banner
5 meses atrás
1379 Visualizações
5 0

Crime: Plantar a própria maconha para fugir das violências causadas pela proibição estatal

Escrito por
Compartilhe:
Polícia Civil do DF invade conta do Sérgio Delvair (THCProcê) e comete abuso de autoridade
Após prender o ativista Sérgio Delvair da Costa, o THCProcê, por cultivar maconha, policiais invadem sua conta e mandam recado para os maconheiros do Brasil

“Sou apaixonado por plantas, amo principalmente as que dão barato e são medicinais. Sou um ativista, sou brasileiro que ama seu país acima de tudo. Faço o que faço porque sei que muitos querem sair da maldição do comércio ainda ilegal da planta, problemas causados pela proibição estatal.”

As palavras acima, são de Sérgio Delvair da Costa, 52, mais conhecido como THCProcê, analista de sistemas, professor no SENAI e um ativista pró-cannabis. Sérgio tinha um canal no Youtube em que ensinava como cultivar a maconha para consumo próprio e como esse cultivo poderia diminuir os danos que o comércio ainda ilegal da planta causa diariamente em nossa sociedade. Através do canal, ele desmistificava o preconceito que existe entorno da maconha no Brasil.

Para praticar seu ativismo, Sérgio criou, além do canal, uma cooperativa de sementes, em que os associados pagavam uma mensalidade para receberem as cepas criadas por ele mesmo. Sérgio acreditava que os usuário de maconha do Brasil deveriam ter o direito de poder cultivar a própria planta e assim conseguirem se livrar dos riscos e violência do comércio ainda ilegal da planta, causadas pela proibição estatal. Tentando burlar o estado, ele não pregava o lucro com a cannabis, mas o cooperativismo. Para isso ele cobrava um valor simbólico pela produção das sementes e as distribuíam pelo Brasil por valores bem acessíveis, se comparados com o do mercado europeu.

A Cooperativa de Cultivadores do Brasil (CCB), criada pelo Thc, contava com aproximadamente 1.500 associados, que poderiam pagar mensalidades de R$ 32,80, R$ 54,80 ou R$ 74,80. Dependendo do plano, o associado poderia receber 4, 6 ou 8 sementes. Algo em torno de R$8 por unidade (preço muito menor do que os praticados pelos bancos de sementes na europa).

Screen Shot 2016-06-17 at 5.40.22 AM copy

Mensagem de Thc para os associados da CCB

“Simplesmente nosso objetivo é: pôr na mão do cultivador, sementes de qualidade e com valores simbólicos, custeando apenas os envios e despesas de produção. As cepas que ofereço aqui, são de cruzamentos feitos com cuidado para dar sempre o melhor resultado. São sementes aclimatadas e de fácil cultivo. Chega de ter que gastar fortunas com sementes importadas, esperar quase 50 dias e ainda correr riscos com a polícia federal que está pegando a maioria das encomendas e intimando os compradores”, diz Sérgio em seu site.
Uma das preocupações do THCProcê, era a de não permitir a participação de menores de idade na cooperativa. Uma das funções do administrador da página, era a de retirar esses menores de 18 anos.

A polícia já estava monitorando o Sérgio há um tempo. No dia 16 de Junho, chegou a notícia de que o THCProcê havia sido preso. Na casa de Sérgio foram encontrados 76 pés de maconha, mas ironicamente, o agente policial que participou da operação, Raimundo Nonato, tirou uma conclusão genial: “O curioso é que não havia movimentação de boca de fumo, não haviam usuários circulando por lá”.
Percebe-se que Nonato não entendeu que não haviam usuários por lá, pois eles estavam usando a própria erva.

A notícia entretanto chegou de uma forma totalmente incomum e de forma midiática. Chamaram as emissoras de TV para o entrevistarem como se fosse um bandido de alta periculosidade. Os policiais civis que efetuaram a prisão também se apropriaram do canal do THCProcê no Youtube e postaram um vídeo ameaçando os usuários brasileiros. Ao longo dos quase 3 minutos, o que se vê são frases alienadas de pessoas sem o mínimo de conhecimento.

Não bastasse prender alguém que mais contribuiu para a diminuição da comercialização da planta do que a polícia do país inteiro, os agentes civis cometeram um crime claro de abuso de autoridade ao invadirem a conta do THCProcê. Em poses caricatas de heróis nacionais, se vangloriando da “gigantesca” operação, e com um tom um tanto infantilóide, os policiais fazem de tudo para amedrontar os usuários.

Mas isso não aconteceu. A história de ativismo em prol da cannabis do THCProcê, conquistou o coração dos maconheiros brasileiros e muitos resolveram atacar o perfil do policial Ricardo Machado (o agente que fala durante o vídeo) com ofensas e argumentos favoráveis à maconha. Machado e seu colega de profissão, Roberto Costa, revidaram os comentários com mais ofensas e deboches e novamente cometem crime de abuso de autoridade. O que se vê a seguir, são provas claras da falta de preparo da polícia brasileira. Veja os prints (sem censura) das conversas no Facebook:

THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-017

Machado usa o sistema policial para descobrir os dados pessoais, e os divulga no Facebook.THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-015

THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-016

THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-009

THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-011

THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-014

THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-007

THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-004THCPROCE-Print-policial-ricardo-rico-machado-20160616-006

O agente percebeu, no entanto, que estava cometendo crime de abuso de autoridade, e resolveu apagar todos os posts e bloquear seu perfil (tarde demais).

Agente da Polícia Civil, Ricardo Machado. Ainda bem que ele não consome drogas!

Agente da Polícia Civil, Ricardo Machado.

A Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (REFORMA), que conta com advogados do Growroom, irá fazer uma representação contra os policiais no Ministério Público do Distrito Federal. Além disso, a REFORMA está em contato com a defesa de Sérgio para ajudar no caso.
Enquanto vivermos num país proibicionista, que pune quem ao plantar sua própria maconha e tenta se livrar dos riscos e violência do comércio ainda ilegal da planta, causadas pela proibição estatal, os cultivadores também ficam à mercê de policiais como os agentes Ricardo Machado e Roberto Costa, que prendem jardineiros inocentes que tentam amenizar as consequências da falida guerra às drogas. Não nos esqueçamos de Ras Geraldinho, o cultivador que foi condenado a 14 anos de prisão por fazer o uso da maconha de forma religiosa (Rastafarianismo) em sua propriedade.

Não vamos esquecer, #LiberdadeTHCproce

Fonte: Growroom
Autor: Felipe Cotrim

Este texto contém pequenas alterações, como trocar o nome “tráfico” por “comércio considerado ilegal pelo estado”.

Compartilhe:
Categorias dos artigos:
Notícias
banner
Foto de perfil de Diversos Autores

Espaço reservado para autores diversos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *