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4 meses atrás
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A iminente crise financeira sobre a qual ninguém está falando, mas deveria

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O mundo foi tomado por um fluxo contínuo de notícias perturbadoras e chocantes. Aparentemente, dia sim, dia não, diferentes ataques terroristas, assassinatos de policiais ou conluios políticos inflamam o público num frenesi emocional. Mas conforme o medo desliga o pensamento crítico, os bancos que controlam o sistema financeiro da Europa estão entrando numa espiral de morte. A despeito das estórias que a mídia pró-establishment nos empurra, a mais perigosa ameaça ao nosso estilo de vida não é uma ideologia religiosa ou divisão política.

O risco real é um contágio que está minando o núcleo do sistema financeiro e, com a interligação da economia globalizada em que vivemos, faz a contenção do problema praticamente impossível de ser realizada. Preocupações que costumavam ser isoladas ao estado falido da Grécia já tomaram conta do resto das nações PIIGS (N.T. Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). Se estes dominós continuarem a cair na Europa, esse impulso poderia levar destruição a todos os cantos do globo.

Os bancos italianos são os primeiros a estarem com a corda no pescoço logo após o Brexit. Durante anos, eles têm sido reconhecidos como um elo fraco na cadeia econômica, mas agora eles enfrentam testes de resistência que podem expor o alcance dos seus problemas internos. O banco mais antigo do mundo, o Monte Dei Paschi, está no centro da controvérsia, com um rombo esperado de mais de 3 bilhões de euros.

Outros grandes nomes, como UniCredit, estão indo igualmente mal. O Wells Fargo recentemente descobriu que quase 15% de todos os empréstimos detidos por bancos italianos poderiam estar em risco de inadimplência, um número impressionante para tentar desfazê-los. Além disso, a saída da Inglaterra da União Européia tem suscitado questões sobre o futuro da moeda Euro – e a Itália poderia ser o catalisador para uma completa quebra de confiança. Se o pânico começar a ameaçar o povo italiano, as coisas poderiam escalar rapidamente, potencialmente desencadeando uma corrida generalizada aos bancos.

Mihir Kapadia, da Sun Global Investments, explicou a situação atual num artigo recente:

“Uma perfeita tempestade de crescimento lento ou nulo da economia italiana, baixas taxas de juros e empréstimos aos politicamente bem articulados, frequentemente corruptos, se combinaram para criar uma situação em que o sistema financeiro italiano necessita de um grande resgate. ”

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, não perdeu tempo em tranquilizar os mercados e minimizar a importância dos obstáculos à frente. Draghi é um ex-governador do Banco da Itália e recentemente veio a público em apoio total a um “incentivo público” aos empréstimos tóxicos. O incentivo público é um termo político para pilhar o pagador de impostos. Os governos e os bancos não têm nenhum problema em transferir a responsabilidade da dívida para os cidadãos, ao mesmo tempo que os repreendem sobre como seus programas sociais são excessivos e focando na ganância das pessoas comuns como a raiz do problema. Para as elites, é muito mais fácil usar medidas de austeridade, inflação e envergonhar o público desviando sua culpa do que assumir seus próprios atos corruptos.

Novas regulamentações aprovadas pela União Européia previnem ação de resgate (bailout), semelhante ao que os EUA implementaram durante a crise de 2008, ou seja, a única outra opção sobre a mesa é a utilização de contas correntes de clientes para recapitalizar, também conhecido como bail-ins. Vimos um teste de funcionamento deste mecanismo há alguns anos atrás no Chipre, o que levou ao confisco de todos os fundos pessoais superiores a 100.000 euros. Neste teste, o confisco só afetou os muito ricos, por isso houve pouca indignação; a maioria das contas acima do limite eram possuídas por estrangeiros, particularmente da Rússia.

Porém, em tal cenário futuro, contas de poupança privadas, fundos de aposentadoria e contas de aposentadoria individuais (IRAs) de cidadãos comuns podem ser roubados pelos bancos – sem compensação – para cobrir os seus maus investimentos. Ainda que seja devastador para a Itália ter que implementar essas táticas para salvar as suas instituições insolventes, os fogos de artifício reais seriam os efeitos que tal medida poderia ter sobre outros grandes bancos e nações estrangeiras.

Com o passar do tempo, alertas continuam a surgir apontando para um diagnóstico terminal para o sistema como um todo. O Deutsche Bank é de longe o mais importante da União Européia, uma vez que suporta a potência econômica do bloco, a Alemanha. Apenas no último ano de 2015, porém, o preço de suas ações caiu mais de 60%, levando à uma queda total de 90% desde seu pico em 2007. O banco também acaba de anunciar seu plano para fechar mais de 188 agências e cortar 3.000 empregos nos próximos meses. A recuperação do setor financeiro americano ao longo dos últimos sete anos nunca se manifestou na Europa; em vez disso, o valor de seus bancos continuou a ser corroído, perpetuado por inépcia política e manipulação do banco central. A Alemanha é a última economia forte que resta para sustentar o bloco comercial em ruínas na Europa, e sem a sua estabilidade, este grande experimento está condenado a cair aos pedaços.

