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jan 20, 2020
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O fracasso do fusionismo na Bozolândia

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De meados de 2018 até as eleições em outubro do mesmo ano, quem viu redes sociais se deparou com as mais absurdas postagens de apoio ao então candidato Jair Bolsonaro e seu projeto de viés anti-esquerda e antiprogressista. Como uma autêntica propaganda política de oposição, a campanha de Bolsonaro e seus asseclas tinha como foco a demonização dos governos de viés contrário. Desde o início da campanha nada diferente existia, nem sequer qualquer evidência de mudança estrutural que era tão esperada pelos pretensos sonhadores juvenis que propagavam suas análises políticas inflamadas dizendo coisas como: “pelos menos estamos freando o avanço do marxismo cultural no Brasil”, “agora sim eu acredito que algo diferente ocorrerá”, “vamos chutar a bunda desses corruptos que estavam atrapalhando o desenvolvimento do país”. Essas expectativas que obviamente já se demonstraram insubsistentes revelaram a ignorância de seus propagadores tanto em assuntos econômicos e políticos quanto sociológicos. As estruturas de poder entranhadas no processo político jamais aceitariam ter seus traseiros chutados sem que oferecesse uma resistência sistemática e pontual. E foi isso o que aconteceu todas as vezes que o destrambelhado Jair Bolsonaro se excedeu em seu discurso: sofreu ofensiva da justiça contra seu filho, além de ameaças de impeachment e retaliação do congresso em diversos projetos de seu interesse. É assim que a política funciona independentemente de quem esteja no trono. O único caminho para quem chega ao poder político é conciliar suas aspirações pessoais aos interesses da elite dirigente, ou seja, ser conivente e partícipe da espoliação e arbitrariedade perpetradas pelo estado; pensar além disso trará invariavelmente consequências bastante indesejáveis para a carreira de um político. Isso traz uma conclusão auto-evidente sobre a política: ninguém que está no poder se preocupa de fato com o bem-estar de terceiros, mas apenas em estabelecer uma relação onde a relação de espólio coletivo possa trazer algum benefício pessoal, mesmo que de forma dissimulada afirme lutar contra a má política ou o establishment.

Há ainda uma tentativa de estabelecer uma narrativa de que “bons políticos” são vítimas dos maus políticos que estão no controle do sistema. Essa afirmativa não é verdadeira pois traz alguns erros que elucidarei logo abaixo:

a) Não existe algo como uma “boa política” (e digo isso mesmo em se tratando de países onde se julga existir “boa gestão pública”) porque a política é um jogo perverso onde se busca captar o poder de impor suas vontades sobre terceiros que não concordaram com isso; a política é intrinsecamente antiética;

b) No caso de Jair Bolsonaro há um agravante: ele não é um iniciante em política e nem mesmo um jovem mal instruído sobre ela. Ele assumiu a presidência quando tinha nada mais nada menos do que trinta anos de vida pública;

Todos nós sabemos que não é correto um anarquista dizer o que um governo deve fazer, pois isso não é diferente de qualquer apoio à política em si, mas é interessante checar algumas coisas que aconteceram após a posse dessa nova gangue que se assentou sobre o trono:

a) o que Bolsonaro conseguiu com eficiência foi congregar uma grande quantidade de conservadores e religiosos para estabelecer seu curral eleitoral. Grande quantidade do eleitorado brasileiro nutre respeito a discursos contra o homossexualismo, criminalidade e corrupção. O marketing político mais uma vez se revelou eficaz para cooptação de eleitorado. Apesar disso, as estruturas do poder político no Brasil continuaram intactas tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados e dificilmente serão retiradas do comando, no muito serão sobrepostas por outras que continuarão esse processo.

b) O PSL se revelou aquilo o que sempre foi: absolutamente igual a qualquer partido político. As denúncias de corrupção e favorecimento pessoal bateram à porta de Jair Bolsonaro com os problemas de seu filho e seus ministros. Nada diferente do que ocorreu tanto com Lula quanto Dilma. Bolsonaro se declara perseguido pela mídia e o judiciário, mas é importante entender que todos os seus antecessores também se diziam perseguidos por essas mesmas instituições. São sempre os mesmos espantalhos: “a mídia está contra nós”, “o establishment não vai deixar o projeto passar”, “a cultura do nosso povo não permite esse tipo de medida tão drástica”. E, por último, por qual motivo deveríamos aceitar que Bolsonaro é uma “alma limpa” e seus antecessores são simplesmente criminosos tentando escapar das sanções da justiça?

c) Bolsonaro se declarou simpático a ideias de liberdade econômica, mas Paulo Guedes vive dizendo que poderá criar imposto para suprir sua tentativa fracassada de fazer uma reforma previdenciária que chegue aos resultados esperados. Qual a coerência de ser “simpático” à liberdade econômica e nomear um ministro que rotineiramente fala em passar um novo imposto? Não sejamos tão ingênuos.

d) os sindicatos perderam grande parte de sua força e financiamento, no entanto, isso não foi suficiente para o governo nem sequer propor uma reforma trabalhista mais abrangente e de impactos mais profundos.

Como todos nós sabemos, discurso e realidade nunca são coerentes na política e isso é aplicável para qualquer candidato tanto da direita quanto da esquerda, liberal, conservador ou que se autodeclare “libertário”. Num país como os Estados Unidos onde supostamente se diz que as coisas são muito mais organizadas e corretas do que no Brasil não foi possível, com quase cinquenta anos de uma suposta infiltração “libertária” na política, sequer reduzir a dívida pública ou implantar políticas de maior liberdade econômica. Contrariamente ao que se diz, justamente depois do Libertarian Party tivemos uma grande crise econômica, mais restrições de direitos civis, guerras e maior endividamento público. Estamos falando de um país onde há um movimento “libertário” organizado em torno de candidatos eleitos.

Não chegou a hora de abandonar esse resquício doentio de patologia social e puerilidade que corrobora o jogo político?

A política não é para os limpos, pois estes estão totalmente fora dela.

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Política
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Gestor de Processos Gerenciais com especialização em Business Intelligence e Gestão Competitiva. Trader de criptomoedas e libertário purista. Contribui para os sites Foda-se o estado e Cidades Empresariais. Fundador da página Tenda Libertária e do site Libertarian Studies.