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set 3, 2018
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Hierarquia é algo bom ou ruim?

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Às vezes a extrapolação pode transformar uma idéia racional em algo completamente sem sentido. Parece que algumas pessoas gostam de alguns bodes espiatórios para jogar a culpa sobre as coisas que elas acham injustas. Para elas, todos os problemas do mundo são culpa da ganância, do dinheiro, da desigualdade, das armas, do ódio, etc. Esse artigo irá tratar sobre a questão da “hierarquia”, que é o bode espiatório favorito de alguns esquerdistas, incluindo alguns esquerdistas que se auto-entitulam como “anarquistas”.

Existem muitos tipos de arranjos que poderiam ser enxergados como uma hierarquia, como a cadeia de comando militar, um time de futebol e seu treinador, um empregador e seus funcionários, um professor e seus estudantes, etc. De fato, em um sentido amplo, remover a “hierarquia” da sociedade significaria remover qualquer situação em que uma pessoa instrui ou dá ordens sobre o que deve ser feito. Mas a verdade é que atingir esse objetivo é impossível, e ficar tentando alcançá-lo é insanidade.

Imagine se, de uma hora para outra, ninguém mais seguisse as instruções de ninguém, em todas as empresas, organizações ou grupos de pessoas. Imagine um time de futebol onde cada jogador decidisse por conta própria em que posição ele iria jogar, ao invés de se sujeitar à “hierarquia” do treinador. Imagine uma companhia que não tivesse nenhum plano sobre o produto que ela estivesse fazendo ou nenhum plano sobre a função de cada funcionário. Uma estrutura organizacional pode ser muito restritiva, muito frouxa ou um meio termo entre os dois, mas é quase impossível realizar qualquer coisa complexa sem que haja alguém para organizar as tarefas.

A partir do momento em que você tem uma organização, você também precisa ter alguma forma de hierarquia. É claro que a sociedade iria viver melhor sem alguns certos tipos de hierarquia. Existem duas maneiras através das quais uma hierarquia pode ser imoral e destrutiva: 1) quando aqueles no “topo” usam a força para exigir a obediência de seus subordinados e 2) quando aqueles que estão seguindo as ordens acham que não tem responsabilidade pelas suas próprias ações. Em outras palavras, a hierarquia se torna perigosa quando há “autoridade” – quando as pessoas que dão as ordens acreditam que elas têm o direito de forçar outras pessoas a fazer certas coisas e quando os subordinados acreditam que eles têm a obrigação de obedecer as ordens. Mas o problema está na crença em “autoridade” em si, e não na presença de uma hierarquia.

É comum vermos arranjos hierárquicos voluntários serem descritos através de terminologias autoritárias. Por exemplo, um empregador pode ser chamado de “chefe”, pois os chefes “mandam” nos “trabalhadores”. Mas os empregadores não tem o direito de forçar os seus funcionários a fazerem algum serviço. O único poder que o empregador realmente tem é o mesmo poder que o “funcionário” tem: o poder de terminar a relação de trabalho. Outra terminologia autoritária é usada quando um empregador quer parar de contratar o serviço de alguém: diz-se que ele está “mandando o funcionário para rua”. Quando o funcionário quer terminar o acordo, diz-se que ele está “pedindo a demissão”. Mas tanto o empregador quanto o empregado tem o mesmo poder, nenhum deles pode forçar a outra parte a fazer qualquer coisa contra a sua vontade. Ninguém é forçado a contratar ninguém. Ninguém é forçado a trabalhar para ninguém. E qualquer empregador que forçasse seus empregados a trabalhar para ele, contra as suas vontades, seria imediatamente reconhecido como um criminoso.

Além disso, qualquer funcionário que seguisse instruções para cometer fraudes, roubos, agressões ou assassinatos e depois dissesse, “Eu só estava seguindo ordens”, também seria reconhecido como um criminoso. Se as pessoas não acreditassem em “autoridade”, elas não achariam que uma hierarquia poderia transformar a moralidade de suas ações (transformar uma coisa má em uma coisa boa).

Não há nada de errado em um indivíduo seguir voluntariamente as instruções de alguém, desde que ele assuma responsabilidade pessoal para as coisas que ele fizer enquanto estiver seguindo as ordens. De fato, a sociedade não poderia existir sem que isso acontecesse quase que constantemente. Existem diversos exemplos para demonstrar isso: um motorista novato segue as instruções de um instrutor de uma auto-escola; um jardineiro faz o trabalho que o dono da casa diz para ele fazer; um aventureiro fazendo trilha segue a direção no mapa  indicada pelo guia da viagem; uma orquestra segue um maestro; um aprendiz segue as orientações de um mentor; e assim por diante. Condenar a “hierarquia”, por si só, é condenar uma grande porcentagem dos comportamentos humanos morais, produtivos, voluntários e úteis.

Alguns chegam a fazer a absurda alegação de que para ser um anarquista a pessoa deve se opor a todo tipo de hierarquia. Mas ser “anarquista” significa defender que ninguém seja governado por ninguém, e uma hierarquia voluntária não tem nada a ver com governo. Aparentemente algumas pessoas tem o desejo juvenil de nunca ter que seguir ordens, instruções ou conselhos de outra pessoa. E isso faz com que algumas delas declarem como injusto e opressor qualquer tipo de hierarquia, ou seja, qualquer arranjo onde houver uma pessoa dizendo para outra o que ela deve fazer.

Essa visão imatura é o motivo pelo qual várias pessoas inventam em suas mentes uma opressão em um arranjo onde na verdade só há “empregadores” e “empregados”. Não, um “empregador” obviamente não tem o direito de forçá-lo a fazer o que ele quiser. No entanto, os empregadores tem todo o direito de não contratá-lo, de deixar de fazer trocas e de não interagir com você. É ridículo alegar que uma pessoa deixar de fazer trocas com outra é um tipo de opressão. Se duas pessoas chegam a um acordo com consentimento mútuo, onde uma paga uma certa quantia para que um trabalho seja realizado, não há nada de imoral ou opressivo nisso, mesmo que isso seja visto como um tipo de “hierarquia”.

Colocar a “hierarquia voluntária” e a “hierarquia forçada” em um mesmo grupo para depois condenar ambas, faz tanto sentido quando dizer que todas as negociações são roubo ou que todo contato físico é agressão. O problema é que os esquerdistas, que acham que tem direito a tudo, não conseguem entender a grande diferença que existe entre essas duas maneiras de pensar:

  1. “Eu deveria poder fazer o que eu quiser, quando eu quiser, sem precisar fazer nada para ninguém, e ainda assim ter o direito de receber gratuitamente todas as coisas que eu quiser.”
  2. “Ninguém tem o direito de me forçar a fazer qualquer coisa, mas ao mesmo tempo é útil cooperar com outras pessoas e fazer trocas voluntárias com elas, pois dessa maneira eu me beneficio e elas também”.

Essas duas maneiras de pensa são mutuamente exclusivas. Se você pensa da primeira maneira, você é um comunista. Se você pensa da segunda maneira, você é um ser humano racional.

Traduzido e adaptado do original escrito em 19 de novembro de 2016.

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Blog · Economia

É um ativista libertário que ficou preso por questionar a receita federal americana.