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dez 24, 2017
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O estado e o mercado de trabalho para as mulheres

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Diferença salarial entre homens e mulheres: eis uma das grandes bandeiras da esquerda atual e o mote para diversas políticas estatistas que visam, camuflados seus objetivos criminosos, impedir que o mercado seja tão injusto com as mulheres. Ou seja, assim como na novilíngua, em que as palavras apresentavam-se distorcidas de seu significado original, os efeitos das ações do estado são sempre opostos às suas boníssimas intenções.

As abordagens sexistas apoderam-se de eventos econômicos naturais para sustentar a ideia de que o mercado e preconceituoso e machista. O mito da diferença salarial entre homens e mulheres é “comprovado” grosseiramente reduzindo as mulheres ao seu gênero, sem fazer qualquer referência às suas escolhas profissionais ou sua capacidade de gerar lucro a seu empregador. A diferença salarial entre os gêneros, na verdade, é causada por diversos fatores, dentre eles: áreas de profissionalização diferentes, tempo de experiência no mercado de trabalho e, é claro, bons resultados para o empregador.

Profissionais de áreas diferentes não terão salários similares, e soa estúpido explicar isso, mas existem bons motivos para não negligenciar essa informação: mulheres ganham menos de homens, geralmente, por escolherem áreas menos demandadas no mercado. Porém, mesmo se compararmos profissionais (homens e mulheres) da mesma área, com a mesma quantidade de anos de estudo, ainda houver diferença entre os salários, deve-se considerar ainda o fator tempo de experiência [1]. Uma profissional altamente qualificada pode ter interrompido sua carreira para ter filhos e cria-los, enquanto outro profissional permaneceu no mercado adquirindo mais experiência e, portanto, tornando-se mais valorizado aos olhos dos empregadores.

O último fator é o mais importante (e mais ignorado) na decisão de quanto a mulher deve receber por seu trabalho. Sendo o valor subjetivo e livre a iniciativa privada, o empregador decide o quanto deve e, principalmente, pode pagar aos seus funcionários e se ele julgar que sua funcionária produz pouco ou lhe proporciona pouco lucro, é direito dele pagar menos a tal funcionária, assim como são direitos da funcionária poder recusar trabalhar para um empregador que lhe pague menos que o aceitável e barganhar pelo aumento de seu salário. [2] Em uma sociedade inteiramente livre, o empregador poderia até mesmo ser machista e contratar apenas homens, mas seriam de sua total responsabilidade os possíveis prejuízos consequentes de tal atitude, como enfraquecimento da oferta de trabalhadores e até boicote por parte de consumidores que considerassem condenável sua prática. Porém, bem sabemos que o sistema voluntário de trocas, em que todos visam lucros e melhorias de suas condições, é o modelo mais conciliador e inclusivo de pessoas; portanto, empregadores sexistas arcariam com a possibilidade de ir à falência. Qualquer tentativa estatal que buscasse igualar salários de homens e mulheres acabaria por prejudicar profissionais femininas, desempregando-as (lembrando que qualquer profissional menos lucrativo também seria prejudicado), já que, se o empregador não puder pagar mais a uma funcionária – se for obrigado a isso -, é bem provável que ele venha a demiti-la. Parece que o efeito de uma ação governamental como essa seria mais do que catastrófico, e principalmente, o oposto do prometido.

As funções biológicas da mulher e suas possíveis consequências não devem ser levadas em consideração, sumariamente, para que se julgue que a “desvalorização” da mulher ocorra simplesmente pelo fato de uma profissional ser mulher. Menstruação e a possibilidade de gravidez não são empecilhos para o desenvolvimento profissional. É verdade que a gravidez e o tempo que as mulheres passam fora do mercado devido a criação dos filhos desvalorizam sua figura profissional mas é essencial lembrar que a gravidez e até mesmo o ocasional afastamento do trabalho motivado pelo desconforto das regras menstruais são opções inteiramente individuais da profissional.

O ginecologista e obstetra Gedis Grudzinskas pensa diferente. Ele defende, no Reino Unido, que empresas concedam “licença menstrual” remunerada, e é claro, prática que, pelo menos majoritariamente, só seria implantada mediante coerção estatal, como ocorre no Japão e em Taiwan. [3] Isso simplesmente inibiria a admissão de mulheres! O “benefício” que supostamente visaria ajudar as trabalhadoras ao evitar que exercessem seu ofício durante períodos de alterações hormonais e comportamentais acaba por fragilizar e desvalorizar profissionais femininas, tornando mais caro ao empregador mantê-las como subordinadas e assim, fomentando sua demissão. Além disso, o doutor Grudzinskas precisa ser avisado urgentemente de que a menstruação é apenas uma condição fisiológica, não debilitante (embora haja casos excepcionais, mas casos excepcionais exigem soluções excepcionais), a qual as mulheres já se adaptam suportavelmente bem.

Outra leitura sexista sobre o trabalho feminino ocorre quando a oferta de emprego envolve a aparência física das profissionais. Acusa-se de “hipersexualização” da mulher a livre escolha do empregador de estabelecer critérios de seleção de seus funcionários. Se a imagem de um emprego como, por exemplo, o de uma garçonete de casa noturna, é hipersexualizada ou objetificada, é uma questão de opinião e o que realmente importa é a relação entre empregador e empregado e se ela é satisfatória a ambas as partes.

Mulheres são seres humanos como quaisquer outros, são profissionais com potencial competitivo tão expressivo quanto o de profissionais masculinos. A desvalorização da mulher no mercado poderia ocorrer também com homens que permanecessem menos tempo trabalhando ou que fossem menos produtivos. A mulher deve ser tratada como qualquer outro profissional, lembrando que cada mulher é um sujeito de características peculiares e escolhas individuais e não apenas um espécime do sexo feminino. Nada mais adequado que o mercado de livre iniciativa para valorizar as mulheres mais precisamente, de acordo com suas capacidades, como a qualquer outro indivíduo, como pessoas que tem algo a oferecer e, principalmente, como seres à mercê de sua subjetividade e da subjetividade de outrem, cada um valorizando a si e ao outro da maneira que melhor lhe apraz.

 

Referências:

[1]: http://veja.abril.com.br/noticia/economia/mulheres-deveriam-ganhar-10-mais-que-os-homens-no-brasil-diz-estudo

[2]: Walter Block. Defendendo o Indefensável (São Paulo; Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010) pp. 43-51

[3]: http://www.dailymail.co.uk/femail/article-2869182/An-idea-damaging-women-man-dreamt-male-professor-says-three-days-work-time-month.html

 

 

Autora: Marília Ferreira

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