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O argumento de Jeffrey Tucker contra o Libertarianismo

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Jeffrey Tucker reduz os ideais libertários centrais a “brutalismo”

No conflito entre infiltrados esquerdistas, que querem redefinir o libertarianismo, e puristas, que querem se manter puros à mensagem, mais outro libertário abandonou os princípios pela popularidade e condenou as ações baseadas em princípios como racistas e misóginas. Jeffrey Tucker, editor da LaissezFaire Books, e membro da Foundation for Economic Education, escreveu um artigo com o título “Dois tipos opostos de libertário – qual você é?”. O senhor Tucker, para seu crédito, teve a decência de reconhecer que nós, “brutalistas”, como ele nos chama, estamos corretos em nossa afirmação de que o libertarianismo em si não se importa com estética, engôdos raciais e de gênero, antes de nos chamar de racistas, misóginos, antissemitas, grosseiros e uma lista de ad hominem longa demais para eu listar.

De acordo com Jeffrey Tucker, as pessoas às quais Tom Woods se referiu como “libertários densos” são os “humanitários”, que amam tudo quanto é belo sobre a liberdade.

“Os humanitários se baseiam nos seguintes argumentos.  A liberdade permite e estimula uma pacífica cooperação humana.  Ela inspira a criatividade e todos os subsequentes benefícios que isso gera para terceiros.  Ela restringe e desestimula a violência.  Ela permite a acumulação de capital e a prosperidade.  Ela protege os direitos humanos de todos os indivíduos contra violações e usurpações.  Ela permite que associações humanas voluntárias de todos os tipos possam se desenvolver segundo seus próprios termos.  Ela estimula uma maior convivência social e recompensa aquelas pessoas que querem se dar bem com as outras, ao mesmo tempo em que restringe aquelas que só querem causar o mal.  Ela leva a um mundo no qual as pessoas são valorizadas como um fim em si mesmas e não vistas como uma mera forragem em meio a todo um aparato central. Tanto a história quanto a experiência nos mostram que é assim. Todos esses são excelentes motivos para se desejar a liberdade.”

Entretanto, explica Jeffrey Tucker, há também um lado obscuro do libertarianismo:

“Mas eles não são os únicos motivos pelos quais as pessoas defendem a liberdade.  Há um segmento entre os autoproclamados libertários — doravante descritos como brutalistas — que consideram tudo o que foi descrito acima como sendo bastante enfadonho, vago e excessivamente humanitário. Para eles, o que é interessante a respeito da liberdade é o fato de ela permitir que pessoas manifestem suas preferências individuais, formem tribos homogêneas, coloquem seus preconceitos em ação, marginalizem pessoas tomando por base padrões ‘politicamente incorretos’, odeiem profundamente determinadas pessoas (desde que nenhuma violência seja utilizada), sejam abertamente racistas e sexistas, sejam excludentes e no geral descontentes com a modernidade, e rejeitem padrões civis de valores e etiquetas, preferindo a adoção de normas antissociais.”

Que contraste dramático! Humanitários versus brutalistas, pessoas que amam a prosperidade versus pessoas que odeiam a tudo, pessoas que valorizam a diversidade versus racistas. Bem, posto dessa maneira, esses “humanitários” certamente parecem pessoas maravilhosas, e aqueles brutalistas se parecem com vilões terríveis do mal. Muito bom que tenhamos Jeffrey Tucker para explicar-nos a diferença entre bem e mal com essa falsa dicotomia absurda.

De novo, tudo isso soa bem familiar. Esses Democratas de bom coração que querem ajudar os pobres versus aqueles Republicanos do mal que não se importam com nada além de cobiça corporativa. O boletim de notícias “racista” de Ron Paul versus aquele moderado com um cabelo legal. As transigências eternas do Libertarian Party versus não-agressionistas linha dura.

É realmente triste ver um cara como Jeffrey Tucker rebaixar-se à tática de políticos, à falsa dicotomia, espantalho e ad hominem, tudo em um só artigo. Tudo isso enquanto não consegue levantar nenhuma questão substancial, mas isso é o que acontece quando se alia-se a esquerdistas. Uma vez que palavras não têm significado, não há necessidade de realmente dizer nada, apenas apelar às emoções do seu público alvo. Você não tem de defender seu argumento, apenas chamar seu oponente de racista. Não precisa argumentar consistentemente em favor de nada, apenas buscar acordos e ser inclusivo com todos menos aqueles “extremistas” não dispostos a abandonar seus princípios.

