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A farsa Elon Musk

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President Barack Obama looks at the Flacon 9 launch vehicle with NASA Administrator Charlie Bolden at Kennedy Space Center Thursday, April 15, 2010.(AP Photo/Alex Brandon)
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Elon Musk é um dos maiores empreendedores da atualidade. Isso é inegável, mas o objetivo do artigo não é aqui questionar a sua capacidade empreendedora e sim o seu caráter. Elon Musk é o empresário que está por trás de empresas como PayPal, Tesla, SpaceX e SolarCity. Não tem como negar que são empresas com conceitos e propostas interessantes. Mas os elogios ao Musk morrem aqui. Vamos direto ao assunto.

Elon Musk tem sido exaltado como um dos ícones liberais e libertários da atualidade [1]. A SpaceX tem sido usada como exemplo de uma empresa privada que pode explorar o espaço. A verdade é que qualquer empresa razoavelmente grande que contrate as pessoas certas pode fazer isso. A SpaceX faz isso, mas o que poucos enxergam (ou se negam a enxergar ou simplesmente ignoram) é que a SpaceX tem um contrato bilionário com a NASA, que inclusive é orgulhosamente mencionado no site da empresa. [2] Um contrato de US$ 1,6 bilhão.

Porém, a imoralidade de Elon Musk não termina aí. Ele se mostra muito longe de qualquer ideal libertário ou mesmo liberal. Ele mantém parceria constante com governos (sim, no plural mesmo) para promover as suas empresas, o que explica muito a sua fortuna de mais de US$ 10 bilhões. [3] E ele costuma negar, mas o fato é que ele usa o argumento que diz que devemos salvar o planeta como pretexto para beneficiar as suas empresas. Um exemplo é ele ter defendido subsídios de US$ 4,9 bilhões para as suas empresas. [4] Bem como defende diferentes formas do governo intervir no mercado para preservar o clima. Inclusive impostos sobre a emissão de carbono e ainda diz que “diferentes produtos nocivos à saúde como tabaco e álcool já são muito mais tributados do que frutas” e que deve-se fazer o mesmo com o carbono. E ainda defende que “o governo precisa desempenhar um papel central”. [5]

Qualquer pessoa que ainda se defina pelo menos liberal defenderia corte de impostos e menos intervenção para pelo menos estimular a concorrência, mas o Elon Musk prefere usar o estado para atrapalhá-las. Murray Rothbard conhece esse tipo de estratégia que o estado usa muito. É a chama intervenção triangular. Rothbard aponta que existem três tipos de intervenções: autística, onde a intervenção ocorre em propriedades quando não há trocas envolvidas (agressões físicas, assassinatos e escravidão estão entre elas); binárias, intervenções onde o agressor age para conseguir diretamente a propriedade da vítima (roubos, por exemplo) e triangulares, onde a intervenção ocorre numa troca voluntária com o objetivo de beneficiar uma terceira parte. O Elon Musk defende a intervenção triangular por ele ser a terceira parte. [6]

Concluindo: o Elon Musk não tem ideia do grau do seu banditismo ao não apenas se beneficiar das ações criminosas do governo como ainda defender mais intervenções. Musk já até brigou pelo direito de realizar lançamentos militares para a China chegando a entrar na justiça, já que o principal contrato é com os americanos. [7] É alguém que é capaz de fazer qualquer acordo para fazer as suas empresas crescerem. Elon Musk, assim como qualquer corporativista é alguém que é contra o livre mercado. Defende subsídios, defende impostos para concorrentes com o pretexto de “salvar o planeta” [8], defende diversas outras intervenções pelo mesmo motivo e faz contrato com o governo.

Os defensores do Elon Musk talvez não saibam, mas essas intervenções defendidas por ele têm impacto negativo na economia. Nem me aprofundarei muito nos subsídios e contratos bilionários porque é sabido que isso implica roubo para custeá-los. Musk se beneficia disso e se ainda se gaba e defende como se os seus negócios fossem uma prioridade acima da ética. Agora vejamos as intervenções defendidas por ele. Musk defende impostos sobre a emissão de dióxido de carbono, algo que fatalmente atingirá seus concorrentes (companhias de energia e montadoras de automóveis). Veja que interessante, isso fatalmente vai encarecer os serviços de fornecimento de energia e os automóveis e vai prejudicar a todos que não possuem recursos suficientes para comprar os produtos da Tesla ou similares. Mas, se dependesse do Elon Musk, eu deveria pagar mais caro nesse carro, já que com os impostos maiores, os preços aumentam.

