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Por que Minarquistas são Inimigos

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Senador Rand Paul, auto-intitulado "libertário", com camiseta "Exército Forte", em apoio às forças armadas americanas.

Senador Rand Paul, auto-intitulado “libertário”, com camiseta “Exército Forte”, em apoio às forças armadas americanas.

Libertários querem diminuir o governo a um tamanho muito menos opressivo. Com esse objetivo, libertários minarquistas e anarquistas frequentemente se unem e visam os mesmos objetivos, pelo menos a curto prazo. Em certo sentido, essa pode não ser uma ideia estúpida. Afinal, recuar os poderes do governo é uma coisa boa, não?

Mas e aqueles libertários que rejeitam o anarquismo por que eles pensam que o governo, por qualquer razão, é inevitável? Mesmo com esses, nós podemos nos colocar lado a lado contra diversas políticas, poder político e opressão. Afinal, todos nós queremos ir na mesma direção: recuar e restringir os poderes do governo.

Além disso, temos pessoas como Robert Nozick, que notoriamente argumentou que poderia ser possível que um governo emergisse sem violar quaisquer direitos individuais. Mesmo que isso soe como pura ficção, se o argumento é sensato, nós estamos sujeitos a aceitá-lo. Mas se isso é verdade, não deveríamos nos unir a esses libertários minarquistas, sermos convencidos por seus argumentos conforme vemos a verdade se desdobrar diante dos nossos olhos e aderir àquele governo que é criado sem que os direitos de ninguém sejam violados ou restritos?

A resposta é não. Se direitos são violados ou não, não importa na nossa visão do que deve ser.

Existem muitas razões para rejeitar o governo em todas as suas formas, quase que independente da definição usada. Mas ainda que muitos anarquistas libertários concordem com isso, eles unem forças com libertários minarquistas no esforço de restringir e reduzir o constante avanço por mais poder. Parece haver muitas razões para fazer isso, se não apenas para aumentar os nossos números na luta pelo o que é certo e justo.

Mas há um problema com unir forças com minarquistas; há uma diferença fundamental que faz a união minarquista-anarquista totalmente impossível. Essa diferença é o princípio da força e poder – o princípio do governo. É a nossa crença central como anarquistas que a força e poder são errados; que qualquer sujeição involuntária é sempre comparável ao fim do mundo. Nós temos uma verdadeira paixão por justiça, enquanto os minarquistas não.

Permita-me reformular essa afirmação: o que separa os libertários anarquistas dos libertários minarquistas é também o que faz o primeiro diferente dos socialistas estatistas: eles têm uma crença fundamental no governo como meio e fim que nós não compartilhamos e não podemos compartilhar.  Libertários minarquistas podem não concordar com todas as políticas assumidas pelo governo e eles podem até mesmo rejeitar quase tudo sobre o governo. O problema é que eles apoiam o princípio fundamental do governo e nessa questão, nós não podemos encontrar um denominador comum.

Eu fui muitas vezes atacado (verbalmente, pelo menos) por libertários anarquistas e igualmente por minarquistas por minha rejeição baseada em princípios de minarquistas como aliados em nossa posição contra o governo. Entretanto, eu estou convencido de que eles estão ambos equivocados em seus pontos de vista, ainda que sua retórica seja atrativa de vez em quando. Sim, certamente soa maravilhoso se pudessemos unir forças com aqueles que compartilham a maioria das nossas crenças para revogar quase todo o governo e então voltar a nossa atenção e lutarmos uns contra os outros quando isso realmente importa – quando já tivermos estabelecido um governo minarquista muito limitado. Mas esse argumento ignora completamente o mais importante. O governo não é uma questão técnica de tamanho; é uma questão de princípio.

De um ponto de vista baseado em princípios, não importa se o governo controla uma fração ou quase toda a sociedade. Nesse sentido, os libertários minarquistas não são diferentes dos estatistas favoráveis ao grande governo (de qualquer variedade). Querer revogar políticas e diminuir o governo é uma questão de gosto, mas não uma questão de princípio. Alguns o querem menor, outros o querem maior – e alguns ainda o querem do mesmo tamanho. Nenhum deles está disposto a discutir se o governo deveria existir – apenas o tamanho importa. Pelo contrário, a existência do governo é tratada como um fato dado, talvez até mesmo uma necessidade.

Nesse sentido, libertários minarquistas não são nada além de chorões covardes; eles são socialistas estatistas com um fetiche por um governo menor. Enquanto estatistas a favor do grande governo ao menos tendem a ter a decência de argumentar a favor dos princípios de sua posição (que o governo é “bom”), minarquistas se escondem atrás do mito do governo funcional para protegê-los dos argumentos difíceis de lidar. A maioria de nós têm enfrentado oponentes exigindo respostas além de qualquer suspeita que não podemos fornecer; quem irá cuidar do indivíduo nascido sem pais ou parentes ou que é deficiente mental e não tem nenhum amigo, não pode se mover ou pensar ou comer ou respirar sem ajuda – e carece de todos os meios de se sustentar? Quem irá garantir o bem-estar dessa pessoa em uma sociedade “livre”?

A pergunta, quer seja colocada dessa forma extrema ou não, normalmente tem um único propósito: fazer o oponente parecer uma pessoa fria e desgraçada que não deve ser levada a sério. O anarquista, obviamente, não pode fornecer uma resposta curta e convincente, enquanto o minarquista estaria em melhor posição para sacar (e normalmente saca) a carta na sua manga: “o governo vai cuidar desse assunto”. Na hora da verdade, o governo é o árbitro final, o último recurso, e a garantia final de bondade, bem como um defensor da liberdade e da saúde e de tudo o que é bom, necessário e desejado.

A verdade, obviamente, é que o governo raramente é uma solução para o caso do pobre indivíduo descrito acima ou qualquer outro caso. Quem notificaria as “autoridades” se essa pobre pessoa não tem ninguém e nem a si mesmo? Na realidade, estaria ela numa melhor situação em uma sociedade administrada pelo governo, onde pessoas estão necessariamente sujeitas às suas redes de pessoas com influência política ou em uma sociedade descentralizada com uma forte sociedade civil onde qualquer ação individual faria diferença? A resposta é bem óbvia, mas para a maioria das pessoas isso requer o tipo de explicação que nunca poderia ser encaixada em notícias de uma linha que passam na TV.

A questão não é que a liberdade é difícil de defender – certamente não é. A questão é que minarquistas tendem a desviar de perguntas difíceis; eles sempre acabam confiando no governo como uma garantia quando eles são recuados por um retórico habilidoso. Eles não são em essência contrários ao governo e nesse sentido eles são estatistas tanto quanto qualquer outro. De um ponto de vista de princípios, estatistas são todos iguais. Como um anarquista de princípios, eu não posso me colocar lado a lado com um minarquista contra o governo. De fato, eu me recuso – pois eu sei que na hora da verdade o minarquista é como qualquer outro estatista. Ele não hesitará em puxar o gatilho contra qualquer um que tenha princípios opostos ao governo.

Autor: Per Bylund
Tradução: Daniel Chaves Claudino | Artigo original: aqui.

 

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