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2 meses atrás
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Por que votar em políticos além de imoral é antiético

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Esse artigo foi formulado através da leitura de diversos autores libertários contrários ao voto e também através de diversos debates, comentários aleatórios e postagens de diversas pessoas em fóruns de discussão. Agradeço a todas essas pessoas por me ajudarem a formular esse artigo. A imagem escolhida para capa do artigo também foi uma sugestão de um amigo libertário anti-voto.

 

Estou determinado a provar nesse artigo que votar em políticos não é apenas imoral, mas também antiético, já que a ação de votar implica em legitimar um sistema que agride os direitos naturais do homem: a sua vida, liberdade e a propriedade.

Primeiro devemos entender que não há nada de errado com a democracia em si. Você pode muito bem propor a seus familiares que decidam por voto o que querem comer na hora da janta, se pizza ou lasanha, que daí você pagará. Você pode propor para os funcionários da sua empresa que votem para decidir se preferem trabalhar mais 1 hora por dia para terem um dia de folga a mais na semana à escolha deles. Você pode propor para seus amigos que curtem jogar futebol para que votem para escolher qual campo de futebol devem alugar para jogar e escolherem o dia e hora do jogo. Quando se trata da coisa privada, apesar de não ser uma obrigação, é totalmente legítimo fazer do uso da democracia, é uma vantagem concedida para as pessoas tentarem decidir uma escolha de sua preferência.

Mas o uso da democracia muda totalmente de figura quando se trata da gestão da coisa pública. Não é mais como o exemplo da pizza em sua casa onde você está pagando, agora seria como se você tivesse passeando com amigos e durante o passeio surgisse uma proposta de decidir por voto onde vocês devem jantar, e o seu voto perdeu. Agora você se vê impelido a ir a um lugar que não gosta e comer uma comida que não deseja. No entanto a democracia forçada causa uma situação pior do que esse exemplo, porque no passeio com seus amigos você pode recusar-se a segui-los e acabar por ir jantar aonde você escolher ou simplesmente não jantar, enquanto na democracia não tem outra opção, você vai “jantar” onde a maioria escolheu e pronto.

Quem dera se a democracia se resumisse somente no resultado de jantar vez por outra em um lugar onde não gostamos, mas é bem pior, a democracia é um sistema onde as pessoas votam para conceder aos políticos uma autoridade que elas mesmas não possuem, legitimam via voto direitos ilegítimos para que estes políticos legislem sobre a vida de todos e também possam nos expropriar-nos (roubar-nos) sem nosso consentimento voluntário. O voto é uma armadilha que a armam de 4 em 4 anos para que as vítimas ingênuas caiam. É literalmente uma emboscada.

As pessoas falam: “É, não vote, aí alguém vai escolher quem vai te governar.” Entendam… Se eu desejo que ninguém me governe, então eu não voto, já os que votam sim, desejam que alguém os governem. Simples assim. Quem está errado na teoria e na prática são os que votam, não eu que me abstenho de escolher alguém para governar. Ao votar você não apenas está desejando ser governado, mas também impõe que outros que desejam apenas serem  livres de toda coerção, também sejam governados contra a sua vontade.

Se as consequências do voto recaíssem exclusivamente sobre você, não haveria nada de antiético com o voto. Mas não recaem. O voto é um número de representatividade. Não importa se você vota no candidato A ou B, se você queria ou não votar. A única coisa que o voto representa é uma legitimação da entidade agressora – no caso o estado. E não importa se essa não era a sua intenção. É mais ou menos como matar alguém sem querer; é uma agressão ou não? A ética é binária; sua atitude é ética ou não. Não existe meio ético. Se para se livrar de uma situação de coerção, a sua atitude coloca outros sob coerção, então você também passa a ser um agressor.

Imagine que você foi ameaçado por um ladrão com uma arma em mãos. Ele te ordena a entregar a sua carteira. Você tem duas opções: 1) Enfrentá-lo; 2) Entregar a carteira. Ao enfrentá-lo, de alguma forma você estará legitimando uma ação agressora? Não. Ao entregar a carteira, de alguma forma você estará legitimando uma ação agressora? Obviamente, não.

Mas o voto não é um simples caso onde votar representa um roubo. A situação da ação antiética do voto seria melhor explicada pela analogia de quando o ladrão aponta uma arma para a sua cabeça e diz: “- Está vendo aquelas pessoas? Vá lá e roube-as para mim ou eu vou te matar”. Enfrentar o ladrão de alguma forma representa a legitimação de uma agressão? Não. Roubar as pessoas em nome do ladrão de alguma forma representa o seu endosso à ações agressivas onde você mesmo irá iniciar uma agressão contra inocentes? Obviamente que sim.

Você pode argumentar que se não roubá-las, então estará colocando a sua vida e a vida dos seus filhos em risco. OK. Mas o que pessoas inocentes tem a ver com isso? O fato de você estar sob coerção não torna a sua ação menos criminosa por causa disso. As suas únicas opções são enfrentar o ladrão ou fugir dele, qualquer ação além disso é antiética. Você é responsável pelas suas ações e ainda que sua ação não represente uma agressão direta como é o caso do voto, mas sim uma externalidade negativa proposital a um terceiro, continua sendo uma agressão e portanto antiética.

O sistema está aí, ele se mantém e se protege pelo uso da força, não só a força usada que legitima esse sistema, mas todas as pessoas que seguem essa cadeia da obediência que legitimam essa força e consequentemente o sistema, o votante está na extremidade da outra ponta dessa cadeia da obediência dizendo “Sim! Eu quero esse sistema funcionando!”, enquanto do outro lado da cadeia da obediência estão os agentes do governo que agem diretamente usando a força através de juízes, promotores, policiais, oficiais do exército, fiscais e outros agentes do estado. E nos observando de fora estão os políticos, onde programam a violência a ser praticada diretamente por agentes do estado, legislando sobre como irão nos retirar mais liberdades e nos expropriar.

Sim, o votante na democracia é a parte essencial da engrenagem do sistema como nenhum outro. Sem o apoio dos eleitores, políticos por mais perigosos, maléficos, embusteiros e nocivos que sejam, não teriam o poder de causar desgraças na vida de tanta gente. Já ouviu falar da cadeia da obediência? É ela que dá suporte para que maníacos que estão no poder exerçam autoridade!

Na batalha pela reconquista da nossa liberdade, VOTAR EM POLÍTICOS ALÉM DE SER UMA ESTRATÉGIA ERRADA, TAMBÉM É IMORAL E ANTIÉTICO. Poderíamos ficar horas argumentando todos os pontos utilitaristas que lembrarmos de porque é imoral e ineficiente votar:

Nesse vídeo ainda tem mais 8 argumentos utilitaristas para não votar:

A batalha pela liberdade está no campo das ideias, que enquanto você achar que é pelo meio legal do voto, então isso estará OK para os que pretendem alcançar o posto de parasita.

Ainda em tempo, os partidos progressistas vencem porque vendem ideias que a maioria compra, são idéias fáceis de serem aceitas, ideias que se fundamentam em que posso adquirir riqueza facilmente pelo meio político e não pelo meio econômico, o qual se necessita de planejamento e trabalho para se conquistar, enquanto que ideias liberais não são fáceis de serem vendidas num balcão de propostas eleitorais.

Apenas tente divulgar ideias liberais para os eleitores, diga que elas devem cuidar de si mesmas e que direitos não existem, que direitos não são presentes dados pelo estado, é capaz delas te jogarem pedras.

Seria como colocar o Usain Bolt pra disputar uma corrida contra você, você é toda a gana do movimento liberal, Usain Bolt representa o assistencialismo, o redistributivismo e as práticas socialistas. Seu organismo não está preparado para vencer Usain Bolt, a natureza da democracia não te favoreceria nessa disputa entre liberais e socialistas.

Sim, um político com propostas liberais aqui ou acolá podem vencer uma eleição, mas não tem poder e bem menos incentivos perante o restante do sistema para alterá-lo, um exemplo claro disso foi o político Ron Paul, que passou décadas como político defendendo ideias liberais e libertárias, mas nunca aprovou nada e nem desfez nenhuma lei, seu trabalho pela via política ficou restrita a divulgação de ideias. Apenas veja no que a democracia transformou hoje os EUA! Os EUA foi fundado para ser um estado mínimo, o liberalismo tornou-o muito rico rapidamente, o que aguçou os políticos a desejarem essa riqueza, em um processo gradativo o estado que era mínimo se tornou um estado gigantesco.

