banner
1 mês atrás
3466 Visualizações
5 0

Como o mercado negro está salvando os habitantes de dois países de seus respectivos governos

Escrito por
Compartilhe:

Desde quando governos começaram a banir e regulamentar diferentes áreas da economia, o mercado negro permite que as pessoas ainda tenham acesso aos produtos que elas precisam. Governos desestabilizados sempre viram-se contra seus próprios cidadãos usando controle de preços, impostos altos e até mesmo a ameaça de prisão para sustentar seus sistemas falidos. Quando as condições inevitavelmente se deterioram, como foram na Venezuela e Grécia, a economia underground torna-se indispensável para aqueles que vivem a crise.

O mercado negro refere-se a mais do que apenas uma troca de produtos ilegais. Um mercado cinza, por exemplo, fornece produtos legais que acabaram ficando difíceis de achar. Desde coisas básicas, como papel higiênico, medicamentos, e até comida desapareceram das prateleiras das lojas na Venezuela, a rede peer-to-peer (P2P, de ponto a ponto ou de pessoa para pessoa) tem se tornado o único meio confiável para suprir as necessidades básicas da vida. Em situações desesperadas como esta, a existência de comerciantes independentes podem significar uma boa diferença entre a vida e a morte.

Até mesmo o valor da moeda venezuelana começou a sair do controle do governo. Em um ponto, a cotação oficial foi fraudulentamente estabelecida em 10 bolívares por dólar, enquanto no mercado negro estava sendo comercializado a 1000 bolívares por dólar. Esta ação atingiu milhões suprimindo salários sobre o país e acabando com qualquer confiança que restava. A inflação se tornou rapidamente a maior ameaça iminente para o povo venezuelano, roubando o valor de seus trabalhos e poupanças. Por anos, o Bolívar esteve em hiperinflação, aumentando o custo de vida quase exponencialmente.

A resposta desesperada do estado foi instituir um controle de preços, o que só levou a uma escassez completa. Com sorte, os mercados informais não regulados foram capazes de determinar o verdadeiro valor dos produtos e fornecer o apoio vital para as comunidades em dificuldade. Muitas pessoas acham que um aumento de preços espontâneo é antiético, mas não é melhor comprar algo que você precisa pelo dobro do preço do que não ser possível comprá-lo de forma alguma?

A Grécia está passando por uma transformação dela mesma — mas em resposta a um conjunto muito diferente de circunstâncias. O povo grego tem tolerado uma série de aumento de impostos e cortes de pensões trabalhistas ao longo dos últimos anos para financiar as dívidas à União Européia. Estas medidas severas criaram uma situação drástica para aqueles que tentam garantir sua independência financeira. O resultado foi uma evasão fiscal, o qual ajudou a crescer a economia informal grega para cerca de 25% do PIB do país.

Surpreendentemente, não é só o pobre que utiliza o “mercado negro” na Grécia, mas também a classe profissional. Os que ganham grandes quantidades de dinheiro estão sujeito a impostos extremamente altos, assim, levando muitos donos de negócios e empresários a procurar melhores oportunidades no exterior ou tomar medidas para ocultar suas rendas.

Perseguindo os membros mais bem sucedidos da sociedade e não permitindo que ele fiquem com o que eles ganham, autoridades estão apenas encorajando o desrespeito da lei. Sem o mercado cinza na Grécia, muito mais trabalhadores profissionais já teriam deixado o país.

A escassez é mais do que apenas uma suposição; é uma dura realidade em que pessoas nascem nas nações em desenvolvimento raramente vêem em primeira mão. Mas sempre que um governo falido toma o controle de seus cidadãos e da economia, o fim sempre resulta em despotismo. A consolidação do poder na mãos de poucos é racionalizada durante tempos caóticos mas, no fim das contas, colocam os direitos de todos os cidadãos em risco.

Só ano passado, a polícia venezuelana realizou ataques que mataram 245 pessoas. Não houveram prestação de contas se os tiros foram justificados, mas relatórios afirmam que muitas das vítimas não representavam nenhum tipo de ameaça e algumas até foram mortas mesmo depois de terem sido detidas. Tais repressões violentas são o resultado inevitável de governos tentando manter o controle em meio ao caos de sistemas econômicos quebrados.

Em 2011, Robert Neuwirth escreveu um relatório para a Foreign Policy que destacava a importância desse mercado global sem impostos, sem licença e sem regulação. Ele o chamou de “Sistema D”.

“Eles falam que os comerciantes criadores, empreendedores e de iniciativa própria que estão fazendo negócios por conta própria, sem registrar ou serem regulados pela burocracia e sem pagar impostos, fazem parte da ‘l’economie de la débrouillardise’ ou, para o uso informal, ‘sistema D’. Isto se traduz essencialmente como a economia da engenhosidade, a economia da improvisação e da auto-suficiência, a economia do ‘faça-você-mesmo’.”

O estado-babá tem feito um excelente trabalho atacando qualquer coisa fora da jurisdição do governo, mas a falta de regulação é o que permite maiores crescimentos e produtividades mais rápidas. Legisladores superestimam notoriamente suas influências em milhões de pessoas que eles tentam governar, porém, ultimamente, decisões feitas por indivíduos possuem o maior impacto. Pessoas que dependem de suas próprias habilidades e reputação, em vez de um selo burocrático de aprovação, são rotulados de criminosos, mas eles são os que fornecem o valor real para a sociedade em muitos casos.

Os comerciantes destes mercados alternativos são frequentemente associados com perigo e violência, mas na realidade, eles fornecem a mais pura forma de troca voluntária. Aspectos negativos, como crime organizado, são apenas possíveis por causa dos lucros criados devido à proibição. Sem o estado coagir o povo a mãos armadas, não existiriam incentivos para pessoas procurarem serviços dessas organizações criminosas.

Esses mercados livres são, todavia, fortalecidos com a circulação de ativos, como dinheiro, Bitcoin, e metais preciosos. O anonimato combinado com a tecnologia está empoderando as pessoas de um jeito nunca imaginável. A adoção de criptomoedas está trazendo o “mercado negro” para a era digital e expandindo seu alcance no mundo todo. Esse novo sistema econômico representa uma ameaça muito real às atuais estruturas políticas e financeiras.

Contudo, inovadores neste ambiente precisam tomar cuidado. Depois da Silk Road ter sido derrubada, implicações legais tornaram-se mais visíveis. O mais famoso, co-fundador da Silk Road, Ross Ulbritch, foi sentenciado à prisão perpétua e condenado especificamente por desafiar o sistema existente.

O crescente progresso em direção à descentralização que ele tentou incentivar está em um curso de colisão direta com os bancos centrais e suas guerras pelo controle do dinheiro. Como a fé do povo no dinheiro estatal continua a diminuir, existirão muitas outras oportunidades para mostrar os benefícios que surgem das redes P2P sobre o planejamento central. Aqueles que reconhecem a extorsão inerente do sistema estatal tem de liderar pelo exemplo e educar os outros, independentemente de quais táticas de intimidação são implantadas contra eles.

 

Autor: Shaun Bradley.
Tradução: Guilherme Paixão da equipe Agorismo.org
Artigo original aqui.

Compartilhe:
Tags dos artigos:
· ·
Categorias dos artigos:
Agorismo
banner
Foto de perfil de Diversos Autores

Espaço reservado para autores diversos.

Comentários para Como o mercado negro está salvando os habitantes de dois países de seus respectivos governos