquer outra nação deste mundo. A União Soviética era um estado cruel com seu povo, mas em relação à sua política externa, ela era relativamente cuidadosa, pois sabia muito bem que não conseguiria enfrentar uma guerra prolongada contra os países ocidentais.

Já os EUA, por saberem que tinham uma poderosa economia por trás, puderam se permitir iniciar guerras em todo o mundo, pois sabiam que eles provavelmente iriam vencer. E para conquistar outros países, nem sempre foi necessário marchar até eles. O importante é que se atingisse uma posição hegemonial. Pois assim poderiam ameaçar outras nações: “Se vocês não fizerem o que eu mandar, vou fazer algo em retaliação!”

Um poder hegemonial é o poder que é necessário para se construir um cartel. Um cartel é algo instável e precisa de um controle central. E esse controle central é os EUA, E, com os EUA no comando, todos os países puderam inflacionar de maneira coordenada.

E como eles fizeram isso? Eles fizeram com que o dólar se tornasse a reserva central do dinheiro mundial. Todos os países passaram a usar o dólar como reserva. Dessa maneira os EUA puderam se dar ao luxo de se manterem em constante déficit comercial. Os EUA puderam importar mais produtos do que eles próprios exportavam.

As importações de um país geralmente são pagas através das exportações. As importações são úteis pra mim. Eu me aproveito elas.

As exportações são pouco úteis para mim. Outras pessoas se aproveitam delas. Precisamos exportar para poder receber importações.

Como os EUA puderam receber mais produtos do mundo, sem se preocupar em ter que exportar o equivalente?

Isso aconteceu porque os outros países não usaram seus créditos em dólar para comprar produtos americanos, mas os usaram em grande parte para comprar títulos do governo dos EUA, permitindo que os americanos mantivessem um padrão de vida maior do que a sua produtividade permitiria, às custas da exploração sistemática de outros países.

Sabemos que essa concorrência de moedas é também um problema. Não podemos inflacionar à vontade. O objetivo final é: Nós precisamos reduzir a
quantidade de moedas nacionais, até que tenhamos uma única moeda de papel. E essa moeda naturalmente deve ser o dólar americano.

E como vamos fazer essa transição?

A abolição das moedas nacionais

Para fazer essa transição, primeiro vamos criar o Euro. Ao invés de existirem 12, 15 diferentes moedas nacionais na Europa, e os americanos precisarem ir até os bancos centrais de Berlim, Roma, Madri, etc. e dizer “Ei, Banco Central da Espanha, Itália, França… Vocês estão fazendo algo perigoso!” É muito mais fácil precisar ir apenas ao Banco Central Europeu em Frankfurt. Isso poupa muito trabalho e esforços.

O Euro foi criado para enfraquecer as moedas fortes que eram concorrentes do dólar, em especial o marco alemão. Ao invés de uma moeda como o marco alemão, que ao longo do tempo se valorizou em relação às outras moedas europeias, faz-se agora o Euro, que naturalmente terá uma inflação muito maior do que o marco alemão já teve.

Por que o marco alemão foi muito estável? Isso talvez se deva a questões psicológicas. Os alemães foram derrotados em duas guerras, já vivenciaram a hiperinflação e a reforma monetária, de maneira muito drástica, ao contrário de outros países, então eles eram mais cuidadosos ao falsificar dinheiro. E, atualmente no comitê do Banco Central Europeu, os espanhóis, italianos e gregos votam em maior número do que os alemães, que ainda são mais cuidadosos. O próximo passo agora seria, naturalmente, “Nós não precisamos apenas do Euro, também precisamos de algo parecido no Pacífico” “Ainda temos problemas com a China…” “Os russos também não estão se comportando…”

Por causa disso os americanos ameaçam esses países. Se eles não obedecerem aos americanos, eles sofrerão consequências…

Se nós tivéssemos uma moeda mercadoria mundial, o que desde sempre tem sido exigido pelos círculos mais influentes, não haveria mais nenhuma inibição em relação à impressão de dinheiro. Pois, por definição, uma moeda mundial única jamais poderá se desvalorizar em relação a outra moeda.

A justificativa que foi usada para a criação do Euro, e que será usada novamente para a criação de um papel-moeda mundial é “Isso facilita o comércio! Não teremos mais que trocar o marco pela lira, a lira pelo franco, o franco pela peseta Tudo será maravilhoso!”

Bom, a justificativa até faz sentido. Pois, como disse no início, um dinheiro mercadoria também tende a se tornar um dinheiro mundial. Pois realmente faz sentido, é mais econômico, facilitaria os cálculos e não precisaríamos fazer câmbio. Mas, quando se trata de papel-moeda, é melhor termos várias moedas concorrendo entre si do que apenas uma única.

Portanto, não temos nada contra uma moeda mundial. Mas não queremos um papel-moeda mundial. Um papel-moeda mundial seria o maior desastre. É melhor que exista uma grande quantidade de moedas nacionais.

Embora, por outros motivos, isso não faça sentido economicamente, ou, pelo menos, dificulte sistematicamente os cálculos.

A abolição do dinheiro em espécie

Mesmo com as tentativas atuais de se abolir o dinheiro em espécie que nada mais é do que uma pérfida estratégia de expropriação, se não tivermos mais papel-moeda em espécie, e todas as transações passarem a ser feitas eletronicamente, com cartões de crédito, débito, etc. então é possível, que, subitamente, com um único aperto de botão, todas as nossas economias sejam reduzidas em 10%, 20%, 30%.

Ao invés de ter 100.000 Euros na conta corrente, eles vão dizer que agora tem apenas 90.000 E o presidente dirá: “Pois é, como o país está endividado, e a dívida é pública, peguei um pouco da sua conta, agora foram só 10%, mas como as necessidades do estado são grandes e cada vez mais inventamos novas atribuições importantes para o estado, talvez ano que vem será necessário pegar mais 10%.”

Mas vocês podem ver que essa situação naturalmente só será possível quando houver um governo mundial com um papel-moeda mundial. Pois enquanto o dinheiro em espécie for proibido em apenas alguns países, as pessoas ainda poderão usar moedas de outros países.

Então isso exigirá um controle das fronteiras e é complicado para o estado ficar controlando as fronteiras, pois a polícia precisa ficar revistando as pessoas a cada viagem ficar cuidando o que elas estão levando, pra ver se não elas não estão com nenhum Yuan chinês, Dólar de Hong Kong, de Singapura, etc.

A única maneira de fazer isso, sem precisar recorrer a um controle de fronteiras, é através da criação de um governo mundial, um banco central mundial e um papel-moeda mundial. Isso realmente é a pior coisa que pode acontecer.

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Economia
http://propertyandfreedom.org/

é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.