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5 meses atrás
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O governo não existe

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[Esse texto foi retirado do livro The most dangerous superstition de Larken Rose, ainda sem tradução para o português.]

A maioria das pessoas acredita que precisemos do “governo”, apesar de reconhecerem também que a “autoridade”, muitas vezes leva à corrupção e ao abuso. Eles sabem que o “governo” pode ser ineficiente, insensível, injusto, irracional e opressivo, porém continuam a acreditar que a “autoridade” possa ser uma força para o bem. O que eles não percebem é que o problema não consiste apenas no fato de que o “governo” produz resultados inferiores na prática, ou que muitas vezes abusa da “autoridade”. O problema é que o conceito em si é totalmente irracional e auto-contraditório. Não passa de uma superstição, desprovida de qualquer suporte lógico ou probatório, que as pessoas acreditam apenas como um constante culto de doutrinação criado para esconder o absurdo lógico do conceito, não é uma questão de grau, ou de como é usado, a verdade é que a “autoridade” não existe e não pode existir de modo algum e a incapacidade de reconhecer este fato tem levado bilhões de pessoas a acreditar e a fazer coisas que são terrivelmente destrutivas. Não pode existir tal coisa como boa “autoridade”, na verdade, não existe tal coisa, como “autoridade” de modo algum. Por mais estranho que isso parecer é muito fácil de provar.

Resumindo, o governo não existe, nunca existiu e nunca existirá. Os políticos são reais, os soldados e os policiais que impõem a vontade dos políticos são reais, os edifícios que ocupam são reais, as armas que usam são bem reais, mas a sua suposta “autoridade” não é. E sem essa “autoridade”, sem o direito de fazer o que eles fazem, eles não passam de um gangue de bandidos. O termo “governo” implica legitimidade, isto significa o exercício da “autoridade” sobre um determinado povo ou lugar. A forma como as pessoas falam dos que estão no poder, chamando as suas ordens de “leis”, referindo-se à desobediência como um “crime” e assim por diante, implica o direito do “governo” de governar e uma respectiva obrigação da parte dos seus súditos de obedecer. Sem o direito de governar (“autoridade”), não há motivo para chamar “governo” a tal entidade e torna-se muito difícil distinguir entre os seus políticos e os mercenários de um enorme sindicato de crime organizado, onde as suas “leis” não são mais válidas do que as ameaças de assaltantes e ladrões de carros. E, de fato, é isto que todo “governo” é: uma gangue ilegítima de vândalos, ladrões e assassinos disfarçados de uma instituição com direito de governar.

(A razão pela qual os termos “governo” e “autoridade” aparecem entre aspas ao longo deste texto é porque não existe um direito legítimo de governar, por isso governo e autoridade na realidade não existem. Aqui esses termos referem-se apenas às pessoas e gangues que erroneamente acreditam ter o direito de governar).

Todos os debates políticos convencionais, toda a discussão sobre o que deve ser “legal” e “ilegal”, quem deve ser posto no poder, qual deveria ser a “política nacional”, como o “governo “deveria lidar com diversas situações, tudo isso é absolutamente irracional e uma completa perda de tempo, visto que é tudo baseado numa falsa premissa que uma pessoa pode ter o direito de governar o outra e que a “autoridade” possa mesmo existir. Todo o debate sobre como a “autoridade” deveria ser usada e, o que o “governo” deveria fazer, é exatamente tão útil quanto discutir como o Papai Noel deveria lidar com o Natal. No entanto, é infinitamente mais perigoso. O lado bom é que para eliminar o perigo, ou seja, a maior ameaça que a humanidade jamais enfrentou, de fato não é necessária uma mudança fundamental da natureza do homem, ou transformar o ódio em amor, ou realizar qualquer outra alteração drástica para o estado do universo. Em vez disso, é preciso apenas que as pessoas reconheçam e depois abandonem uma particular superstição, uma mentira irracional que quase todos foram ensinados a acreditar. De certa forma, a maioria dos problemas do mundo poderiam ser resolvidos da noite para o dia se todos fizessem algo semelhante como deixar de acreditar no Papai Noel.

Qualquer ideia ou proposta de solução para um problema que dependa da existência do “governo” – e isso inclui absolutamente tudo dentro da esfera política – é inválido por natureza. Usando uma analogia, duas pessoas poderiam debater de forma útil e racional, se a melhor maneira de produzir eletricidade para sua cidade seria através do uso de energia nuclear ou central hidroelétricas. Mas se alguém sugerisse que a melhor opção seria gerar eletricidade usando pó magico de pirlimpimpim, os seus comentários seriam (e devem ser) ridicularizados, porque os problemas reais não podem ser resolvidos por entidades míticas. No entanto, quase toda discussão sobre os problemas da sociedade moderna, não passa de uma discussão sobre o tipo de pó magico de pirlimpimpim que deve ser usado para salvar a humanidade. Todo debate político baseia-se no pressuposto inquestionável, porém falso, em que quase todos acreditam simplesmente porque veem e ouvem os outros repetindo o mito: A noção de que pode existir tal coisa como um “governo” legítimo.

O problema das decepções populares é que: elas são populares. E quando qualquer crença, até mesmo a mais ilógica e ridícula é defendida pela maioria das pessoas, esta deixará de ser incoerente para aqueles que acreditam. Permanecer em tal crença será fácil e oferecerá conforto, enquanto questioná-la será desconfortável e muito difícil, se não mesmo impossível. Até mesmo amplas provas inegáveis sobre o poder terrivelmente destrutivo do mito da “autoridade” num nível quase incompreensível e que remonta há milhares de anos, não tem sido suficiente para fazer que até mesmo um punhado de pessoas começasse a questionar o conceito fundamental. E assim, acreditando que são seres iluminados e sábios, os humanos continuam a tropeçar num desastre colossal após o outro, como resultado da sua incapacidade de livrar-se da superstição mais perigosa: a crença na “autoridade”…

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Foto de perfil de Larken Rose

É um ativista libertário que ficou preso por questionar a receita federal americana.

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