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maio 25, 2019
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A abstração sociopolítica na relação estado versus escravos

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O estado é necessário”, dizem os cientistas sociais do mainstream, os políticos e os professores do ensino regular. Tal assertiva tem um peso considerável na formação da mentalidade e do imaginário popular dos cidadãos de qualquer país organizado em torno de um governo político. Muitos indivíduos nem sequer a questionam, pois os costumes, a religião, a imprensa e o meio social os constrange a não pensar diferente. A realidade que é difundida e constantemente acatada pelas massas é, dissimuladamente, imposta pela força, embora seus mecanismos de funcionamento e execução sejam mais sofisticados e sutis do que os demais métodos violentos e arbitrários comumente utilizados. O sistema que impõe essa maneira de pensar é, indubitavelmente, um monopólio coercitivo que busca controlar todo o conhecimento histórico, social e político da raça humana. É preciso entender que toda essa base de conhecimento está nas mãos dos governantes, dos políticos e de todo o grupo que o compõe, também, na esfera de influência do estado. Convém checar se essa realidade imposta é de fato uma realidade objetiva, palpável, empiricamente demonstrável e, portanto, verdadeira e coerente. Fazer essa verificação é, então, extremamente necessário, visto que essa linha de raciocínio alienante e imposta é visível em função dessa absorção coletiva da ideia de uma necessidade inquestionável de organização em torno de um estado e, infelizmente, isso tem levado à atrofia ou até mesmo ao bloqueio da capacidade individual de análise social, histórica e política por parte da maioria dos cidadãos comuns. É necessário uma busca pelo despertar dessa capacidade que não é – como alguns pensam – monopólio de estudiosos e sábios, mas uma característica natural do ser humano.

A realidade fática nem sempre é interpretada de maneira coerente e lógica. Uma verdade que demonstra a veracidade disso é a demolição da verdade nos meios de comunicação em massa, o assassinato de reputações, a difusão de pautas ideológicas diversas, disseminação de mentiras e a indução de um comportamento social que não tem e nem nunca teve apelo popular. Pautas pró-movimento LGBT, feminismo, guerra cultural, assistencialismo, demonização da classe empresarial são apenas umas das inúmeras agendas promovidas pela mídia e intelectuais teleguiados que pretendem incutir de forma paulatina essas ideias no contexto do imaginário popular. Criou-se uma ideia de sociedade que está constantemente em conflito consigo mesma, com inúmeros tipos de “problemas” que só existem na cabeça de quem de fato não consegue ler os fatos como eles são, mas precisam de “interpretadores profissionais” daquilo que eles ainda não se deram conta que deveria ser dedutível individualmente. Dentre esses imaginários, o pior deles diz respeito a essa submissão cega e mecânica a uma ordem social imposta por um ente arbitrário e espoliador que precisa dirigir e controlar todas as nuances da organização social e econômica da humanidade. Falamos do mito, da mentira encrustada no discurso de manutenção do poder de estado.

Existem níveis diferentes de entendimento dos fatos, embora a realidade em si seja única e imutável em termos concretos. A percepção puramente sensorial nos mostrará simplesmente os fatos como estão dispostos no tempo e no espaço tendo como ponto de partida o momento em que assistimos e ouvimos o desenrolar de determinadas circunstâncias, ou seja, o momento em que absorvermos os fatos concretos. Porém, esse nível de entendimento nem sempre é suficiente para entendermos as causas principais de determinadas consequências práticas que devem ser analisadas, pormenorizadamente, no campo sociológico e sobretudo na esfera da ciência econômica. A visão puramente superficial ou a absorção sem uma análise crítica imparcial das informações pode nos levar a depreender causas que não têm qualquer relação com os efeitos observados na consumação dos fatos e até mesmo nos induzir ao erro em função de equívocos na leitura ou uso de ferramentas de manipulação e distorção dos fatos pelo emissor da informação. Sendo impossível ter a certeza da veracidade das informações e dados apresentados é mister analisar a todo momento o que nos é mostrado. Não se trata de uma desconfiança tola, pois se trata de uma medida necessária à percepção fidedigna da realidade e, a menos que queiramos ficar a mercê das informações e interpretações alheias, é dever de todo bom entendedor desconfiar de análises prontas.

Se a filtragem de informações é tão importante para o entendimento e interpretação de diversos aspectos aos quais somos expostos diariamente, não podemos deixar de aplicá-la ao entendimento adequado das relações de poder e subordinação na esfera sociopolítica. Tudo o que concerne ao entendimento político, econômico e social dever ser compreendido de forma a evitar eventuais abusos de interação nas relações entre os indivíduos. Chega-se à conclusão que, renunciar a isso tem consequências extremamente impactantes sobre o funcionamento regular das instituições humanas e no processo decisorial vinculado à organização da sociedade. Não entender isso é se alienar completamente e se fazer escravo das circunstâncias que poderiam ser previamente verificadas. Infelizmente, essa alienação é providencial e dá sustentação à criação de um imaginário popular e outras ideias tóxicas preconcebidas que são digeridas sem passar pelo crivo de uma análise crítica contundente.

