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abr 29, 2019
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Democracia – O deus que continua falhando

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Democracia – O deus que continua falhando

 

Carlos Berthier [1]

Paulo Fernandes [2]

 

 Resumo: O presente texto tem como objetivo tecer críticas ao modelo democrático em seus aspectos econômicos e sociopolíticos, contrapondo-se à noção mais difundida nos meios midiáticos e acadêmicos. Para tanto, estabelecer-se-á um apanhado de conhecimento econômico oriundo da Escola Austríaca de Economia e a perspectiva jusfilosófica da corrente libertária.

Palavras-chave: Democracia; Política; Economia; Escola Austríaca de Economia; Libertarianismo.

 

Abstract: The present text aims to criticize the democratic model in its economics and socio-political aspects, opposing the notion more widespread in the media and academic sectors. To this end, a collection of economics knowledge from the Austrian School of Economics and the legal philosophy perspective of the libertarian current will be established.

Keywords: Democracy; Politics; Economics; Austrian School of Economics; Libertarianism.

 

  1. Introdução

Passados todos os desastres humanitários e bélicos do século XX, ocasionados majoritariamente por monarquias e regimes totalitários, a democracia moderna emerge como uma boa e sólida forma de alternância entre governantes, a fim de evitar as catástrofes anteriores e dar maior participação da população ao processo de seleção de seus governantes, permitindo-a pleitear cargos dentro da organização estatal e poder escolher os indivíduos que alcançarão essas posições. A democracia é vista como um avanço sociopolítico e endeusada como tal perante todos os outros regimes (totalitarismo e autocracia). Essa visão não poderia estar mais errada.

O estado [3] é a organização social que visa a manter o monopólio do uso da força e da violência em uma determinada área territorial [4] por meio do estabelecimento de um vínculo hegemônico (não voluntário). Exercendo tal monopólio somado ao monopólio territorial compulsório sobre a decisão jurídica final a ser tomada (monopólio da jurisdição), o estado acaba por reivindicar e exercitar o monopólio do crime. Proibindo o homicídio privado, mas organizando o homicídio em escalas antes inimagináveis. Punindo o roubo privado, mas promovendo a espoliação da propriedade seja dos seus cidadãos seja de estrangeiros [5].

Sobre a democracia, vale ressaltar que é um método de agregação de preferências individuais acerca de diversas questões que afetam o conjunto do coletivo [6]. É a organização política na qual os mais desejosos ao controle do aparato estatal tentam persuadir uma quantidade considerável de eleitores de que é economicamente viável e eticamente defensável viver à custa do confisco da renda dos restantes. No tocante a essa questão, o economista francês Frédéric Bastiat, em 1848, escreveu uma frase que segue sólida até os nossos dias: “A ilusão dos dias de hoje é tentar enriquecer todas as classes, à custa umas das outras” [7].

Para ilustrar os processos que resultam de um regime democrático, tomemos o princípio basilar da democracia moderna: o princípio do “um homem – um voto” e apliquemos em dois cenários distintos, mas com o mesmo teor de complexidade.

Primeiramente, façamos o experimento mental de que exista um governo mundial que tenha sido eleito democraticamente. Observando o número de habitantes de cada país [8] fica fácil constatar de que haveria uma coalizão governamental entre chineses e indianos e alguns países economicamente dependentes da China e da Índia. Para garantir a estabilidade e aprovação do governo recém-eleito, medidas populistas dever-se-ão ser adotadas. Não é difícil crer que estes políticos considerariam que o denominado mundo ocidental é por demais rico e desenvolvido, enquanto que os países com a soberania desse governo seriam considerados paupérrimos, sendo necessária a redistribuição de riquezas e renda em favor da China, Índia e países relativos.

Em outro cenário, limitemos a um governo nacional em que menores de 18 anos de idade pudessem votar. No cenário brasileiro, onde mais de 1/4 da população tem essa faixa etária [9], quais seriam as consequências disso? Não é duvidoso pensar que, para conquistar tamanha fatia do eleitorado, os políticos responderiam de forma a sanarem as “demandas da população” prometendo políticas assistencialistas como: “Meu Hambúrguer, Minha Vida”, “Bolsa-Refri”, “Programa de Aceleração do Videogame” e o “Programa Internet para Todos”. Todos eles sendo “públicos, gratuitos e de qualidade”.

A divinização e contínua expansão do regime democrático, i.e., do privilégio ao voto e do sufrágio universal, ativou um movimento aparentemente permanente em direção à redistribuição de riqueza e renda. O resultado não poderia ser mais catastrófico: uma tragédia dos comuns [10]. Assim como no primeiro exemplo, a maioria formada por aqueles que “têm pouco” irão implacavelmente tentar se enriquecer à custa da minoria formada por aqueles que “têm muito”.

Ainda que todas as pessoas sejam avessas ao roubo, essa tentativa de redistribuição tão somente se dará por meio da espoliação (taxação). Sob um regime democrático, a tentação de se apropriar dos bens dos outros, i.e., roubo, perde todas as inibições morais e legais e passa a ter caráter legítimo para aqueles que serão beneficiados em detrimento dos espoliados que deverão se submeter à vontade da maioria.

Bastiat novamente direciona sua mensagem quando escreve:

A LEI PERVERTIDA! (…) A lei, digo, não somente distanciada de sua própria finalidade, mas voltada para a consecução de um objetivo inteiramente oposto! A lei transformada em instrumento de qualquer tipo de ambição, ao invés de ser usada como freio para reprimi-la! A lei servindo à iniquidade, em vez de, como deveria ser sua função, puni-la!  [11].

O consenso relativo ao sentimento de inveja antes tido como imoral e adequadamente abolido por uma tradição que se consolidou ao longo do tempo, agora, pelos “anseios democráticos”, passa a ser considerado como um anseio legítimo da população. Assim, políticos recebem incentivos destrutivos de proporem medidas legislativas e de tributação que respondam a esses anseios, ainda que isso viole a propriedade dos outros. Dessa forma, é consolidado o “Estado Democrático de Direito”, o regime onde todos são corrompidos em suas faculdades morais e passam a cobiçar abertamente a propriedade alheia se a democracia assim aprouver; igualmente, é tida como justa a espoliação em nome da maioria democrática.

 

  1. Características democráticas

 

  • Sobre os políticos

Em um regime democrático há o surgimento de uma nova casta social: a política. A finalidade desta casta é legislar e executar, principalmente, ações que visem expropriar alguns indivíduos em prol de outros. Por preferências e incentivos de tal posição, dentro do aparato estatal, geralmente agem em benefício próprio, aquilo que chamamos de “corrupção”.

A fim de mascarar tal mecânica, é rapidamente divulgada a errônea ideia de que “o estado é o povo” [12] por meio de propagandas, eleições recorrentes etc. Ou seja, a casta política que é, por definição, invasora de propriedade, passa a ser confundida com a casta comum, das pessoas que são invadidas. Ainda, as violações éticas [13] passam a serem tidas como algo costumeiro, levando ao consenso de que é uma normalidade, e não uma anomalia, até a pacificação da população quando a propriedade dos indivíduos é violada pela alegação de alguma legislação ou medida necessária ao estado. Não há deturpação de realidade maior do que essa.

Então, como se dará a escolha pelo “melhor político”? A lei de oferta e demanda é aplicada até mesmo nessa questão. Aquele que conseguir ser mais demagógico, i.e., ofertar promessas que agradem ao eleitorado e suas demandas, será aquele com a melhor colocação e adentrará à organização estatal. Posto isto, verifica-se que a democracia tende a impulsionar o pior tipo de competição existente: a dos políticos. Quem for mais demagogo, desenvolvendo características selecionadas ao longo do tempo – tais como: mentir, fraudar, iludir, manipular, trapacear, roubar e até matar – será o aclamado líder de uma nação e “representante do povo”.

Dessa forma, por que votar em alguém que pode ter inúmeros benefícios e não competir para entrar no mesmo aparato? Porque competir pode envolver muitas perdas e riscos. Melhor seria para alguém com tal visão se associar a quem já está posto no sistema político e pedir um cargo público. Com a crescente popularização desses meios, a quantidade de políticos, seus asseclas e “aspones”, casos de nepotismo etc., tendem também a crescer.

Por tamanha depravação moral é que as pessoas mais realizadas não estão na política. Pelo contrário, elas se encontram na iniciativa privada, realizando ações empreendedoras sejam em menor escala, como um trabalhador, ou em maior escala, como um empresário.

