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set 29, 2018
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O marxismo e o erro de suas análises sociológicas

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Uma grande quantidade de pessoas leigas ao nosso redor nos questionam a respeito de quais deveriam ser os termos de um contrato de trabalho, os direitos e obrigações expressos nele. Alguns argumentam que as relações de trabalho no contexto atual são resultado de um embate de forças antagônicas, a saber, trabalhadores e empregadores. Segundo eles, a busca incessante por mais direitos trabalhistas por parte dos empregados ou mais poderes de direção por parte dos empregadores revela uma franca e ardilosa luta de classes. Os adeptos dessa teoria generalizante se apoiam em Karl Marx e fazem a defesa dessa linha de raciocínio tendo como base aquilo que está contido numa das obras mais influentes dele, a saber, O Manifesto do Partido Comunista,

A sociedade burguesa moderna, que brotou das raízes da sociedade feudal, não suplantou os velhos antagonismos de classe. Ela colocou no lugar novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta. Entretanto, a nossa época – a época da burguesia – caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado.”[1]

Interpretando de forma literal o que Marx deixou escrito nas linhas acima, não restaria aos indivíduos senão uma alternativa entre os dois polos que se enfrentam numa luta tão antiga quanto a raça humana. Poderíamos até cogitar que isso possa ser verdade, mas afirmá-lo nos levaria a mentir sobre os fatos ou, na melhor das hipóteses, ignorá-los. Tecer afirmações generalizantes e terminativas sempre foi um grande problema para qualquer teórico ou estudioso que se dedica às ciências sociais. Diante da multiplicidade dos fenômenos e fatos sociais, bem como das situações específicas que se nos apresentam como exceções a um comportamento recorrente, não há como tratar essas situações divergentes sem fazer as devidas considerações e análises em separado.

Podemos afirmar que se trata de um erro metodológico definir essa questão e tantas outras de forma universalizante. Nem as ciências exatas, em determinados casos, podem arrogar para si tanta certeza, como poderíamos conceber que um campo tão volúvel e suscetível de variações factuais como o das ciências sociais se encerraria em juízos terminativos? Nesse sentido, entendemos que Marx ignorou sistematicamente todas as regras gerais da análise sociológica. Émile Durkheim, sociólogo francês, nos mostra as peculiaridades do método sociológico,

Não provamos nada quando, como muitas vezes acontece, nos contentamos em mostrar com exemplos mais ou menos numerosos que, em alguns casos dispersos, os fatos variam de acordo com a hipótese. Não se pode tirar nenhuma conclusão geral destas concordâncias esporádicas e fragmentárias. Ilustrar uma ideia não é demonstrá-la. O que é preciso comparar, não são variações isoladas, mas séries de variações, constituídas regularmente, cujos termos se liguem entre si através de uma gradação tão contínua quanto possível e que, além disso, tenham uma amplitude suficiente; porque as variações de um fenômeno só permitem induzir a lei se exprimirem claramente a maneira como ele se desenvolve em determinada circunstância. Ora, para tal é necessário que exista entre elas a mesma sequência que existe entre os diferentes momentos de uma mesma evolução natural, além disso, que esta evolução que eles representam seja suficientemente prolongada para que o seu sentido não seja duvidoso.”[2]

É clara a inadequação de Marx às normas fundamentais da análise social quando ele deixa a entender que todos os patrões exploram seus empregados, quando afirma que há uma luta de classes em curso. Nenhuma dessas proposições pode ser levada a sério se nos colocarmos em condição de observadores atentos à realidade das relações trabalhistas. Isso não significa que não há patrões mesquinhos ou irregularidades nas relações trabalhistas, mas mesmo na época de Marx, quando as condições de trabalho eram mais precárias do que as de hoje, essa generalização não poderia ser feita.

Falando sobre a atualidade, avanços na melhoria da qualidade de vida dos empregados têm sido uma pauta perseguida voluntariamente pelos grandes empregadores. Ganhos de produtividade e lucratividade proporcionaram a adoção cada vez mais frequente de medidas de prevenção de acidentes, redução de riscos ergonômicos e psicologia organizacional.

As relações trabalhistas evoluíram não só pelo aspecto de respeito à ética e à integridade das pessoas, mas, também, pelo fato de proporcionarem inevitavelmente um ambiente de trabalho mais sadio e produtivo. Dizer que todos os patrões são exploradores perversos é o mesmo que deduzir levianamente que todos os homens são racistas, homofóbicos ou preconceituosos sabendo que os indivíduos com essa índole são a minoria.

Conflitos de interesses são inevitáveis, inclusive quando se relacionarem às relações laborais. Cada parte dessa relação tem seus direitos e deveres estabelecidos num termo inicial que deve ser respeitado por ambos, cada um tem o direito de procurar a tutela de seus direitos quando o pacto for quebrado. Pelo princípio da liberdade de ação, todos os indivíduos têm o direito de se associarem para buscar uma forma de proteção à sua propriedade. Num contrato de trabalho, os direitos pactuados se tornam propriedade daquele para o qual foram estabelecidos. Nesse contexto, qualquer forma de coação física no sentido de forçar essa relação deve ser rechaçada configurando escravidão não só por um lado, mas por qualquer das partes que se utilize dessas formas. Sobre a atuação sindical, Rothbard, brilhantemente, nos diz quais devem ser seus limites,

Não há desculpa moral, numa sociedade que alega se opor à escravidão e num país que declarou ilegal a servidão involuntária, para qual ação legal ou judicial que proíba as greves — ou prenda líderes sindicais que a desobedeça. A escravidão é bem mais conveniente para os senhores de escravos.”[3]

Rothbard fez algumas críticas, mas não pregou a proibição dos sindicatos,

as leis locais e estaduais muitas vezes protegem os sindicatos contra processos, e impõem restrições à contratação, por parte dos empregadores, de trabalhadores que não adiram à greve; e a polícia frequentemente recebe instruções para não interferir no uso de violência contra os fura-greves por parte dos piquetes sindicais. Se estes privilégios e imunidades especiais forem removidos, os sindicatos laborais voltariam a assumir o papel insignificante que tinham antes na economia americana.” [3]

Fica evidente que essa generalização marxista não faz sentido, não tem qualquer consistência lógica ou empírica e deve ser rechaçada veementemente. Cumpre à ciência sociológica levantar a bandeira da racionalidade e da verdade, sem sentimentalismo ou qualquer elemento que imponha uma generalização carente de comprovações materiais.

Referências:

[1]. O Manifesto do Partido Comunista – Karl Marx

[2]. As Regras do Método Sociológico – Émile Durkheim

[3]. O Manifesto Libertário – Murray N. Rothbard

Para dados sobre qualidade de vida no trabalho veja os links:

https://exame.abril.com.br/carreira/qualidade-de-vida-no-trabalho-no-brasil-e-a-que-mais-cresceu-em-2-anos/

http://www.protecao.com.br/noticias/estatisticas/qualidade_de_vida_no_trabalho_diminui_absenteismo/JayAJ9yJ/2031

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Gestor de Processos Gerenciais com especialização em Business Intelligence e Gestão Competitiva. Trader de criptomoedas e libertário purista. Contribui para os sites Foda-se o estado e Cidades Empresariais. Fundador da página Tenda Libertária e do site Libertarian Studies.

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