banner
8 meses atrás
3870 Visualizações
8 0

Deus é um Anarquista

Escrito por
Compartilhe:

Semelhante aos ensinamentos incorretos sobre Romanos 13, o trecho da resposta de Jesus de Nazaré sobre o pagamento de impostos a César tem causado muita confusão e sofrimento para os cristãos. Através desses ensinamentos incorretos, as pessoas são ensinadas a pagar todos os impostos, a fazê-lo sem comentários, e fazê-lo com alegria. As pessoas aprendem que, apesar da ausência de consentimento explícito, os impostos são legítimos.

No entanto, essas interpretações tradicionais não podem ser conciliadas com o que a Bíblia revela sobre Deus e sobre o conceito de governo. Em nenhum momento a Bíblia mostra Deus iniciando um sistema político de governo onde os seres humanos governam outros seres humanos. A Bíblia mostra Deus ensinando o auto-governo e responsabilidade individual. Em suma, a Bíblia mostra Deus encorajando a anarquia e para os cristãos, os atos e palavras de Jesus afirmam essa filosofia.

O ensino tradicional é que Jesus encorajou todos a pagar impostos. Isso não é o que Jesus ensinou.

Considere a história contada no livro bíblico de Marcos:

“E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para o apanharem nas suas palavras. E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e não te preocupas com ninguém; porque não consideras a pessoa dos homens, mas ensina o caminho de Deus na verdade: É lícito dar Tributo a César, ou não? Devemos dar, ou não daremos?

Mas ele, sabendo a sua hipocrisia, disse-lhes: “Por que me tentam? Traga-me um denário, para que eu possa vê-lo.

E eles o trouxeram. E disse-lhes: ‘De quem é esta imagem na moeda?’

E disseram-lhe: De César.

Respondeu-lhes Jesus: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

E ficaram maravilhados com ele.”

Os leitores devem notar que Jesus não respondeu a pergunta. Observe os questionamentos formulando a pergunta: “É lícito  . . . “Legal de acordo com quem? De acordo com César? Não, tal perspectiva não teria sentido para o teste que os fariseus e os herodianos haviam conspirado. A questão era com relação à Lei de Moisés. A Lei de Miosés proibia adorar falsos deuses e ídolos. Pagar tributo era visto como o equivalente a adorar um deus falso. De fato, a história revela que o imperador romano se considerava um deus. Assim, no contexto apropriado a questão torna-se: “De acordo com a Lei de Moisés, é lícito dar tributo a César, ou não? Devemos dar ou não dar?”. Assim, responder afirmativamente seria uma violação da Lei de Moisés. Responder negativamente seria motivo para uma ação civil romana ou criminal contra Jesus.

Jesus não respondeu à pergunta.

***

Observe que Jesus não sacou uma moeda do seu próprio bolso ou pediu uma moeda a partir do saco de dinheiro dos seus discípulos. Isso é importante porque naquela época, os zelotes judeus eram um grupo político de pessoas que se opunham completamente ao domínio romano. Tão forte eram as suas crenças que eles se recusaram a usar ou até mesmo tocar a moeda romana (denário). Não sei se Jesus ou seus discípulos possuíam moedas romanas, mas ter mostrado uma sob as circunstâncias dessa pergunta teria imediatamente alienado os zelotes e teria encorajado os zelotes a acusar Jesus de apoiar o sistema político romano – uma violação da lei Lei de Moisés. Jesus parece ter evitado essa situação.

A hipocrisia da cena é que, se os fariseus e herodianos realmente acreditavam que a Lei de Moisés era superior ao direito romano, então eles também nunca teriam tido em sua posse uma moeda romana. No entanto, eles rapidamente mostraram uma mediante solicitação.

***

O desafio com a resposta de Jesus é que ambas as cláusulas de sua resposta são óbvias.

Por causa do poder sutil de obviedades, as pessoas interpretam a resposta de Jesus de acordo com a sua própria visão subjetiva de mundo. Jesus não respondeu à pergunta. Ele só forneceu a ilusão de responder à pergunta.

Jesus não declarou que as pessoas deveriam pagar impostos. Jesus declarou que, se algo pertence legitimamente a César, então, deve ser propriedade de César. Quando lido a partir de uma perspectiva de direitos de propriedade, não há mistério com o texto. A imagem de César na moeda era um sinal ou selo de que a moeda pode pertencer a César.

Um erro que muitas pessoas fazem a respeito desta e de outras passagens bíblicas semelhantes é que as pessoas tendem a interpretar o significado através do foco do estatismo. No entanto, em nenhum lugar a Bíblia revela Deus iniciando um sistema político onde os seres humanos governam outros seres humanos. A Bíblia revela que Deus é um anarquista. De acordo com os textos bíblicos o estatismo é ilegítimo diante dos olhos de Deus e, portanto, qualquer interpretação estatista é falha e incorreta. Ambas as Bíblias judaicas e cristãs devem ser lidas com a plena compreensão de que o Deus da Bíblia é um anarquista e que a Lei primária para todos os seres humanos é a não agressão. O Deus da Bíblia é um fiel respeitador dos direitos de propriedade e livre-arbítrio.

Se Deus é um anarquista, Deus também é apolítico. Os sistemas políticos são ilegítimos e sem sentido para Deus. Jesus tinha a mesma perspectiva. Em outras palavras, a questão colocada a Jesus pelos fariseus e herodianos era irrelevante e imaterial. As histórias de Jesus indicam que ele se recusou a ser puxado para debates políticos irrelevantes.