Sobre este assunto, um dos maiores jornalistas do século XX, Henry L. Mencken, escreveu que seria “uma impossibilidade psíquica um cavalheiro se tornar membro do governo”. Enquanto que os “bons” não entram para a política (por motivos quase óbvios), aqueles depravados morais que estão a concorrer pelo voto do eleitorado, “em virtude de seu talento para o absurdo e para as tolices”, estão aptos a seduzirem a população, seja com um discurso tendente a um lado do espectro político ou outro, mas sempre com o objetivo de serem eleitos.

Assim escreve Mencken:

Os políticos raramente, se nunca, são eleitos apenas por seus méritos — pelo menos, não em uma democracia. Algumas vezes isso acontece, mas apenas por algum tipo de milagre. Eles normalmente são escolhidos por razões bastante distintas, a principal delas sendo simplesmente o poder de impressionar e encantar os intelectualmente destituídos.

 

Será que algum deles iria se arriscar a dizer a verdade sobre a real situação do país? Algum deles iria se abster de fazer promessas que ele sabe que não poderá cumprir — que nenhum ser humano poderia cumprir?

 

Iria algum deles pronunciar uma palavra, por mais óbvia que seja, que possa alarmar ou alienar a imensa turba que se aglomera ao redor da possibilidade de usufruir uma teta que se torna cada vez mais fina?

 

Eles todos prometerão para cada homem, mulher e criança no país tudo aquilo que estes quiserem ouvir. Eles todos sairão percorrendo o país prometendo remediar o irremediável, socorrer o insocorrível, e organizar o inorganizável. Todos eles irão curar as imperfeições apenas proferindo palavras contra elas. Quando um deles disser que dois mais dois são cinco, algum outro irá provar que são seis, sete e meio, dez, vinte, n.

 

Em suma, eles irão se despir de sua aparência sensata, cândida e sincera e passarão a ser simplesmente candidatos a cargos públicos, empenhados apenas em capturar votos. Nessa altura, todos eles já saberão – supondo que até então não sabiam – que, em uma democracia, os votos são conseguidos não ao se falar coisas sensatas, mas sim ao se falar besteiras; e todos eles dedicar-se-ão a essa faina com vigoroso entusiasmo.

 

A maioria deles, antes de o alvoroço estar terminado, passará realmente a acreditar em sua própria honestidade. O vencedor será aquele que prometer mais sem a menor possibilidade de cumprir o mínimo [14].

Para ser um bom político, basta ser um depravado. Para ser eleito, basta ser o melhor político.

 

  • Sobre a redistribuição de renda

 

Segundo as ideias dos “redistribucionistas”, caso a riqueza dos mais ricos seja confiscada e então redistribuída entre aqueles que pouco têm, a prosperidade será rapidamente alcançada. O maior regime que já elaborou e colocou em prática tal redistribuição foi a tão “próspera” União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o “paraíso” igualitário e equitativo.

Em seu programa de redistribuição, Stalin teve a “genial” ideia de confiscar a riqueza de fazendeiros de sucesso e fazer a partilha entre a população – evento que ficou conhecido como Holodomor ou Grande Fome da Ucrânia. Resultados: escassez de alimentos e inanição, com um quadro de cerca de cinco milhões de mortos [15]. Durante a década de 1930, a taxa de mortos por fome sob o regime de Josef Stalin foi similar ao número de mortos provocados durante o Shoá (também conhecido por Holocausto, ainda que a atribuição desse termo seja totalmente equivocado) provocado por Hitler na década seguinte [16]. Como pontuou o primeiro-ministro inglês Winston Churchill, em discurso à Câmara dos Comuns em 1945: “O defeito inerente do Capitalismo é a divisão desigual das bênçãos; a virtude inerente do Socialismo é a divisão igualitária da pobreza” [17].

Vale ressaltar que, sob uma ditadura, os bens de alguém podem ser confiscados por completo a qualquer momento pelo estado. Se o resultado da redistribuição sob uma ditadura, a qual o poder de ação estatal é ilimitado, já é desastroso, achar que sob um regime democrático poder-se-á alcançar algum resultado positivo é deveras ingênuo.

São necessárias várias reuniões, debates, logrolling (troca de favores para aprovação de um projeto de lei) [18] e outros estratagemas para que algo seja feito. E, ao final, isso gera o efeito inverso, pois, quando os potenciais alvos da ação do estado descobrem que em breve serão vítimas dos confiscos, tão logo eles se defendem por enviar seus bens para o exterior ou se mudam para outro país, por exemplo.

Quando há essa ameaça iminente para os ricos e pessoas com alto capital humano (experiência produtiva) e há a resposta de fuga, os resultados são desastrosos.

Por exemplo, durante a ditadura cubana, Fidel Castro passou a confiscar a riqueza dos mais ricos. O resultado não foi outro: os alvos desertaram o país, deixando grande parte ou até completamente suas fortunas, fugindo para a Flórida. Enquanto o estado americano passava por um tremendo avanço econômico provocado pela imigração desses cubanos, aqueles que permaneceram em Cuba e receberam os resultados da política de redistribuição se mantiveram e se mantêm na miséria que perdura até os dias atuais [19] [20] [21] [22] [23].

Segue, portanto, intacta a mensagem do ditado popular: “Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo toda a vida”.

Ao invés disso, a visão política é dar repetidamente uma unidade de peixe por vez, ameaçando os cidadãos de que, sem a atuação dos seus “benfeitores”, eles nunca teriam o que comer. É dessa forma que alguém consegue a maioria dos votos.

 

  • Sobre as influências incutidas nos indivíduos

 

Imediatismo comportamental

O regime democrático tem como característica natural o surgimento de uma preferência temporal alta (o impulso a gastar recursos ao invés de poupá-los) [24] que, consequentemente, gera um comportamento imediatista, sem preocupações ou ações com visão em longo prazo, não só nos governantes, mas também nos governados [25].

Tendo em vista que políticos eleitos democraticamente possuem o cargo de maneira temporária, existe um maior incentivo para que os recursos disponíveis sejam usados de maneira irresponsável com a finalidade de popularizar projetos e ações que em curto prazo serão benéficas à população [26]. Há, portanto, a geração de uma situação confortável para irresponsabilidade monetária. Contudo, isso tende a gerar dívidas públicas altíssimas a longo prazo, pois, a preocupação do político é agradar seus eleitores com feitos absurdamente bons, mas que se revertem, gerando crises econômicas e revoltas sociais em um momento futuro.

Um exemplo disso foram as duas expansões monetárias feitas pelo governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (preso por corrupção e lavagem de dinheiro), que, na época, agradou aos leigos em assuntos econômicos, porém, se converteu em desvalorização da moeda nos anos seguintes.

Conflagração social e parasitismo

Não é novidade que pessoas diferentes discordem em algum aspecto entre si, em alguns casos até mesmo desenvolvem aversão por causa de suas diferenças. A democracia é o meio pelo qual esse cenário é escalado a nível nacional. Por ser um regime em que cada um escolhe o candidato que mais irá beneficiar o seu grupo ou classe social, acaba por gerar uma separação em que cada grupo se isola para apoiar e eleger um determinado candidato que irá beneficiá-lo à custa de todos os outros grupos.

Uma clara consequência disso é a segregação social, onde os indivíduos não mais frequentam locais e desistem de atividades benéficas socioeconomicamente por simples discordância para com os valores adotados pelo proprietário ou funcionário de um estabelecimento.

Isso ocorre em grande parte porque a politica não pode adotar medidas cooperativistas, mas exploradoras. Para impor uma vontade, em um regime democrático, é necessário que exista uma batalha onde quem conseguir mais apoiadores terá sua vontade feita, gerando separações e conflitos entre grupos.

Ainda mais, quando as consequências de um governo são informadas e sentidas pela população, é muito comum que as pessoas culpem os eleitores daqueles políticos eleitos e não os próprios políticos. Entretanto, poucas são as pessoas que percebem que o real inimigo e arquiteto dessas falhas é o estado democrático em si.

Coerção

Já é senso comum a suposta conexão entre liberdade e democracia, mas isto é, de fato, um erro grotesco de entendimento sobre o regime democrático. Em uma democracia não há liberdade, pelo contrário, sua liberdade está sujeita às vontades da maioria, que caso decida que você não é mais um homem livre, então não o será.

O voluntarismo, a adoção de relações voluntárias (harmônicas) por vínculos contratuais e repúdio pelas relações coercitivas (hegemônicas), como corolário da ética de propriedade, entra em conflito direto com a ideia de democracia, visto que nela toda ação voluntária está sujeita à permissão e aceitação de um grupo de pessoas.

