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A cidade alemã onde os moradores pagam R$ 3,23 de aluguel por ano, o mesmo valor desde o ano de 1521

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O aluguel subiu e está com dificuldades de pagar a conta? Esse é um problema desconhecido para os moradores da comunidade de Fuggerei, um conjunto habitacional na cidade de Augsburg, a terceira maior cidade da Baviera (um dos dezesseis estados federais da Alemanha) com 300 mil cidadãos.

A vila de Fuggerei é um complexo de moradias, conhecida como “o projeto habitacional mais antigo do mundo”. O valor do aluguel não subiu ali desde 23 de agosto de 1521, data de sua inauguração, quando era cobrado apenas 1 florim, esse valor hoje equivale a 88 centavos de euro, ou R$ 3,23 na cotação de hoje.

Fuggerei foi fundada por Jakob Fugger, “o Rico” (foto destaque do artigo), um alemão que nasceu em uma família rica e que apesar de não ser da aristocracia, conseguiu aumentar ainda mais a fortuna da sua família com operações comerciais e mineração, então ele resolveu destinar parte de seu dinheiro à construção de um complexo residencial para os necessitados.

O local abriga cerca de 150 pessoas que vivem em casas pitorescas, algumas das quais atravessaram os séculos com suas fachadas quase inalteradas.

A maioria dos apartamentos no Fuggerei tem cerca de 60 metros quadrados e cada um tem uma entrada privada.

 

"Somos uma pequena comunidade e nos damos bem", diz Ilona Barber, de 66 anos.

“Somos uma pequena comunidade e nos damos bem”, diz Ilona Barber, de 66 anos

Local recebe cerca de 180 mil visitantes por ano.

Local recebe cerca de 180 mil visitantes por ano

Contendo ainda um museu, um apartamento-modelo e um bunker construído durante a Segunda Guerra Mundial, o complexo é um dos principais atrativos de Augsburg: recebe cerca de 180 mil visitantes por ano, o bilhete individual para visitar a vila custa € 4 euros.


Vida regrada

Mas o presente vinha com condições registradas por escrito: para viver em Fuggerei, além de necessitado por motivos econômicos e sem ser por meio de endividamento, era preciso ser da cidade de Augsburg (hoje é exigido que comprove ter morado em Augsburg há pelo menos dois anos), também deve ser católico e rezar três vezes por dia um Pai Nosso, um credo e uma Ave Maria para o fundador e sua família. Você também precisa ter uma boa reputação e não ter nenhuma condenação criminal.

As mesmas condições continuam valendo hoje em dia, mas segundo Astrid Gabler, porta-voz de Fuggerei, a decisão de cumprir ou não com as orações é uma decisão individual de cada morador.

O complexo conta com uma igreja e um padre, que também vive ali.

Há outras exigências: as portas, por exemplo, são fechadas às 10h da noite. Quem volta para casa depois desse horário precisa pagar uma multa entre 50 centavos de euro e um euro (entre R$ 1,80 e R$ 3,60), dependendo da hora.

A aposentada Ilona Barber diz que se considera uma pessoa de sorte. Conta que a pensão que recebe do estado é “muito limitada” e que não seria suficiente para pagar um aluguel na cidade.

Todas as manhãs ela sai para uma caminhada com seu vizinho de baixo, Friedrich Fischer, de 95 anos. Fischer vive em Fuggerei desde antes da Segunda Guerra Mundial.

Vizinhos Ilona Barber e Friedrich Fischer passeiam em Fuggerei, na cidade alemã de Augsburg.

Vizinhos Ilona Barber e Friedrich Fischer passeiam em Fuggerei, na cidade alemã de Augsburg

“Nós, moradores, fazemos trabalhos para a comunidade. Eu agora estou encarregada da vigilância durante a noite”, afirma a aposentada.

Jakob Fugger criou um fundo de caridade para financiar o Fuggerei e que funciona até hoje, é a Fundação Fuggerei.

Além do aluguel de 0,88 centavos de euro por ano, tem o custo da água, aquecedor, eletricidade, internet e outros serviços públicos privados, que se você puder pagar, a conta vai para cerca de 1200 a 2000 euros por ano, o que ainda sairia muito em conta. O apartamento não vem mobiliado, então os candidatos a morar em Fuggerei devem levar seus móveis para o apartamento.

Fuggerei é a prova viva de que ações de caridade partindo de pessoas de uma forma totalmente voluntária, conseguem fazer mais pela vida das pessoas e por muito mais tempo, do que simplesmente aplicando leis de políticas públicas assistencialistas visando fazer “justiça social” e para isso usando dinheiro alheio sem o consentimento de seus legítimos donos.

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Corretor de imóveis, investidor em criptomoedas, empresário no ramo de startups, desenvolvedor de websites, aplicativos móveis para smartphones e desktop. Anarcocapitalista agorista e absolutista ético.

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