Esse não é o primeiro flerte de Jeffrey Tucker com esquerdistas, ele foi coautor de um artigo com Cathy Reisenwitz fazendo Ludwig von Mises parecer um feminista. Ele escreveu sobre um “novo libertarianismo” que deveria “abraçar os ideais do feminismo da mesma forma de abraçamos a causa anti-escravidão”. Ele elogiou o “proto-socialismo” de Cathy Reisenwitz.

Eu realmente gostaria que Jeffrey Tucker, Cathy Reisenwitz ou qualquer outro capanga feminista cheio de engodos raciais me respondesse exatamente: onde se encontram todos esses libertários abertamente racistas dos quais eles falam? Quem exatamente são eles? Melhor ainda, o que é racismo além daquilo que faz referência à raça ou tem uma representação demográfica desproporcional?

Eu sou sexista se fizer sexo exclusivamente com mulheres (e objetos inanimados)? Isso faz de mim um homofóbico? Se eu tiver uma política de apenas fazer sexo com mulheres negras, isso faria de mim um racista? Se eu cantar junto de um rapper negro, e eu disser “nego”, isso faz de mim um racista?

O problema que você tem conosco, “brutalistas”, não é o de que somos racistas, homofóbicos, anti-semitas, etc. Porque claramente esse não é problema. Mesmo Cathy nota que “é difícil de pesquisar o racismo pois a maioria deles não se identifica enquanto tal”. O que pessoas como Cathy, e agora por extensão pessoas como Jeffrey Tucker, fazem é encontrar qualquer menção, insinuação ou disparidade demográfica relacionada a raça ou gênero, e então rotulá-la de racismo e misoginia. Eles encontram qualquer disparidade de riqueza e chamam isso de privilégio. Todas essas disparidades têm de ser abolidas aos olhos do igualitarista, e o libertarianismo simplesmente não tem uma opinião sobre isso. Em vez de apontar para o fato de que eles estão criando histeria sobre algo que não tem nada de intolerância, às vezes trataremos do fato de que intolerância e privilégio não são coisas com as quais o cerne de nossa filosofia está terrivelmente interessada. Por falar isso, somos chamados de racistas, misóginos, homofóbicos e antissemitas, o que é o último suspiro de um argumento perdido.

Se Jeffrey Tucker quer argumentar que o libertarianismo ajuda as mulheres, tudo bem. Ninguém está dizendo que não. Se ele quer argumentar que os negros estariam em melhor situação sem o estado, tudo bem. Ninguém está dizendo que não. O que nós, “brutalistas”, estamos dizendo é que o igualitarismo não é o meio nem um fim para o libertarianismo, e dizer o contrário na esperança de atrair democratas para nossas fileiras é ilusório.

Quando você repete propaganda racial estatista, você aumenta nossas fileiras? Não. Você simplesmente evita dizer que raça é irrelevante. Você dá crédito àqueles que usariam o estado em seus esforços sempre falhos de “corrigir” essas disparidades. Você alimenta a percepção equivocada de que o libertarianismo é racista por não se importar com raça. Você afasta os negros, mulheres e homossexuais de espírito livre que poderiam se juntar a nós.

Agir como se você estivesse de alguma forma tomando uma posição moral superior ou fazendo algo de corajoso com isso é apenas ridículo. Quanta bravura é necessária para ser contra o racismo em 2014? Quanta inteligência é necessária para ver uma disparidade demográfica e gritar “racista, misógino, intolerante”?

Nenhuma.

Quanta coragem é necessária para sair em defesa do direito de um comediante de contar uma piada enquanto as forças do estado estão tentando censurar qualquer coisa desagradável? Quanto de princípios é necessário para um ateu defender o direito de um homem religioso de acreditar em um romance enigmático antigo? Quanta inteligência é necessária para encarar um gráfico em pizza com informações demográficas raciais e tentar tratar de algo mais significativo que raça?

Mais do que qualquer esquerdista um dia será capaz de ver…

É uma vergonha que Jeffrey Tucker tome o lado errado nesse conflito e que ele use todo tipo de falácias lógicas e dissimulações para desafiar nossos princípios ao fazê-lo.

Tradução de Marcos Paulo Silva do Nascimento | Artigo original aqui

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https://christophercantwell.com/

É jornalista autônomo e trabalha no Independent Media.

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