Elon Musk não é e está muito longe de ser alguém que represente qualquer coisa no meio libertário ou mesmo liberal. A não ser que sirva de mau exemplo. Na verdade, ele é um dos maiores inimigos do livre mercado. Não só se beneficia de intervenções como ainda as defende fervorosamente. Em outras palavras, é alguém a serviço dos piores criminosos. Mas por alguma razão é admirado, talvez pela sua visão empreendedora e por fabricar umas coisas legais, mas as suas benfeitorias justificam todos esses crimes? Obviamente que não. Até porque ele lucra com essas “benfeitorias”. Elon Musk tem que ser visto como ele realmente é e o que ele é enxergamos no rosto de quem se equipara a ele, alguém que trabalha para o crime organizado e ainda o apoia.

Notas:

Esse texto servirá apenas como uma resposta às objeções desse artigo.

Boa parte das objeções saíram de uma postagem do Dâniel Fraga. Apesar de ter gente que se ofendeu com o texto. Aqui farei comentários genéricos que equivalem os que li por aí.

“Mas para ser libertário devemos evitar o governo ou estado de qualquer jeito?”

Ora, usar o estado para fins justos não é o problema. Justo que eu digo é que é legitimamente ético e moral. Exemplo: usar os bombeiros para apagar o incêndio de sua casa ou ligar para a polícia para prender ladrões. Fazer esse tipo de coisa não legitima o estado da mesma forma que entregar a carteira para um assaltante ou pagar o resgate a um sequestrador não legitimam os seus crimes. Percebam que além de serem coisas inevitáveis, são serviços que podem existir num livre mercado pleno. O que o Elon Musk faz legitima o estado. Fazer parcerias com os governos, defender leis e subsídios e ainda tentar provar que o estado pode ser útil para esses fins para simplesmente beneficiar as suas empresas é uma atividade criminosa e incentiva o estado a intervir mais e mais.

“Mas sem aliança e parceria com o governo, Elon Musk não poderia explorar o espaço.”

E daí? Não poder explorar o espaço não é nenhuma limitação trágica. O ser humano viveu milênios com essa limitação. Aliança com os piores criminosos não pode ser justificada com nada, ainda mais com um fim tão supérfluo. É o mesmo que dizer que posso me aliar com os mais brutais grupos terroristas para fornecer serviços que podem ser úteis. Detalhe que ele faz isso para fins financeiros e ecologistas. Não é nem mesmo por caridade.

“Pelo menos ele está fazendo algo de útil. Ancaps só sabem reclamar atrás do computador.”

Elon Musk não fez nada de revolucionário. E sobre fazer algo útil a humanidade, todo mundo faz ou já fez algum dia. O meu trabalho é algo útil, fazer caridade é algo útil, criar conteúdo num blog idem, são coisas úteis e legítimas. Agora colocar a utilidade acima da ética não é nada legítimo. É o que o Elon Musk faz quando se alia com o governo para poder exercer essas atividades “úteis”. Não é questão de colocar uma viagem a Marte acima do ideal libertário (que ele não tem), mas de colocar um fim supostamente útil acima do que é justo e ético.

Referências:

[1] Isso podemos ver nesse artigo e nessa postagem do Portal Libertarianismo no Facebook em homenagem a ele:

[2] Trecho onde o contrato é mencionado:

“Under a $1.6 billion contract with NASA, SpaceX will fly numerous cargo resupply missions to the ISS, for a total of at least 12 —and in the near future, SpaceX will carry crew as well.”

Texto na íntegra aqui.

[3] De acordo com o ranking de 2015 da Revista Forbes.

[4] Segundo essa notícia do Los Angeles Times.

[5] Trecho da notícia:

“But the speech also made clear that government’s needed to play a central role, Mr Musk said. Many of Mr Musk’s businesses require on government subsidies and funding of their own.

Mr Musk said that the tax would be similar to those that are already on other harmful products. Cigarettes and alcohol are taxed much more highly than fruit, for instance.”

Veja o texto na íntegra aqui.

[6] Murray N. Rothbard; Governo e Mercado (São Paulo; Instituto Ludwig von Mises, 2012), pp. 31-33

[7] Para mais detalhes, acesse aqui.

[8] Veja por exemplo essa notícia do Independent.

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Austrolibertário, praxeologista, antipolítico, cristão e também contribui para os sites Foda-se o Estado e Instituto Rothbard.

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