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set 19, 2018
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Como os Anarquistas podem se comunicar com compaixão

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Escrito por Sterlin Lujan, psicólogo e palestrante, proponente do anarquismo voluntarista.

A comunicação leva à comunidade, isto é, à compreensão, intimidade e valorização mútua.

Rollo May, psicólogo existencial

Neste artigo eu gostaria de enfatizar o poder da comunicação terapêutica e compassiva para os anarquistas. Tanto nos debates on-line quanto nos off-line, muitas vezes usamos uma retórica repleta de insultos e de ódio, ao invés de usarmos um diálogo pacífico. Empregar esta linguagem não é persuasivo, mas não estou sugerindo que devamos ser perfeitos ou que não podemos reagir defensivamente quando provocados. Essas tendências são naturais.

Mas a característica principal do anarquista que sabe trabalhar com o lado psicológico é a sua capacidade de demonstrar compreensão e empatia com o ponto de vista da outra pessoa, utilizando a escuta ativa. Eu sei que é difícil fazer isso, pois estamos lidando com pessoas que são cúmplices da violência e da tirania, mas devemos tentar permanecer firmes e pacientes se quisermos ajudá-las a entender a beleza do anarquismo individual.

Mesmo quando mantemos o controle e dominamos os argumentos a nosso favor, a resposta natural da maioria das pessoas é se sentir julgada e criticada, o que acaba gerando uma discussão acalorada, com ambas as partes falando ao mesmo tempo. É aqui que brilha o anarquista  que sabe trabalhar com o lado psicológico.

Se conseguimos controlar o nosso “cérebro de lagarto” (os mecanismos de luta ou fuga), podemos tornar o debate mais proveitoso ao inserir uma comunicação verdadeira, ao invés de termos apenas reações automáticas. Eu percebi que a abordagem compassiva ganhou mais apoio. Ficar desafiando incansavelmente o ódio e a maldade, no entanto, não ganha muitos amigos.

Algumas dicas para comunicar-se com compaixão

0) Lembre-se dos três axiomas da comunicação:

a) É impossível não se comunicar: mesmo que a pessoa esteja quieta, ela ainda está dizendo alguma coisa. A linguagem corporal e outras formas de comunicação não-verbal estão sempre sendo transferidos de uma pessoa para outra. Somos criaturas comunicativas por natureza, mesmo que não falemos uma palavra.

b) A mensagem enviada nem sempre é a mensagem recebida: quando transmitimos mensagens verbais ou não-verbais, é possível que o receptor interprete a mensagem de maneira imprecisa. Mesmo quando dizemos o que pretendemos dizer, seu significado pode ser modificado. Assim, é sempre importante buscar esclarecimentos e verificar nossos  próprios sentimentos sobre as mensagens que recebemos.

c) A comunicação não verbal é sempre mais poderosa do que a comunicação verbal: a comunicação não verbal pode dizer muito sobre alguém, mesmo que a comunicação verbal desta pessoa não diga. Pode fornecer pistas sobre o estado mental de um indivíduo. Se você estiver debatendo ou falando com alguém pessoalmente sobre o anarquismo, sempre observe a linguagem corporal deles para ajudar a determinar como eles se sentem  em relação ao debate ou à conversa. Desta maneira você irá perceber se deve desistir da conversa ou se deve continuar debatendo.Estes axiomas jogam na importância de todas as técnicas subseqüentes.

1) Tente não culpar ou julgar a outra pessoa. Isso não significa que você tenha que evitar ou omitir a verdade. É justo que julgar, culpar, condenar ou tentar controlar a pessoa seja uma maneira infalível de impedir a comunicação e a compreensão. Na psicologia da teoria da escolha, esse método de comunicação negativa é chamado de psicologia do controle externo. A psicologia do controle externo ocorre quando tentamos patologicamente obter o que achamos que precisamos de outra pessoa, em vez de ajudá-la a compreender e ter empatia conosco.

2) Demonstre empatia: deixe transparecer que você sente e compreende a outra pessoa. Repita emoções e padrões de pensamento de volta para as pessoas para que elas saibam que você está conectado com elas; tente usar palavras ou linguagem semelhantes para que eles não entendam mal. E se você criar o hábito de simpatizar com a outra parte, a comunicação se tornará uma conexão interpessoal de fato, em vez de duas pessoas batalharem sobre quem está certo. Em um atendimento psicológico de consultório, as técnicas de empatia são chamadas de habilidades básicas de comunicação, e elas são o pilar fundamental da interação compassiva. Nunca saia de casa sem elas.

3) Ouça de verdade. Realmente escute a outra pessoa, com atenção. Você ficará surpreso com o quanto uma pessoa pode já concordar com as suas idéias. Faça observações baseando-se em aquilo que você escuta, e, se estiver pessoalmente, certifique-se de que a sua linguagem corporal está demonstrando que você está interessado em ouvir o que a pessoa tem a dizer. Quando você escuta a outra pessoa, isso mostra que você não é um líder de seita que está tentando recrutar pessoas para o mundo de orgias sexuais de Jim Jones e para beber Kool-Aid. A escuta ativa é indispensável.