Se esses sinais não fossem ruins o suficiente, o Deutsche também se tornou o garoto-propaganda para a sinistra bolha de derivativos. Ele, sozinho, acumulou uma exposição de mais de 75 trilhões de dólares nestes instrumentos de risco, que é quase igual ao PIB anual do mundo. Este problema não é de forma alguma isolado dos mercados europeus; os bancos dos EUA também beberam o suco e, acredite ou não, ajudaram a criar uma de bagunça na casa dos quatrilhões de dólares.

As promessas vazias feitas por gestores financeiros são apenas tão boas quanto a confiança do público nelas. Antes da crise das hipotecas subprime, parecia que não havia preocupação no mundo – até que todo mundo ficou assustado e dirigiu-se para as portas de emergência ao mesmo tempo. Se um tumulto similar ocorresse hoje, as implicações seriam muito piores. A quantidade de dinheiro necessária para pagar os contratos de derivativos em aberto nem sequer existe, e o Factbook da CIA afirma que a base monetária, incluindo todo os papéis-moeda, contas correntes, poupanças e contas do mercado monetário, equivale a pouco mais de 80 trilhões de dólares – uma mera fração do que seria necessário para cobrir a exposição dos bancos.

Warren Buffet se referiu a esses instrumentos, de uma forma que ficou conhecida como “armas financeiras de destruição em massa.” Ele reiterou sua perspectiva em uma entrevista mais recente:

“Eu considero como perigosos os investimentos muito grandes em derivativos. Herdamos uma posição de tamanho modesto na Gen Re (veículo de resseguro da Berkshire) num mercado benigno e perdemos cerca de 400 milhões de dólares apenas tentando desfazê-los sem nenhum tipo de pressão sobre nós. Então, eu acho que eles continuarão a ser um perigo para o sistema.”

O mercado de derivativos é um dos mais obscuros em todo sistema financeiro. Em vez de comprar uma parte de uma empresa, ou uma mercadoria como petróleo ou milho a um preço futuro, um derivativo não tem valor por si próprio. Todo o seu valor é derivado a partir do desempenho de outras partes do mercado. É essencialmente uma aposta excessiva sobre os movimentos de preços de ativos reais. Se os principais bancos, como Deutsche, falirem, todos estes derivativos seriam eliminados e poderiam acender o pavio desta bomba-relógio econômica.

Até mesmo George Soros comentou sobre a crise em curso na União Européia, dizendo:

“Os líderes europeus devem reconhecer que a União Européia está à beira do colapso. Em vez de culpar uns aos outros, eles devem se unir e adotar medidas excepcionais.”

A crise bancária italiana e da bolha no mercado de derivativos pode parecer uma questão trivial que está fora da vista e fora do pensamento, mas o buraco negro que poderia se abrir iria destruir o nosso modo de vida. Pensar sobre essas possibilidades pode ser aterrorizante, mas existem medidas que podem ser tomadas para garantir que os indivíduos, pelo menos, tenham uma apólice de seguro de prontidão. Se educar sobre o sistema financeiro em que estamos vivendo é fundamental para ter a capacidade de prever o futuro necessário para agir.

O desenvolvimento de tecnologias como o Bitcoin e outras criptomoedas criaram um novo sistema monetário que não está sujeito à corrupção do modelo centralizado falido. Estas redes peer-to-peer podem proteger a riqueza, enquanto permitem mobilidade e anonimato sem precedentes. Outras formas de moeda estável, como o ouro ou a prata, também desempenham um papel-chave na independência financeira. Há poucos bens com risco zero de que outras partes não irão quebrar os respectivos contratos e metais preciosos permitem que cada indivíduo se torne seu próprio banco central.

Ser autossuficiente também é uma ferramenta poderosa; não ser dependente de terceiros no pior cenário é crucial para pensar claramente quando o pânico financeiro surgir. Não existe um antídoto para o potencial caos que está caindo sobre nós, mas a construção de relações fortes, a obtenção de habilidades básicas e estocagem para as necessidades da vida diária podem proporcionar paz de espírito e preparação.

A cadeia de eventos em movimento irá expor as fraudes monumentais que os bancos mundiais e governos têm perpetuado contra seus cidadãos. Quando uma pornografia do medo está sendo promovida na grande mídia, tenha em mente que as verdadeiras ameaças à liberdade e segurança não serão anunciadas abertamente. O foco no louco solitário que mata 20 ou a propagação de pandemias mortais, por exemplo, não são nada além propaganda destinada a deslocar a atenção para coisas que são incontroláveis. Garantir que as massas se sintam impotentes e na necessidade de proteção do governo é a prioridade número um para a classe dominante. Os comentaristas da TV e os gestores de fundos de alto risco serão eternamente otimistas sobre as perspectivas para o futuro, mesmo quando o colapso se torna inegavelmente óbvio. Os problemas na União Européia vão continuar a aumentar e o risco desta doença se espalhar para outras economias aumenta a cada dia. Infelizmente, este sistema baseado em esquema Ponzi sobre o qual construímos nossas sociedades nos deixou vulneráveis a qualquer evento totalmente imprevisto que ocorrer na hora certa.

Autor: Shaun Bradley.
Tradução:
 Rafael Turon.
Revisão: Daniel Chaves Claudino e Uatá Lima.

Artigo original: The Anti-Media.

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