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Eu no 3º Fórum “Liberdade” e Democracia

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Recentemente tive a felicidade de comparecer ao 3º Fórum Liberdade e Democracia de Vitória-ES. Minha felicidade, é claro, não foi assistir às palestras ministradas, cujo conteúdo eu já esperava de baixa qualidade, senão aversivo. Foi, antes, a oportunidade de me encontrar novamente com alguns amigos e, em especial, ver-me num ambiente onde se achavam à farta parceiros para colóquios sobre os temas do meu mais alto interesse. É revigorante estar num lugar onde todos querem conversar sobre os assuntos de que você gosta, onde o que você diz apaixonadamente é ouvido com interesse tão grande quanto aquele dispensado por você ao que dizem seus amigos em resposta.

Conversávamos longamente de um mesmo assunto, em pequenos grupos, depois já nos achávamos em outra rodinha de papo, outro tema, num dinamismo estimulante, que somente esse tipo de ambiente pode ensejar. A diversidade de especialidades entre o pessoal enriquecia as discussões. À configuração desse ambiente magnífico se mesclava o forte aroma de um café conilon especial em cujo estande podíamos degustá-lo à vontade.

Não havia para mim muito incentivo para assistir às fastidiosas palestras, mas minha curiosidade, juntamente com o estímulo de alguns amigos, empurrou-me a ver algumas. Falarei sobre as poucas que vi.

Como já se espera dessa laia ignorante autoproclamada liberais, as palestras tiveram conteúdo extremamente moderado; com efeito, no que diz respeito à moderação, eles são radicais. Convidaram também políticos para discursar, ao invés de apenas pessoas. É colossal a ingenuidade dos organizadores desse evento ao acreditar que algo que saia da boca de um político possa não ser estritamente aquilo que o público quer ouvir. Como me disse um amigo meu, políticos têm má fé presumida. Mas, claro, ingenuidade mesmo seria não desconfiar que o que de fato querem os cabeças desse evento é se promover politicamente, ter bons contatos e quem sabe integrar a massa parasítica que forma o governo.

Eu vi palestrantes clamarem por mudanças políticas, mas felizmente sem apontar a direção que se deve tomar. Clamaram por líderes, “precisamos de novos líderes!”, um grunhido autodestrutivo, tolo, um apelo em nome da própria escravidão. Ora, os líderes, no sentido de autoridades estatais, são exatamente o problema. Precisamos superar essa visão primitiva de que nossas vidas dependem de um líder que nos dê o caminho. Precisamos ignorar altivamente o estado.

Os discursos foram tão patéticos que algumas das pessoas que compareceram ao fórum com a mente aberta para receber novas ideias saíram do mesmo jeito que entraram. Colegas meus disseram que não ouviram nada que já não sabiam, decepcionaram-se com o vazio dos discursos. O corriqueiro antipetismo. Lembrei-me então de Ludwig von Mises, que alertou para não adotarmos um programa predominantemente negativo, que só atacasse as ideias contrárias, o que pode até promovê-las; temos sobretudo que ter um programa positivo, isto é, preocuparmo-nos em defender e espalhar as nossas ideias.

A proposta menos moderada que se ouviu, a qual ainda assim foi dita de modo tímido e como um ideal distante, foi a da desestatização da educação. Houve intensa defesa do sistema de vouchers – em vez do sistema livre de coerção – e ataques pesados contra a doutrinação nas escolas – em vez de contra o monopólio estatal da decisão sobre as diretrizes da educação. E quando se elogiou o programa estatal Prouni, enfatizou-se que ele tornou possível para um negro estudar nos EUA. Programas desse tipo são necessários porque conseguem levar negros às universidades. Por que esse fetichismo com negros? O que vale não é, presume-se, ajudar qualquer pessoa pobre? A direita brasileira é tão lastimável, tão decaída, que se impregnou do politicamente correto propugnado pela esquerda, e já tem dificuldade de enxergar as pessoas como iguais – ela precisa encontrar vítimas. Esqueceu-se de que todas as pessoas são igualmente seres humanos sofredores, comedores de pão. A direita brasileira de hoje é apenas uma esquerda moderada.

Não obstante o fracasso político e intelectual que são esses eventos social-democratas moderados, eu pretendo voltar aos próximos, se puder. Servem ao menos para dar ocasião oportuna para uma intelectualmente frutífera reunião de amigos meus que, juntos comigo, ficam longe dos palestrantes e perto do café.

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Foto de perfil de João Marcos Theodoro
http://criticidadevoraz.blogspot.com.br/

João Marcos Theodoro é acadêmico de Direito da FAESA.

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