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Os dois tipos de “libertários” anti-libertarianismo

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Olhemos em fóruns virtuais e vejamos o que vamos encontrar nas discussões em páginas e grupos de libertários. O movimento libertário brasileiro por si só é uma piada. Uma piada por quê? Basta ver os que se dizem libertários nas discussões “facebookianas”. No geral, a grande maioria não passa de um bando de hippies metidos a ser pró-mercado. Ayn Rand antes chamava os libertários nos EUA de “hippies” de direita, mas o que vemos no Brasil não chegam nem perto disso.

Os libertários brasileiros basicamente se dividem em dois grupos: os degenerados e os pró-establishment.

Os degenerados são aqueles que querem ser mais libertários que os outros defendendo os comportamentos mais insanos. “Você não acha bom as pessoas cheirarem cocaína, seu estatista? Desde que não viole a propriedade alheia qual é o problema?” é basicamente isso. Eles querem acabar com o estado para poder usar drogas, transar em público, etc. Eles não focam na ética e na meta final. Preferem discutir sobre as drogas e sexo e esquecem da meta final.

Os pró-establishment, porém, conseguem ser piores. Sim, são os piores. Os “libertários” pró-establishment geralmente reconhecem o estado como autoridade. Acreditam que a liberdade é concedida pelo estado. Defendem a legalização da maconha, casamento gay, livre imigração, exaltam a Revolução Francesa, costumam ser politicamente corretos, apoiam “regulamentações”, são contra a pena de morte, acham o estado laico melhor que o confessional, preferem uma república democrática a uma monarquia aristocrática, etc. Mas nada disso é pior que defender o “voto defensivo”.

Por que defender o voto defensivo é errado? Diversos fatores. Diversos fatores mesmo. O tal voto defensivo é uma ideia completamente incompatível com o libertarianismo. E não me venham me perguntar babaquices do tipo “Ah, Takaki! Mas não votaria se o Ron Paul e Robert Mugabe estivessem empatados e o seu voto decidisse?”. Convenhamos, caro indagador, que essa pergunta é absurda. Primeiramente, qual é a possibilidade de dois candidatos empatarem num país com mais de cem milhões de eleitores? Como disse Lew Rockwell em um texto curto: é mais fácil eu morrer andando a caminho da urna do que isso acontecer. Segundamente, como diabos dois candidatos tão extremos estariam se enfrentando? Olhe o cenário brasileiro: eu vejo muitos candidatos como Robert Mugabe e nenhum Ron Paul. Ora, num país que tem o PSL e o NOVO como os partidos que supostamente mais defendem a liberdade – um que defende pautas pós-modernas e outro que é liderado por banqueiros – é melhor não votar mesmo.

Votar decerto não é a solução. Muito pelo contrário, é a extensão do problema. Você não vai resolver o problema dos estupros votando em estupradores menos bem dotados ou obrigando-os a usar camisinha. Basicamente é isso o que os defensores do voto defensivo deixam a entender, se bem que é o que eles defendem mesmo. Da mesma forma que é um absurdo defender “direitos” aos escravos ao invés de defender a abolição da escravidão, deve ser considerado um absurdo usar o voto defensivo como meio de aumentar a nossa liberdade e defender aquilo que o Rothbard chamou de a bandeira da meta final. Hoppe já cantou a bola em sua obra “O que deve ser feito“, livro que não deve ser usado também para defender o gradualismo, muito pelo contrário. No próprio livro percebemos que ele declara impossível uma mudança de cima pra baixo.

Votar basicamente é dar um poder que você não tem para bandidos de sua preferência. Não tem nada de ético nisso por mais que tal candidato prometa menos agressão que os outros. Fora que ainda teríamos que acreditar nas palavras deles.

É impossível encontrar um único motivo para defender o voto. Eu mesmo conheço libertários que votam, mas não vejo eles fazendo campanhas ou elaborando teses para defender o ato justificando por que devemos votar no bandido menos pior. Por fim, já li todas as justificativas possíveis. Quanto mais as leio, mais fico convicto disso.

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Foto de perfil de Luciano Takaki
https://miscelanearadical.wordpress.com

Austrolibertário, praxeologista, antipolítico, cristão e também contribui para os sites Foda-se o Estado e Instituto Rothbard.

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