Há duas grandes ideias absurdas propagadas pelo sistema de ensino e os intelectuais do mainstream: uma delas diz respeito à necessidade de um estado como protetor da ordem jurídica e socioeconômica; a outra se relaciona com a ideia da impossibilidade de implantação e funcionamento de modelos alternativos ao sistema estatal. Ambas estão impregnadas de mentiras, falácias e uma análise propositalmente insubsistente e preconceituosa; ignoram fatos e evidências históricas atestadas concretamente. O estado não apenas se impôs pela força, mas tratou de buscar a deslegitimação e demonização de todas as outras formas de organização social que não tenham relação com seus interesses de manutenção de poder e coerção institucionalizada. Antes do estado moderno se estabelecer no âmbito do poder, existiam outras formas de organizações tribais, voluntárias e comunitárias que funcionavam tendo dentro de sua estrutura todas as instituições que exerciam as mesmas funções comumente assumidas pelo governo na atual conjuntura. O estado, historicamente, é uma instituição relativamente jovem se formos levar em consideração o longo tempo de existência da raça humana sobre a terra. A humanidade foi tão eficiente em se manter sem um estado que conseguiu sobreviver e evoluir até os dias de hoje apesar de sofrer com as diversas barbaridades recentes perpetradas pelos governos. Civilizações pré-colombianas, arranjos tribais na África, povos orientais aglomerados em torno de uma estrutura social sem aparato estatal existiram e coexistem, nos dias de hoje, sem a necessidade de arranjo estatal. Iminentes etnólogos, historiadores e sociólogos como Pierre Clastres, Lévi Strauss, Marc Bloch e Darci Ribeiro foram taxativos na defesa da autodeterminação e organização social de povos que não aceitaram perverter sua ordem natural para se curvarem a um governo centralizado e opressor.[1][2] Há inúmeros exemplos do funcionamento regular das instituições dentro desses arranjos sem estado, o que demonstra a insuficiência do argumento da necessidade de um estado controlando e dominando os povos. Os fatos apontam para uma verdade inconveniente que os estatistas não querem permitir ser difundida amplamente. É claro o desejo do estado agir no sentido de conter movimentos secessionistas bem como iniciativas de desobediência civil e descentralização do poder decisório. Todas essas pautas devem, obviamente, ser consideradas subversivas, utópicas, inconvenientes ou materialmente impraticáveis – esse é o motivo porque o estado vende a ideia de necessidade do estado e por conseguinte da ilegitimidade e inexequibilidade das demais formas de organização social que não lastreiam sua forma arbitrária de domínio e escravização da raça humana. O sistema de ensino comum é a ferramenta mais eficiente de doutrinação em massa que se tem notícia desde tempos imemoriais, é através dele que o estado consegue cristalizar na mente de crianças, adolescentes e jovens recém-formados a necessidade de submissão a seus ditames; isso contribuiu para a construção de uma cultura cujos resultados são as opiniões, atitudes e pensamento político dos cidadãos da atualidade, os quais corroboram, de forma quase instintiva, para o estabelecimento e manutenção dos poderes de estado e seu modus operandi perverso e escravizador.[3]

Cientes de todo o ferramental utilizado pelo sistema de ensino e a mídia padrão para perseguição dos objetivos governamentais, é necessária a busca permanente por policiar nosso comportamento em relação às ideias reproduzidas em massa e principalmente aquelas oriundas do interesse estatal. Isso passa por desenvolver a habilidade de contestar informações, estudos, dados, notícias a ponto de apelarmos a uma pesquisa constante com finalidade de atestação. O raciocínio analítico e crítico precisa ser colocado em funcionamento como regra e não como uma exceção.[4] O nosso empreendimento em torno do estabelecimento de uma ordem social, uma comunidade, uma cidade ou arranjo social ético depende da adesão das pessoas que se desenvolveram a ponto de raciocinar dessa forma. Não são necessárias muitas pessoas, uma cidade inteira, um estado, um país pensando como os anarcocapitalistas, mas simplesmente pessoas, mesmo que sejam em pequeno número, pensando e agindo na direção do que é viável e ético.

O anarcocapitalismo, o voluntarismo e as demais formas de associação e organização humanas que têm como pano de fundo a ética da propriedade privada não só são éticas, além disso demonstraram ao longo da história da humanidade sua aplicabilidade e retidão normativa.[5] Libertários não precisam se preocupar, inicialmente, em demonstrar os diversos aspectos complexos do funcionamento de seus modelos, mas apenas descortinar a verdade, para que outras pessoas vejam aquilo são privadas de ver pelo ensino e doutrinação alienante promovidos pelo aparato estatal. É essa abstração sociopolítica que precisa ser inteligentemente demonstrada como lição inicial, pois é geralmente após esse choque de percepção da realidade que as pessoas começam a pensar em formas alternativas de organização econômica e social. Apliquemos a lição fundamental e, pacientemente, aguardemos os frutos do nosso esforço intelectual e argumentativo. Foco e paciência a todos!

Referências:

[1] Arqueologia da violência – Pierre Clastres;

[2] A sociedade contra o estado – Pierre Clastres;

[3] O manifesto libertário – Murray Newton Rothbard;

[4] Uma teoria realista da ciência – Ram Roy Bhaskar;

[5] Teoria do Caos – Robert P. Murphy;

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https://libertarianstudiesbrazil.wordpress.com/

Gestor de Processos Gerenciais com especialização em Business Intelligence e Gestão Competitiva. Trader de criptomoedas e libertário purista. Contribui para os sites Foda-se o estado e Cidades Empresariais. Fundador da página Tenda Libertária e do site Libertarian Studies.