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3 semanas atrás
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A ciência econômica austríaca e o ímpeto dos anarcocapitalistas

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Eu gostaria de fazer uma exposição amistosa sobre o anarcocapitalismo e a Escola Austríaca para os iniciantes no assunto, esclarecendo alguns pontos que eu considero importantes serem levantados, uma vez que muitos ainda estão em dúvida sobre o anarcocapitalismo ou até mesmo o rejeitam baseados em más compreensões.

A metodologia da Escola Austríaca é a Praxeologia, sistematizada por Ludwig von Mises. A partir dela, ele foi capaz de erguer todo o corpo da ciência econômica e fornecer explicações verdadeiras a priori para os eventos que sucedem na economia. Mas Mises não estava sozinho, seus feitos não foram ignorados por todos. Murray Rothbard era seu discípulo, entendeu a magnitude da praxeologia e aplicou-a fielmente, sobretudo em sua obra-prima, Men, Economy, and State. Seguindo essa metodologia, Rothbard ampliou o sistema desenvolvido por Mises, estendendo-o até seus limites máximos. E foi dessa forma, seguindo rigorosamente Mises, que Rothbard chegou à conclusão científica de que o estado é uma instituição antieconômica, desnecessária para a existência de um mercado e perniciosa para a utilidade social geral. O economista belga Gustave de Molinari já havia mostrado, em seu artigo “Da Produção de Segurança”, que o estado não é necessário e estorva o mercado, mas não de maneira tão definitiva e sólida quanto o fez Rothbard, pois este tinha a praxeologia de Mises como base.

Até aí, não temos nenhuma afirmação prescritiva e nenhum juízo de valor. Que o estado é uma instituição redutora da utilidade geral e de que a sociedade prescinde totalmente é uma afirmação descritiva, científica, extraída da ciência econômica. É possível reconhecer isso e, não obstante, defender a existência do estado. A proposição “o estado não deve existir” é que possui um teor moral e pode dar origem a uma ideologia anarquista.

O anarcocapitalismo apenas dá esse passo moral. Não discutirei aqui os argumentos éticos contra o estado. Digo apenas que o anarcocapitalista é aquele que tomou ciência do mal que o estado promove, demonstrado pela teoria econômica da Escola Austríaca, e teve o mero impulso moral de rejeitá-lo sumamente. Não se trata de um utopista infantil, um sonhador. Ele está resguardado pelos ensinamentos e pelos raciocínios lógico-dedutivos desenvolvidos na Economia.

As provocações frequentes e a revolta dos anarcocapitalistas contra os estatistas vêm desse impulso moral e acabam tornando o anarcocapitalista, muitas vezes, numa figura antipática. Mas não se deixem enganar por essa aparência. Bebam das fontes misesianas e lancem um olhar científico sobre a questão. A arrogância de alguns por saberem a verdade não pode nos tornar avessos a ela.

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Direito e Ética
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Foto de perfil de João Marcos Theodoro
http://criticidadevoraz.blogspot.com.br/

João Marcos Theodoro é acadêmico de Direito da FAESA.