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3 semanas atrás
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Não existe exploração do trabalho no capitalismo

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Não existe exploração no capitalismo.

É o exato oposto. Mas a quantidade de erros de interpretação do funcionamento da economia criados por Adam Smith e posteriormente Karl Marx é tão enorme que torna difícil desconstruir tanta falácia. Mas o júbilo vem do esforço.

No capitalismo pleno, todas as relações entre indivíduos são voluntárias e só acontecem quando são positivamente desiguais para ambas as partes. Isso significa que uma troca comercial só vai acontecer se ambas as partes considerarem que estão levando vantagem nela. Eu só vou comprar um pacote de arroz se considerar que o valor, ou seja, o benefício que terei ao possuir o pacote de arroz for maior do que o dinheiro que o vendedor estabeleceu que quer em troca do pacote de arroz. Da mesma forma, o vendedor só fornecerá o pacote de arroz se considerar que vale mais a pena possuir o dinheiro que o comprador está disposto a pagar pelo produto do que permanecer com o pacote de arroz. Se ambos considerarem que o pacote de arroz e o dinheiro que ele vale são iguais, a relação comercial não acontece, pois nenhuma das partes vê vantagem nessa troca. Se uma das partes considerar que sairá com um saldo negativo se realizar a troca, ela obviamente também não acontece. Você faz isso toda vez que acaba não comprando um produto por tê-lo achado caro.

Marx, ao contrário de eu e você, não entendeu que o valor atribuído a uma mercadoria é subjetivo. Darei valor “X” a essa mercadoria pois tenho mais ou menos necessidade dela. Segundo ele, o que dava valor a uma mercadoria era o esforço social necessário para que ela existisse, a teoria do valor-trabalho. Ele por alguma razão imaginava que um produtor, ao criar um produto, calculava magicamente que o seu produto tem o valor “X” pois necessitou um tanto de esforço humano para que saísse da forma bruta até se tornar um bem comercializável. Mas simplesmente ninguém faz isso. Quando se estima o preço de um produto, procura-se saber o preço de artigos semelhantes no mercado, o preço da maquinaria, salários, dos funcionários, custos logísticos etc. O que acontece é que os outros indivíduos, os vendedores dos produtos semelhantes, das maquinarias etc também se basearam nas condições do mercado quando foram estimar seu preço, e assim sucessivamente. Em suma, não existe nada de concreto que estime o valor de uma mercadoria. Dependerá, somente, do quanto um proprietário ou um potencial comprador achar que vale para si. O que diabos isso tem a ver com a inexistência da exploração? Tudinho. Karl Marx, analisando como sempre muito superficialmente sua realidade, percebeu que os trabalhadores com o seu trabalho geravam uma determinada quantia de capital para a empresa em que trabalhavam, mas não recebiam a totalidade do que produziam. Parte ficava retida para o dono da empresa para a compra de mais matéria prima, manutenção, investimento e obviamente o lucro. Essa diferença entre o capital gerado pelo trabalhador e a quantia que de fato recebia ele chamou de mais-valia, e classificou como exploração. A princípio isso está muito claro. Ora, trabalhei, gerei esse capital e só recebi uma parte! Estou sendo explorado, obviamente. Só que não. O trabalho nada mais é do que uma mercadoria como qualquer outra. O potencial de mão-de-obra é propriedade de cada trabalhador individualmente. Ao trabalhar em troca de dinheiro, o trabalhador nada mais faz do que comercializar sua propriedade, sua mão-de-obra. O socialista jamais aceita que um trabalhador assalariado de uma fábrica seja proprietário de qualquer coisa, mas ele não percebe, talvez por falta de estudo da própria ideologia que defende em teoria, que até pela definição marxista de propriedade privada, o trabalhador é um capitalista que comercializa e manipula a sua propriedade: o trabalhador possui MEIOS DE PRODUÇÃO. Se o corpo ou mente de um trabalhador, utilizado por ele mesmo para modelar e trabalhar não é um meio de produção, eu realmente desisto e não sei mais como classificar. Então, pelo trabalho se tratar de um bem econômico e nada mais, sua relação de troca também vai funcionar com lógica irrefutável do capitalismo, mais especificamente do livre mercado. O trabalhador só aceita trabalhar na empresa quando considera que o salário e possíveis benefícios que receberá valem mais do que o tempo de trabalho, esforço, possíveis riscos, etc. Independente do quão ruins sejam as condições de trabalho e do quão miserável é o salário, o trabalhador só vai concordar em trabalhar na empresa se julgar que o valor que receberá no fim do mês valeu por todo esforço exercido. O mesmo também vale por parte do empregador. Ele se mostra disposto a pagar “X” por determinada função em sua propriedade, e só aceita contratar o empregado, mesmo que tenha que tirar um pouco do próprio lucro para pagar o salário do funcionário, se considerar que a quantia que ele “perde” na entrega do salário é inferior ao que o seu empregado lhe gerou de capital. Todos saem ganhando.

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Direito e Ética
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Estudante de Jornalismo pela PUC-Rio, anarcocapitalista conservador. Estuda linguística como hobby e escreve sobre economia.