Por causa da educação estatista e lavagem cerebral, hoje muitas pessoas lêem a resposta de Jesus e tendem a entender as palavras como uma declaração de que as pessoas devem impostos. Eles interpretam a resposta dessa maneira porque o estatismo é a base moral que escolheram para inspecionar as palavras. Eles ouvem apenas o que eles querem ouvir.

Observe o incrível poder de uma afirmação óbvia: Ninguém poderia acusar Jesus de traição. Considerando a intenção dos fariseus e herodianos, provavelmente alguns romanos estavam convenientemente próximos e ouviram Jesus pronunciar sua resposta. Esses romanos, provavelmente, riram e disseram: “Agora, há um judeu que conhece seu lugar com César!” No entanto, esses mesmos romanos ouviram as mesmas palavras que todos os demais e interpretaram de acordo com sua própria visão filosófica.

Com esse entendimento, a resposta de Jesus assume um novo significado, um significado que é consistente com as Bíblias judaicas e cristãs, e é consistente tanto com a Lei de Moisés como com a Regra de Ouro (amar a Deus e amar o próximo).

***

Jesus ofereceu uma sutil declaração com sua afirmação: César representa o estatismo. Em nenhum lugar na história uma organização estatal de pessoas – seja um imperador, um ditador, um rei, uma oligarquia, república constitucional, ou uma democracia – nunca obtiveram título de propriedade sem violar a regra fundamental de não agressão. Todos os estatistas roubam. Assim, Jesus, ao proferir uma obviedade, permitiu que as pessoas acreditassem em tudo o que queriam acreditar. No entanto, Jesus dissera secretamente (para aqueles que queriam ouvir) que César não tinha legitimidade, que César nunca tinha obtido propriedade de maneira legal. Tudo que César alegava possuir era realmente a legítima propriedade roubada de outras pessoas.

Assim, declarar que as pessoas deviam dar a César as coisas que são de César era outra maneira de declarar que César não possuía legalmente nada, de modo que nada era devido a César. Na melhor das hipóteses, que a imagem de César que estava na moeda só significava que César poderia reivindicar a propriedade da moeda e isso é tudo. César de outra maneira não tinha nenhuma posição para reivindicar qualquer outra propriedade.

Jesus não declarou que as pessoas deveriam pagar impostos. Jesus declarou o contrário. Ele declarou que César não tinha legitimidade e ninguém devia algo a César.

***

Embora Jesus declarasse que as pessoas deveriam dar a César qualquer coisa que pertencesse a César, observe que Jesus mudou a ênfase da resposta acrescentando uma segunda cláusula à sentença. Jesus declarou que as pessoas devem dar a Deus tudo o que pertence a Deus. Deus é apolítico, um anarquista. Assim como Jesus. O foco de Jesus sempre esteve no Reino de Deus. Assim, uma resposta natural de Jesus era ignorar o ângulo político e focar num ângulo espiritual.

A segunda cláusula da resposta de Jesus é reveladora. Porque Jesus era um anarquista e apolítico, ele nunca iria perder tempo tentando defender ou argumentar contra uma ilegítima lei. As histórias sobre Jesus tendem a mostrar que Jesus rejeitou reivindicações falsas de governo.

Considere o silêncio de Jesus diante do Sinédrio (tribunal com poderes criminais, políticos e religiosos). Considere a resposta de Jesus de que Pilatos não tinha poder (político) exceto o que foi dado de cima – de César. Em outras palavras, se o poder político de César era ilegítimo, então o era Pilatos. Isto é, como César, Pilatos viveu apenas sob uma ilusão de governo. Da mesma forma, com relação à Lei de Moisés, o Sinédrio também não tinha legitimidade.

Ainda mais surpreendente sobre a resposta de Jesus é a afirmação da conclusão de Salomão no livro de Eclesiastes. Depois de perceber que todo estatismo e poder são vãos, Salomão declarou a responsabilidade de todo humano:

“Ouçamos a conclusão de todo o assunto: Temei a Deus, e guardai os seus mandamentos; porque este é todo o dever do homem. Pois Deus trará toda obra em juízo, com toda coisa secreta, seja ela boa ou seja má.”

As histórias sobre Jesus indicam que ele aceitou os textos judaicos como autoridade. Portanto, a segunda cláusula da resposta de Jesus afirmou a observação final feita por Salomão. Honre a Deus – não agredindo a propriedade de outras pessoas. Siga esse princípio simples e mantenha todos os mandamentos mosaicos. Dar a Deus o que é de Deus é obedecer a esses mandamentos.

Porque os estatistas roubam, eles invadem. Estatistas sempre violam esse princípio e, portanto, violam a Lei de Moisés. Esses simples entendimentos e observações ensinam que Jesus não defendeu o pagamento de impostos. Jesus provavelmente nunca iria responder a essa pergunta, mas se o fizesse, ele provavelmente iria responder que os impostos só são devidos se forem pagos voluntariamente. Caso contrário, impostos serão extorsão ou roubo.

Dê a César as coisas que são de César. César poderia possuir alguma posição legal sobre a moeda por causa de sua imagem nela, então devolva a moeda para ele. César originalmente emitiu a moeda. No entanto, tenha em mente que em toda a realidade César legalmente possuia nada. César não tem autoridade para governá-lo.

Dê a Deus as coisas que são de Deus. A posição de César é limitada, como também é a sua. Não agrida a propriedade de terceiros e, por definição, você dará a Deus tudo o que ele pede.

Finis.


Publicação original
aqui.
Autor: Darrell Anderson

Tradução: Marcos Jr.

Compartilhe:
Tags dos artigos:
· · ·
Categorias dos artigos:
Libertarianismo
banner

Espaço reservado para autores diversos.