4) Trabalhe com a psicologia: entenda por que você reage da maneira que você faz a declarações ou comportamento. Muitas vezes há uma razão subconsciente por que você responde a outras pessoas de maneira hostil. Se você puder identificar essas razões, poderá crescer como pessoa e aprender a se comunicar melhor, porque sabe por que se torna emocionalmente volátil. O auto-crescimento é, portanto, uma prioridade para entrar em contato com outras pessoas em um nível fundamentalmente humanitário. Veja a literatura psicológica sobre auto-realização de Abraham Maslow e Carl Rogers.

5) Reconheça a coragem: se alguém for superado em número pelos anarquistas no debate, como em um fórum ou mídia social, diga-lhes o quão corajosos eles são por ter tempo para discutir com você e seus amigos. Isso é importante para criar um relacionamento duradouro, uma amizade possível e permitir-lhes o tempo para internalizar o anarquismo sem se aborrecerem por serem atacados. Isso também é um ato de bondade e exige valorização mútua.

6) Confronto também é importante. O confronto não significa ser agressivo com as pessoas. Significa apenas apontar inconsistências no processo de pensamento, ou entre emoções e pensamentos.

Em um atendimento psicológico de consultório, o confronto geralmente significa mostrar às pessoas as discrepâncias que existem entre a linguagem corporal e a comunicação verbal. No debate cotidiano, significa apontar falácias lógicas e erros de raciocínio. Entretanto, os anarquistas devem confrontar de maneira compassiva e não-maliciosa enquanto empregam técnicas de empatia e escuta. Se feito apropriadamente e com delicadeza, a pessoa não entrará em modo de luta ou fuga, comprometendo a eficácia da interação. Nós não queremos querer assustar as pessoas da filosofia.

Se eles bloquearem você, você “perdeu”

Além disso: independentemente da opinião popular, se alguém bloqueia você nas redes sociais, nem sempre é porque você ganhou a discussão. Se bloquearam você, você provavelmente perdeu, pois essa pessoa não está mais ouvindo ou dando valor para o que você diz.

De fato, eles provavelmente se isolaram de você e de seus pontos de vista. Isso provavelmente aconteceu porque você abusou do confronto ou agiu demonstrando ódio. Alguns anarquistas fazem isso rotineiramente, ou desejam apenas demosntrar sua masculinidade, mas a experiência me  mostrou que isso é prejudicial ao processo.

Como uma consideração adicional: debater com pessoas é algo estressante, especialmente quando se debate com estranhos. Isso faz com que nossos cérebros liberem o cortisol, que é um hormônio responsável por desencadear a resposta de luta ou fuga. No entanto, altos níveis desse hormônio podem danificar a síntese de proteínas e diminuir o crescimento do cérebro. Então, nunca queremos debater a ponto de causar danos ao cérebro. É mais provável que isso ocorra se uma pessoa for tão volátil que essa resposta acabe afetando relacionamentos íntimos e/ou causando confrontamento através de ativismo.

Do outro lado da moeda, se os anarquistas podem criar níveis médios de excitação em si mesmos e nas pessoas com quem estão discutindo, isso pode realmente ser benéfico para o crescimento do cérebro, e todos os envolvidos podem melhorar suas conexões neuronais. Em outras palavras, o córtex frontal não fica sobrecarregado pelo cortisol, mas eles ainda são estimulados para o trabalho intelectual e emocional. Para mais informações, veja o livro de Louis Cozolino, The Neuroscience of Psychotherapy: Healing the Social Brain.

A comunicação é uma habilidade muito importante e deve ser dominada pelos anarquistas. Como conhecedores da mentalidade não-violenta, estamos tentando usar palavras em vez de armas para mudar a mente das pessoas. Isso é importante. Ele sustenta tudo o que o voluntarismo representa; ela sustenta a ideia de que os relacionamentos e a expressão interpessoal humana são os traços mais desejados da sociedade. Não há razão para os anarquistas rejeitarem a comunicação compassiva. Não há razão para usar linguagem que demonstre ódio. Eu tenho a convicção que se os anarquistas desenvolverem suas habilidades na comunicação, eles inevitavelmente irão trazer mais pessoas para o anarquismo, criando um ponto de inflexão para uma mudança de paradigma.

Abaixo está um vídeo introdutório de Marshall Rosenberg, o fundador da comunicação não-violenta. A internet está repleta de informações sobre esse tópico. Também fique à vontade para entrar em contato comigo (https://sterlinlujan.com/) para saber mais sobre os aspectos terapêuticos da comunicação compassiva e da escuta ativa.

Fonte:

https://steemit.com/anarchism/@sterlinluxan/how-anarchists-can-communicate-more-compassionately

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