A história demonstra esse lado pouco falado da democracia. Diversos são os casos em que o proibicionismo é aplicado pela vontade de uma minoria que se aliou ao estado (lobbies) – que, em teoria, representaria a vontade da maioria –, seja em relação ao álcool, drogas etc. A proibição, além de ser errada [27], também é economicamente prejudicial, pois acarreta o aumento dos preços devido às taxações e diminuição da oferta enquanto a demanda não é diminuída. Proibicionismo gera monopólio, que por consequência gera um produto ruim, caro e escasso [28] [29] [30].

Coletivismo e omissão

Como já posto, uma característica marcante na democracia é a enganação. O método democrático permite ao governante tomar as decisões que quiser e a população dificilmente questionará. A própria democracia causa a sensação enganosa de que, “por estarmos em um regime democrático”, tal decisão foi tomada pelo povo. A falta de liberdade é vista como uma maioria exercendo sua “liberdade democrática”.

Essa submissão ao estado causa prejuízos e aumento de gastos públicos, pois a ilusão de que “a maioria decidiu, logo deve ser respeitada” deu aos atuais políticos algo que, em gerações passadas, resultaria em revoltas e revoluções: o poder de não serem questionados – e mais: o poder de agredir quem questionar.

Corrupção e imoderação

A corrupção é um problema claro e intrínseco no regime democrático. A partir do momento em que a motivação para se ter determinado governante parte do interesse próprio do eleitor para que seja beneficiado, é claro que as elites desta camada e de outras vão estar por trás dos panos. Ser favorecido à custa dos outros é uma das motivações para apoiar o regime democrático.

E essa corrupção na qual a culpa é dada somente ao político ou partido especifico gera comodidade para o regime democrático como um todo, que continua a propagar seus erros e enganações. Não é somente o político que é corrupto, o próprio sistema democrático gera incentivos à corrupção. Um lugar onde você pode eleger alguém com plenos poderes e capacidade de te favorecer é um paraíso para corruptos.

 

  1. Conclusão

Assim pontua Ludwig von Mises, considerado o maior economista do século XX:

Não há realmente nenhuma diferença essencial entre o poder ilimitado do estado democrático e o poder ilimitado da autocrata.

A ideia, defendida por demagogos e seus apoiadores, de que o estado pode fazer tudo o que desejar e nada deve se opor à vontade do povo soberano, tem gerado consequências mais nefastas até mesmo, talvez, do que a sede de poder de principezinhos degenerados [31].

A democracia compreende três fatores: você tem o direito de votar; você tem o direito de concorrer a algum cargo público; a maioria decide. A propriedade dos cidadãos está nas mãos dos mais pervertidos e inescrupulosos seres humanos. Não há mais garantia de coisa alguma. Uma vez composta a nova máfia de zeladores temporários do coercitivo aparato estatal, tudo o mais que se segue é da vontade de tais parasitas.

Portanto, a democracia deve ser recusada por incitar nas pessoas, tanto eleitores quanto políticos, aquilo que há de mais danoso à humanidade: a pacificação e o desejo pela espoliação. A arma da população jamais poderá ser o voto. Muito pelo contrário, esta é a escusa do parasita. As verdadeiras armas, não por mero acidente, estão todas proibidas.

Em contrapartida, onde vigora o maior rigor na garantia da ética de propriedade é exatamente onde as ideias corretas predominam na vanguarda da batalha intelectual. Nosso objetivo deve ser o de influenciar aquilo que, em última análise, determina o curso da história: as ideias. Mas não é possível defender as ideias corretas e, ao mesmo, tempo, defender políticos.

 

Referências

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[1]  Centro de Educação Internacional – CEI COC. Estudante de ensino médio do Centro de Educação Internacional – CEI COC. E-mail: [email protected].

[2] Universidade Estadual da Paraíba – UEPB. Acadêmico do curso de Direito da Universidade Estadual da Paraíba. E-mail: [email protected].

[3] É grafado aqui o termo “estado” com inicial minúscula tendo em vista que a atribuição de personalidade a uma instituição tal como esta estabelece uma deturpação da natureza desta organização. Portanto, simboliza a quebra do ideal de uma dependência desse governo compulsório e a derrocada da atribuição de característica de fé cega e irracional na força de um ente supostamente capaz de ditar os rumos da sociedade.

