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set 3, 2018
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Podemos confiar no mercado?

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A mídia tradicional conseguiu ignorar os defensores da liberdade o máximo que ela pode. Mas, mesmo assim, a idéia de uma sociedade livre acabou se espalhando tanto, que agora ela precisa ficar recorrendo ao escárnio e à demonização. Para os jornalistas bem treinados, você pode ser de “direita” ou de “esquerda”, desde que você seja um coletivista autoritário. Mas se você for um daqueles que se opõe a qualquer tipo de tirania (se nem a direita nem a esquerda lhe agradam), então você é apenas um maluco com idéias utópicas e sem sentido. (Caso você ainda não tenha ouvido falar, nos dias atuais a idéia de deixar de tentar controlar todo mundo à força é considerada “utópica”). A maioria das tentativas da mídia tradicional de refutar o anarquismo e o libertarianismo se encaixam no mesmo formato básico, que geralmente é o seguinte:

“Bem, realmente seria bacana se todos nós pudéssemos ser livres e tal, mas será que nós podemos confiar nas pessoas? Nós realmente queremos deixar todos os problemas para que o mercado resolva? E se as pessoas forem gananciosas e mesquinhas? Todo mundo sabe que as pessoas só olham para o seu próprio nariz. Elas não iriam conseguir realizar nada sem que haja um governo centralizado fazendo a sociedade funcionar! Nós precisamos de um governo controlando as coisas e fazendo com que elas sejam mais justas!”

Os divulgadores dessas idéias tem como objetivo gerar preocupações e medo nas pessoas que se atrevem a imaginar um conceito não familiar – uma sociedade sem uma classe dominante -, fazendo com que elas corram de volta para o bom e velho “governo” ao qual elas já estão acostumadas. Mas estes estatistas – que querem deixar todo mundo com medo da liberdade – nunca são claros sobre aquilo que eles realmente estão defendendo. Então, como utilidade pública, permitam-me ajudá-los a elaborar melhor o que eles estão propondo.

Algumas pessoas falam sobre “o mercado” fazer isso ou aquilo, como se ele fosse uma força mágica, mística. Eles perguntam se nós deveríamos confiar no “mercado” para resolver nossos problemas. Mas tudo o que o termo “mercado” significa é o conjunto de todas as pessoas realizando trocas voluntárias, ou seja, todas as pessoas que interagem livremente sem a interferência do estado. Então o que os estatistas realmente estão perguntando é: “Nós deveríamos deixar as pessoas fazerem trocas voluntárias?” Se não deveríamos, qual seria a alternativa? Como seria uma alternativa que não envolvesse o mercado? Se você está acompanhando o raciocínio, então você já deve ter adivinhado a resposta: DEVERÍAMOS CONTROLAR AS PESSOAS DE MANEIRA AUTORITÁRIA E ATRAVÉS DA FORÇA. Então quando os estatistas ficam reclamando sobre “o mercado”, o que eles realmente estão dizendo é que é horrível deixar as pessoas livres para gastarem o seu próprio dinheiro, no que bem entenderem… mas que dominá-las à força, com violência, não é.

Sim, em uma socidade livre ainda existiriam algumas pessoas que tomariam decisões ruins e resolveriam ser más, bandidas, desonestas e até mesmo violentas. Sempre haverá um certo grau de incerteza e desconhecimento sobre o futuro, ninguém estará 100% seguro. E os estatistas querem assustar todo mundo com essas incertezas, de maneira que eles venham correndo abraçar a única alternativa que lhes resta: a subserviência e a escravidão ao estado. Pois se as pessoas forem livres para tomar decisões ruins, então é óbvio que deixá-las em liberdade é uma má idéia! É claro que os estatistas nunca irão falar dessa maneira; eles nunca são honestos sobre o que eles realmente estão propondo nas entrelinhas quando perguntam se nós deveríamos confiar “no mercado”.  Mas a lógica é simples: se a pessoa não defende as trocas voluntárias, então ela necessariamente defende as trocas involuntárias (através da força).

E isso me faz pensar quão idiota é alguém se queixar sobre o voluntarismo. Não importa quais sejam as suas preocupações ou medos, se uma pessoa se opõe a uma sociedade que tenha apenas trocas voluntárias (com consentimento), necessariamente ela precisa defender que algumas trocas sejam involuntárias (sem consentimento). E existe outra palavra para se descrever as trocas involuntárias: “violência”. Portanto, defender a existência do governo nada mais é do que defender a existência da violência. De maneira semelhante, sempre que alguém, por qualquer motivo, se opuser ao “princípio da não-agressão” (PNA), então, pelo menos em alguns casos, essa pessoa necessariamente está defendendo o “princípio da agressão” e, consequentemente, está defendendo a violência.

Então sempre que alguém estiver expressando suas preocupações, questionando se deveríamos deixar “o mercado” resolver algum problema, ou dizendo que o libertarianismo é muito simplista e utópico para ser aplicado à vida real, ou dizendo que uma sociedade voluntária e sem estado jamais iria funcionar, tenha em mente que essa pessoa está defendendo a iniciação de violência contra milhões de outras pessoas que ela sequer conhece. Incluindo você.

Ao debater com estatistas, às vezes pode ser interessante você revelar para eles o que eles estão tentando esconder em seus argumentos (conscientemente ou inconscientemente), expondo a verdadeira natureza das idéias que eles estão defendendo. Uma estratégia que eu acho útil e divertida é você tornar a conversa o mais direta ao ponto possível e levá-la para o lado pessoal:

“Como estou vendo que você está com medo de deixar tudo nas mãos do ‘mercado’, pois você não sabe como ‘o mercado’ iria fazer para cuidar de alguns problemas, e como estou vendo que você não simpatiza com a idéia de uma sociedade sendo baseada no princípio da não-agressão, com interações puramente voluntárias, então eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas:

  1. Quais coisas involuntárias VOCÊ gostaria que fossem impostas à força para MIM?
  2. Em quais situações VOCÊ acha que EU não deveria ter a permissão de usar o MEU próprio dinheiro?
  3. Quais serviços ou produtos VOCÊ iria ME forçar a contratar/comprar?
  4. Quais decisões VOCÊ iria ME forçar a tomar, ao invés de deixar que EU decida por conta própria?
  5. Em quais situações VOCÊ gostaria que EU fosse controlado violentamente, à força e contra a minha vontade, mesmo que EU não tenha ameaçado ou lesado alguém?”

Mas não fique aguardando uma resposta honesta. Você não irá receber uma. Os estatistas nunca serão diretos, abertos e honestos sobre o que eles acreditam e apóiam; apenas ~1 em cada 100 são honestos consigo próprios.

Traduzido e adaptado do original escrito em 27 de agosto de 2016.

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Blog · Economia

É um ativista libertário que ficou preso por questionar a receita federal americana.