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A psicopatologia do estatismo

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As estrelas e listas estão em chamas, queimando vivas. O silvo e o estalar da chama podem ser ouvidos conforme pedaços de tecido meio chamuscados queimando lentamente são levados pelo vento indiferente. O cheiro do tecido queimando vagarosamente pode ser sentido no ar pelos pedestres conforme os restos se espalham pela terra.

Essa cena retrata a profanação da bandeira americana. É uma ideia e ação que coloca milhões de pessoas em um estado nebuloso de raiva ilógica e desvairada sede de sangue. Essas pessoas descartam a razão e a humanidade ao verem ou pensarem na profanação da bandeira, porque a bandeira representa o artefato mágico de sua amada nação.

Tragicamente, esse raiva latente também contraria uma condição implícita.

Quando alguém destrói a bandeira de forma proposital, fanáticos se reúnem para condenar e envergonhar a pessoa que o fez. Alguns deles levam sua raiva ainda mais longe. Eles intimidam ou ameaçam o destruidor da bandeira. Mas os indivíduos que querem ferir aquele que queimou a bandeira não o fazem porque estão tristes em relação à propriedade danificada. Eles o fazem por que adoram o simbolismo por trás da bandeira. Eles o fazem por obediência cega ao nacionalismo. Isso não tem nada a ver com qualquer ética moral racional. Isso não tem nada a ver com a realidade. Isso tem tudo a ver com um mal-estar do coração e da alma.

Esse nacionalismo que leva pessoas a coagir ou ferir outros por causa de um emaranhado de tecido colorido é uma condição patológica contagiosa também conhecida como “estatismo”.


Uma Desordem Ideológica

“Estatismo” é uma desordem ideológica em que uma entidade abstrata conhecida como nação deve existir e confere a certos humanos o direito de governar outros e puni-los por transgressões contra a autoridade. Ela também sugere que certas regiões geográficas, como a “América”, têm um significado especial. Envergonhar essas regiões é também considerado desrespeitoso e desleal, ainda que “nações” sejam meramente porções de terra.

Todas as facetas do estatismo são psicologicamente problemáticas. Adoração da bandeira, obediência patriótica à autoridade, politicagem e amor a porções de terra estão todas à beira da insanidade. Pessoas vivendo nessa matrix de delírio não o reconhecem como tal. Para eles é algo fixo em suas vidas. É um culto silencioso. Essa manifestação do estatismo ritualista é tão profundamente incorporado nas mentes das pessoas que elas não suspeitam que algo esteja errado. Elas estão clinicamente doentes, mas não reconhecem porque adotaram a loucura compartilhada do fervor patriótico.

Pessoas que são violentas ou não sentem empatia e interesse pelo próximo são normalmente rotuladas de psicopatas pela psiquiatria. Em seu livro fascinante, The Science of Evil (A Ciência do Mal, em tradução livre), o psicólogo Simon Baron-Cohen lista as características que os psicopatas possuem. Elas incluem uma inabilidade de sentir as emoções dos outros, manipulação proposital de pessoas e o desejo de ferir ou causar dano a outros. Curiosamente, estatistas frequentemente se encaixam no critério de doença mental, mas os psiquiatras estão cegos demais pela cultura para ver o viés em seus procedimentos de diagnóstico. O Diagnostic Statistic Manual for Mental Disorders (Manual de Estatísticas de Diagnósticos de Desordens Mentais, em tradução livre) fala que:

“Há um padrão generalizado de desprezo e violação dos direitos de outros que ocorre desde os 15 anos de idade, conforme indicado por três (ou mais) dos seguintes: ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.”

As características listadas acima classificam o diagnóstico perfeito para pessoas sofrendo do estatismo, que poderia ser chamado de uma desordem de personalidade. O DSM (Manual acima) vai adiante para explicar que hostilidade, indiferença e manipulação são atributos primários de desordem de personalidade.

Se psiquiatras fossem honestos a respeito da aplicação lógica de doença mental, pessoas que adoram o estado seriam as primeiras que eles diagnosticariam com desordem de personalidade antissocial e talvez esquizofrenia. Esses são os tipos de pessoas que querem ferir ou causar dano àqueles que não seguem as suas ideologias. Eles acreditam que bandeiras falam com eles, eles veem a nação como um objeto real, irão ludibriar as crianças a fazer parte do seu culto e irão arbitrariamente matar pelo governo.


Delírio de Consenso e Imunidade Psiquiátrica

O aspecto mais trágico dessa específica psicopatia é que ela é uma forma de delírio de consenso. É compartilhada pela maioria da tribo e seus membros vêem seu comportamento como normal e aceitável. Isso tem sido enraizado na cultura e sido imune ao exame psiquiátrico detalhado. A maioria das pessoas, então, acredita que o estado tem o direito de governar e que tudo relacionado a ele é santo e sagrado. Se alguém transgride, ele deve ser adequadamente importunado, usado de bode expiatório, punido e intimidado.

Estatistas iniciam essa agressão e imoralidade, mas curiosamente eles são considerados mentalmente saudáveis. Para a maioria da sociedade americana e da psiquiatria mainstream, desobedecer o estado e transgredir valores coletivos é um mal terrível. Que a obediência ao status quo é algo absolutamente indispensável. Todo o tribalismo dito acima é mantido em voga por políticos em mantras que agem como a voz de seu deus, o estado. Eles até mesmo falam por esse deus como se eles fossem sacerdotes e disciplinam ofensores como se eles fossem súditos. Isso é uma doença absurda e anti-humanitária.

Terence McKenna resume essa cultura de psicose:

“Nós estamos presos por nossa programação cultural. Cultura é alucinação em massa e quando você se livra da alucinação em massa, você pode vê-la pelo o que ela é.”


A Graça Salvadora

McKenna estava certo. As pessoas que estão sob o encanto do estatismo não estão condenadas a uma eternidade de crença em uma ideologia violenta. Assim como a maioria das “doenças mentais”, seu comportamento e pensamentos não são sintomas de um processo de doença permanente. A doença mental não existe nesse sentido. É apenas um rótulo descritivo de certos comportamentos. Terapeutas oposicionistas apenas o usam para fins de entender o pensamento e comportamento em um contexto de ação humana e escolha, não como uma doença física.

Dito isso, o rótulo de psicopatologia do estatismo tem mérito categórico. As pessoas são perturbadas por suas visões insanas. Elas ficam “loucas” em pensar que queimar um pedaço de tecido é algo maligno, que políticos têm autoridade e que regiões geográficas contém poderes mágicos. Por sorte, não está além de suas habilidades se livrar de sua confusão e comportamento.

Ao invés de escolher o estatismo, eles podem escolher o poder do indivíduo. Eles podem ter seus olhos voltados para noções de liberdade e paz. Eles podem esquecer seu desejo de causar danos a outros e perceber que têm sido enganados por um movimento religioso envolto pela cultura. Eles podem levantar seus olhos para os céus da verdade e se livrar de velhos dogmas. Eles podem contemplar as verdades da boa vontade, amor e anarquismo. Tudo o que isso requer que eles examinem todas as prévias suposições e visões do mundo. Tudo o que isso requer um momento Zen de claridade e discernimento. Isso pode ser sua graça salvadora.

 

Autor: Sterling Luxan
Tradução: 
Daniel Chaves Claudino
| Artigo original aqui  

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