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A moralidade da remoção física hoppeana

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Uma das coisas que devemos entender sobre o libertarianismo é que ele não é, nunca foi, nunca será e nem deve ser sinônimo de inclusão. Muito pelo contrário. O libertarianismo tem como o seu pilar principal o direito à autopropriedade e à propriedade privada. Portanto, qualquer libertário que se preze deve defender o livre uso da sua propriedade, desde que não se inicie uma agressão contra inocentes.

A propriedade privada tem uma função fundamental na sociedade: prevenir conflitos. Para que a ordem social libertária permaneça é necessário que todos respeitem a propriedade privada do próximo, e isso inclui respeitar as normas locais. É necessário deixar claro que desobedecer regras privadas não é uma ação libertária como, por exemplo, sonegar impostos. Uma coisa é você desobedecer uma regra de alguma propriedade as conhecendo de antemão e concordando voluntariamente com elas por meio de contratos. Outra é você resistir a uma ação criminosa, que é sonegar impostos. Pessoas que possuem um comportamento subversivo que tende a desobedecer regras privadas (que é claramente uma violação à propriedade privada)deve ser removida fisicamente e expulsa da ordem social libertária.

Pelo fato de defender o direito à propriedade privada e a ordem social libertária, Hans-Hermann é certamente um dos autores mais odiados do meio libertário ao mesmo tempo que é um dos mais amados. Sagaz e firme na defesa do seu ponto de vista, ele não tem medo de dizer a verdade. Em Democracia – o deus que falhou, ele deixou claro:

“Assim que os membros maduros da sociedade habitualmente expressam aceitação dos sentimentos igualitaristas ou até mesmo os defendem – seja na forma de democracia (governo da maioria), seja na forma de comunismo –, torna-se essencial que outros membros – em especial, as elites sociais naturais – estejam preparados para agir de forma decisiva; e, no caso de a inconformidade continuar, eles devem excluir e, em última instância, expulsar esses membros da sociedade. Em um pacto celebrado entre o titular e os inquilinos da comunidade com a finalidade de proteger as suas propriedades privadas, não há algo como um direito de livre (ilimitada) expressão, nem mesmo um direito de expressão ilimitada na própria propriedade de um inquilino. É possível dizer inúmeras coisas e promover qualquer ideia sob este sol; mas, naturalmente, não é lícito a ninguém defender ideias contrárias à própria finalidade do pacto de preservação e de proteção da propriedade privada (ideias como a democracia e o comunismo). Não pode haver tolerância para com os democratas e os comunistas em uma ordem social libertária. Eles terão de ser fisicamente separados e expulsos da sociedade. Da mesma forma, em uma aliança fundada com a finalidade de proteger a família e os clãs, não pode haver tolerância para com aqueles que habitualmente promovem estilos de vida incompatíveis com esse objetivo. Eles – os defensores de estilos de vida alternativos, avessos à família e a tudo que é centrado no parentesco (como, por exemplo, o hedonismo, o parasitismo, o culto da natureza e do meio ambiente, a homossexualidade ou o comunismo) – terão de ser também removidos fisicamente da sociedade para que se preserve a ordem libertária.” [1]

Agora dissequemos esse trecho. Hoppe deixa claro que não existe liberdade de expressão ilimitada numa ordem social libertária. Quem mostrar afinidade com ideais democráticos e comunistas deve ser expulso da ordem por serem potenciais agressores da propriedade privada ou até mesmo agressores de fato. A defesa de ideologias igualitaristas, portanto, deve ser encarada como uma ameaça e ser combatida com forte boicote, discriminação e repulsa e – em última instância – remoção física e expulsão dos seus apologistas, já que negam o direito à propriedade privada e defendem o roubo. Com o núcleo familiar fortalecido numa ordem social libertária, caberá ao chefe de família expulsar membros que pervertem a ordem natural e outros chefes discriminarem esse tipo de gente. Repare na citação Hoppe diz que os defensores de estilos de vida alternativo (militantes e apologistas) que devem ser expulsos da sociedade. Nesse caso, não seriam os homossexuais que seriam expulsos, mas os seus militantes. Podemos ver que haverá uma necessidade de um pacto entre membros da comunidade com a finalidade de proteger a propriedade privada. E com isso, o direito de expulsão de quem o subverter. É perfeitamente natural que apologistas de comportamentos degenerados e subversivos são aqueles os que mais tendem a violar a propriedade, bem como os defensores da democracia e comunistas. Todos eles devem ser vistos como uma ameaça à propriedade privada. Em outras palavras: numa ordem social libertária só deve ter libertários civilizados.

Tudo isso se justifica pela necessidade do conservadorismo moral e cultural por parte dos libertários que integrarem a ordem social libertária. Hoppe diz na página seguinte que “deve estar bem claro, então, o motivo pelo qual os libertários devem ser conservadores morais e culturais da mais intransigente natureza”. De fato,

[…] o capitalismo de propriedade privada e o multiculturalismo igualitarista formam uma combinação tão improvável quanto o socialismo e o conservadorismo cultural. E, na tentativa de combinar o que não pode ser combinado, muitos do movimento libertário moderno contribuíram efetivamente para a continuação da deterioração dos direitos de propriedade privada (assim como muitos do conservadorismo contemporâneo contribuíram para a erosão das famílias e da moralidade tradicional). O que os libertários contraculturais falharam em reconhecer – e o que os verdadeiros libertários não podem deixar de enfatizar – é que a restauração dos direitos de propriedade privada e da economia laissez-faire implica um aumento forte e drástico da “discriminação” social, eliminando rapidamente a maior parte – se não a totalidade – das experiências de estilos de vida multiculturais e igualitaristas tão caras aos libertários de esquerda. Em outras palavras, os libertários devem ser conservadores radicais e intransigentes. [2]

O libertário não deve portanto defender qualquer tipo de tolerância. Na ordem social libertária o direito de exclusão e discriminação seriam sagrados. É ele que garantirá a civilidade necessária para evitar conflitos e manter a estabilidade do arranjo. Por defenderem políticas autoritárias (governo da maioria, ditaduras e roubos de propriedades privadas) deverá haver total intolerância para com eles e aqueles que aceitarem em suas propriedades alguém desse tipo devem se responsabilizar.

Em suma, não deve haver espaço para defensores de violações de propriedade privada e comportamentos subversivos e autoritários contra propriedades alheias. Em outras palavras, a teoria da remoção física, ao contrário do que pensam os “libertários” humanistas e de esquerda, não tem nada de antilibertário, muito pelo contrário. A remoção física é simplesmente uma das mais geniais sacadas do Hoppe e extremamente necessária para estabelecer a ordem social libertária.

Por assim dizer.
___________

[1] Hans-Hermann Hoppe; Democracia – o deus que falhou (São Paulo; Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2014), p. 255

[2] libd., p. 244

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Austrolibertário, praxeologista, antipolítico, cristão e também contribui para os sites Foda-se o Estado e Instituto Rothbard.

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