Mas não prefiro o argumento utilitarista, pois ele não é e nunca será superior ao argumento ético, que nesse caso mostra claramente que quem vota está autorizando que terceiros exerçam uma autoridade que ela não possui de nenhuma forma e nunca possuiu, para que eles (os políticos vencedores) mandem na vida de outras pessoas.

Ao legitimar o processo de escolha de parasitas por votação, qualquer que seja o candidato que ganhar, está implícito que quem votou aceita o resultado que seja e se esse candidato que vencer fizer algo  de errado contra outras pessoas e sempre farão, pois até seu cargo só se mantém com dinheiro de roubo, então quem votou deveria também ser responsabilizado de alguma forma por isso.

O estado se mantém com dinheiro alheio que foi obtido de forma coerciva. É totalmente antiético votar, porque você está apoiando um regime baseado em todo tipo de violência contra pessoas pacíficas, desde fraude, roubo, sequestro, até assassinato. Esse argumento é sólido e por si só basta para evocar o fim da escolha de políticos para governarem e se esse argumento não for o suficiente pra você em termos éticos e morais, então seu conceito ético está totalmente pervertido, degradado.

Devemos saber encontrar a posição ética sobre votar em políticos. Se o voto é uma ferramenta de e para um sistema antiético, logo ele não pode ser apenas imoral, pois se fosse somente imoral, o sistema criminoso também seria apenas imoral e não antiético. E é sabido que o estado é antiético desde sua formulação e também em sua forma de manter-se. Então sigo a regra ética, se o estado é errado por ser antiético, então não posso legitimá-lo, e se outras pessoas o fazem, elas que estão em erro, não eu.

Agora, já que a pessoa entendeu que a democracia é um arranjo político antiético porque uma maioria submete sua vontade a uma minoria que nem mesmo participou do processo da escolha desses políticos e que apenas deseja ser livre de agressão, e que agride os direitos naturais das pessoas causando milhões de mortes, porque cargas d’água a pessoa que compreendeu isso ainda insiste em rodar essa engrenagem do mal contra outras pessoas?

Cada pessoa, ao votar, aprova a violência usada pelos agentes do estado. O elo na cadeia de responsabilidade por essa violência está envolta em cada eleitor quando ele aperta o botão na urna eleitoral. Votar é um ato de violência presumível pois cada eleitor assume o direito de nomear um guardião político sobre outros seres humanos. Nenhum eleitor individual ou mesmo uma maioria de eleitores tem tal direito. Quem vota é cúmplice. Toda votação implica em escolher quem irá violar a propriedade de pessoas pacíficas!

Nada ameaça mais o establishment democrático e a classe política do que a descrença no esquema que permite que sigam parasitando. O estado é uma ideia e se você der suporte a essa ideia, então sim, ele continuará existindo. É deixando de votar que você tem a possibilidade de vir a minar a aura de autoridade que o governo possui justamente por conivência dessas pessoas que seguem a cadeia da obediência… votando!

Podem argumentar que se votar é antiético então é legítimo matar quem vota, digo que mesmo se matassem todos os que decidem votar, a ideia da necessidade de um estado com líderes para guiar o povo surgiria na primeira proposta de escolher quem seria o mais capacitado para liderar, esse é um comportamento social que nos persegue a muito tempo, da necessidade de prover justiça e proteção conduzidas e representadas por um líder específico.

O que devemos matar é a ideia da necessidade do estado, e só se mata essa ideia concorrendo com outras ideias, mostrando opções que funcionam sem necessidade do uso de agressão e que condizem perfeitamente com a natureza humana, e nada melhor que o mercado para provar isso, é empreendendo que se prova como o voluntarismo é mais útil e ético que o meio político.

Nunca será pouco lembrar que a batalha pela reconquista da liberdade está no campo das idéias. A maior força que existe são as ideias e é baseado nelas que as pessoas agem para um fim.

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Corretor de imóveis, investidor em criptomoedas, empresário no ramo de startups, desenvolvedor de websites, aplicativos móveis para smartphones e desktop. Anarcocapitalista agorista e absolutista ético.

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