[4] ROTHBARD, Murray N, A Anatomia do Estado (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2012), p.8.

[5] NOCK, Albert J, On Doing the Right Thing (New York: Harper and Bros., 1929), p.143.

[6] CHRISTIANO, Tom, “Democracy”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2018 Edition), Edward N. Zalta (ed.). Disponível em: <https://plato.stanford.edu/archives/fall2018/entries/democracy> Acesso em 11 de janeiro 2019.

[7] BASTIAT, Claude F, A Lei, (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2010), p. 21.

[8] INFOPLEASE, World’s 50 Most Populous Countries: 2015. Disponível em: <https://infoplease.com/world/population-statistics/worlds-50-most-populous-countries-2015> Acesso em 11 de janeiro 2019.

[9] UNICEF, Infância e adolescência no Brasil. Disponível em: <https://unicef.org/brazil/pt/activities.html> Acesso em 11 de janeiro 2019.

[10] HARDIN, Garrett, The Tragedy of the Commons, (Science, 1968). Disponível em: <https://science.sciencemag.org/content/162/3859/1243> Acesso em 11 de janeiro de 2019.

[11] BASTIAT, Claude F, A Lei, (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2010), p. 11.

[12] Ver ROTHBARD, Murray N, A Anatomia do Estado (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2012), p. 7-14.

[13] Ver HOPPE, Hans-Hermann, The Economics and Ethics of Private Property – Studies in Political Economy and Philosophy (Auburn, Alabama: Ludwig von Mises Institute, 2006), p. 339-345.

[14] MENCKEN, Henry L, A Mencken Chrestomathy: His Own Selection of His Choicest Writing (New York: Vintage Books, 2012).

[15] WOODS, Thomas, A fome na Ucrânia – um dos maiores crimes do estado foi esquecido. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=1046> Acesso em: 18 de janeiro 2019.

[16] RUMMEL, Rudolph J, Marxismo: a máquina assassina. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=1584> Acesso em: 18 de janeiro 2019.

[17] CHURCHILL, Winston. Disponível em: <https://winstonchurchill.org/resources/quotes/vice-of-capitalism> Acesso em 25 de janeiro 2019.

[18] Ver GIANTURCO, Adriano, A Ciência da Política – Uma Introdução, (São Paulo: Forense Universitária, 2017).

[19] RALLO, Juan R, Os números de Cuba, divulgados pelo seu próprio governo, comprovam: socialismo é pobreza. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=2367> Acesso em: 18 de janeiro 2019.

[20] COSTA, Diogo, Por que Cuba é pobre. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=1792> Acesso em: 18 de janeiro 2019.

[21] CHARTRAND, Nelson R, A precária situação alimentar cubana. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=1904> Acesso em: 18 de janeiro 2019.

[22] FONTOVA, Humberto, A medicina cubana – um modelo? Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=350> Acesso em: 18 de janeiro 2019.

[23] CHARTRAND, Nelson R, Alerta de um cubano: tomem cuidado com os estímulos morais do socialismo. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=1980> Acesso em: 18 de janeiro 2019.

[24] VON MISES, Ludwig, Ação Humana – Um Tratado de Economia (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010), p. 605-611.

[25] Ver HOPPE, Hans-Hermann, Democracia – o Deus que Falhou (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2014), p. 31-74.

[26] HOPPE, Hans-Hermann, Democracia – o Deus que Falhou (São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2014), p. 55.

[27] O ponto tratado é de um ponto de vista ético, onde o consumo em si não gera violação de propriedade. Contudo, de um ponto de vista moral, os autores não recomendam o uso de tais substâncias.

[28] LASORSA, Brian, Cinco maneiras de se criar um monopólio. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=1728> Acesso em: 21 de janeiro 2019.

[29] WOODS, Thomas, Monopólio e livre mercado – uma antítese. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=366> Acesso em: 21 de janeiro 2019.

[30] BARBIERI, Fabio, O economista e os monopólios. Disponível em: <https://mises.org.br/Article.aspx?id=1358> Acesso em: 21 de janeiro 2019.

[31] MISES, Ludwig von, Socialism: An Economic and Sociological Analysis (New Haven: Yale University Press, 1951), p. 76.

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