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O viés da OMS contra o livre mercado de saúde

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Uma das estatísticas atuais mais comumente referenciadas contra um sistema de saúde de livre mercado é o “ranking dos sistemas de saúde ao redor do mundo” [1] da Organização Mundial de Saúde. Ele coloca países com medicina socializada como a França (classificado como o 1º lugar) na parte superior, e classifica os Estados Unidos lá embaixo em 37º [2]. Devido em grande parte a este veredicto da OMS, muitos americanos que pedem uma reforma na saúde, a querem na direção da medicina socializada. Isso é equivocado e a opinião da OMS é supervalorizada pela população de forma geral. A estatística – onde os EUA se classificam em 37º na área da saúde quando comparado ao resto do mundo – é geralmente bem conhecida, mas, apesar disso, há um pouco de mistério a respeito: embora muitas pessoas conheçam bem a estatística, poucas pessoas realmente sabem como ela é determinada.

Vários critérios fazem parte do cálculo que a OMS usa ao classificar os sistemas de saúde ao redor do mundo. Reconhecidamente, alguns destes critérios são essenciais para determinar a eficácia direta de qualquer sistema de saúde dos países. No entanto, também é verdade que muitos dos critérios da OMS não são apenas irrelevantes para a qualidade real ou eficácia do sistema de saúde de um país como também contribuem com preconceitos e, particularmente, do preconceito contra sistemas de saúde de livre mercado. Especificamente, há critérios como o quanto os pacientes pagam do próprio bolso, e até mesmo um critério tão subjetivo como “equidade” (em que os Estados Unidos ocupam a 54ª posição quando comparado ao resto do mundo, segundo a OMS) [1].

Quando a OMS reduz a posição dos Estados Unidos devido a um desempenho ruim em critérios como os mencionados acima, ela assume efetivamente para seu público que eles concordam com a redução da real qualidade dos cuidados médicos desde que este serviço tenha sido menos oneroso. Embora esse possa ser o caso de certas pessoas, não é verdade que todos ou mesmo uma maioria estaria disposta a fazer essa troca. Na verdade, algo que é muito pouco citado na informação da OMS é que a própria classifica os Estados Unidos como o 1º do mundo nas áreas de capacidade de prover escolhas às necessidades dos doentes, dignidade, autonomia, confidencialidade, e uma área específica que é bastante importante: a de cuidados em tempo útil [2].

Os Estados Unidos também são líderes em tecnologia médica. Por exemplo, os EUA têm o dobro da quantidade de aparelhos de ressonância magnética e 25% mais tomógrafos por milhão de pessoas do que a Itália, mas a Itália ainda ocupa uma posição muito mais elevada na lista da OMS que os EUA. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), os EUA tem mais tomógrafos por milhão de pessoas do que qualquer outro país do mundo, e mais aparelhos de ressonância magnética do que qualquer outro país, exceto o Japão.

Certamente o sistema de saúde americano é cheio de problemas e não chega nem perto de ser perfeito, embora tenha também inúmeros aspectos virtuosos, por exemplo, o fato de que o tempo de espera para atendimento nos Estados Unidos ser muito menor do que em países com medicina socializada. Demonstrando isso em números: nos Estados Unidos, o tempo médio de espera para ver um especialista é 19 dias, muito menor do que a demorada Espanha, que é de 65 dias. Na Grã-Bretanha, mais da metade dos pacientes esperam mais de 18 semanas (quatro meses e meio) para a consulta. Nos Estados Unidos, um paciente vai esperar cerca de três semanas – ou menos – para uma cirurgia de substituição da articulação do quadril, já no Canadá, pouco mais de quatro semanas³. Na Itália, um paciente vai esperar 70 dias para uma endoscopia e as mulheres norueguesas vão esperar mais de dois meses para uma histerectomia (cirurgia de retirada do útero). Além disso, o sistema de saúde dos EUA faz um ótimo trabalho nos quesitos de assegurar a privacidade do paciente e a liberdade de escolha [3].

Há também o fato de que parte do que ainda permite dizer que a maioria dos sistemas europeus e asiáticos de saúde nacional é tão eficaz como pregam se deve à assistência que estes recebem de seus setores de saúde privados, que em vários destes países são muito menos regulamentados (de várias maneiras) pelo governo do que é o mercado de saúde privada dos EUA. Para ver isso mais claramente, pode-se notar que o Canadá – que tem um sistema de saúde estatal semelhante em muitos aspectos aos modelos europeus e asiáticos – se posiciona muito abaixo destes modelos. Isto é provavelmente devido ao fato de que, diferentemente dos outros países, o Canadá tem ido muito longe ao realmente proibir serviços de saúde privados, e portanto, é deixado a seu governo a provisão de serviços médicos.

Quando a OMS calcula suas estatísticas, ela conta uma série de fatores que dizem nada ou bem pouco sobre a qualidade real do sistema de saúde de um país e, em muitos casos, são claramente tendenciosos a ser contra o livre mercado de saúde. Remova alguns destes critérios e o sistema de saúde dos EUA parece muito melhor do que aparenta ao se considerar tudo o que a OMS utiliza em seus rankings. A OMS é uma burocracia, e não deveria ser nenhuma surpresa que, sendo assim, ela favoreça outras burocracias tais como os sistemas estatais de saúde. Embora o sistema de saúde dos EUA no papel pareça pobre em relação a outros países de acordo com a OMS, o que os Estados Unidos estariam desistindo a fim de conseguir uma maior posição no ranking – somente pra ficar mais bonito aos olhos da OMS – possui maior valor para muitos do que aquilo que seria adquirido: qualidade em troca de igualdade. Enquanto ninguém quer colocar um preço sobre a vida e sobre viver de forma saudável, até mesmo os dados apresentados pela OMS sugerem que as pessoas de países que o fazem são mais susceptíveis a viverem melhor do que as que vivem nos países que não o fazem.


Notas:

[1] Ranking da OMS ( http://thepatientfactor.com/canadian-health-care-information/world-health-organizations-ranking-of-the-worlds-health-systems/ )
[2] A grama nem sempre é mais verde – análise sobre sistemas de saúde nacionais ao redor do mundo:
http://object.cato.org/sites/cato.org/files/pubs/pdf/pa-613.pdf
[3] Fox News – O que o mundo não sabe sobre o sistema de saúde americano (http://www.foxnews.com/opinion/2012/11/16/what-world-doesnt-know-about-health-care-in-america.html)


Autor: Matt Battaglioli
Artigo original: aqui
Tradução: Larissa Guimarães

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