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Como uma sociedade voluntária pode funcionar

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Introdução

Comecemos com a premissa em que as crenças amplamente compartilhadas em uma sociedade são:

  1. Não causar danos a outras pessoas;
  2. Respeitar a propriedade alheia;
  3. A fração da natureza que você transforma e atribui valor se torna sua;
  4. A violação destes princípio é uma tentativa em viver à custa dos outros, e não pode ser permitida.

Em um pequeno vilarejo isto pode funcionar de maneira simples, onde todas as pessoas se conhecem. Se fizer algo de ruim todos irão tomar conhecimento, o que se tornará, de imediato, um tiro pela culatra e te levará a fazer as coisas de maneira correta senão se tornará um pária. O que é invocado nesta situação é a reputação de alguém, a qual descreve sua confiabilidade.

Tomar conhecimento da confiabilidade dos membros de uma sociedade, por meio da memória, é possível em pequenos vilarejos, mas começa rapidamente a se tornar impossível ao passo que a sociedade aumenta. Se torna mais complexo. Por exemplo: uma pessoa concorda a fazer uma entrega a um horário específico mas atrasa em duas horas devido a uma tempestade. Agora quem deve o quê a quem? Ou: há uma pessoa rica com muitos recursos e outra não tão rica que necessita negociar seu trabalho. Como o pequeno saberá que está sendo tradado de forma honesta? A quem ele irá recorrer se suas horas extras não forem pagas? Lembre-se, não há governo em uma sociedade voluntária.

Por sorte, podemos prever problemas. Em um mercado onde não há o governo, há um ativo valioso – competitivamente falando – capaz de mostrar a seus possíveis parceiros de negócios que você pode ser confiável. Você passa a ser inspecionado, e se não permitir perderá este ativo que lhe permite ser confiável.

Uma maneira em que este princípio pode ser formalizado e profissionalizado é:

 

Contratos de Arbitragem e Registros de Reputação

Você paga por um serviço que corresponde a um tipo especial de serviço de banco de dados. Com este serviço você tem a habilidade em criar permissões para adicionar entradas, em cria permissões para que se leia este banco de dados mas sem a possibilidade de modificar ou retirar entradas.

O próximo passo ocorre quando você se envolve em um contrato com alguém, de forma que concorda com um árbitro (que é pago) que irá interpretar as ações da partes acordadas no contrato em caso de disputa. O árbitro ganhará um código de acesso para adicionar entradas no banco de dados das partes envolvidas. Se houver uma disputa e o árbitro decidir contra você e tu não se dispõe a cumprir a decisão, o árbitro irá colocar suas conclusões neste banco de dados. Isso mostra que você não terá meios para mostrar a potencias parceiros comerciais que você é confiável; a não ser que você faça as coisas de maneira correta. E, neste mercado, se esta comprovação se torna uma norma, você estará em desvantagem. Parceiros comerciais exigirão um ao outro que os árbitros mantenham uma lista acessível ao público das disputas não resolvidas com detalhes do transgressor e pormenores do caso.

A pessoa não pode receber uma nova entrada apenas quando fizer algo errado, pois uma entrada que não possua um histórico é uma prova a mais que alguém está tentando esconder algo. Da mesma maneira, uma entrada hospedada por um provedor em que as pessoas não conseguem verificar é de baixa confiança.

Entradas pessoais são muito importantes, por isso os provedores têm de ter certeza de que há backups onlines, offlines e offsite; deixando-os indiferentes a desastres naturais e crimes.

As pessoas irão acordar com árbitros em que confiam, pois não vão querer serem julgadas de forma injusta. Também irão preferir árbitros que são confiáveis por outras pessoas, de forma que um ataque ao registro de outra pessoa terá um grande impacto, diminuindo o risco de ser enganado pela outra parte. Outro fator de diferenciação é o conhecimento que o árbitro tem sobre o tipo específico de negócio que está sendo feito. A disputa sobre animais de uma fazenda requer um conjunto diferente de conhecimento que uma disputa sobre microchips requer. A única maneira de ter uma boa idéia do comportamento de um árbitro e seu desempenho em um campo específico é ter uma visão sobre os casos que eles já tratou antes.  Eles poderiam deixar os casos anônimos ou dar às pessoas um desconto para que fosse possível publicá-lo, e casos em que alguém concorde com a decisão seriam publicado de qualquer maneira. Os consumidores também têm uma necessidade em serem capazes de tornar o seu caso público (com possível evidência adicional) se acharem que foram lesados por um árbitro. Organizações independentes poderiam facilitar todas estas funções, de modo que as pessoas podem obter informações sobre árbitros, suas especialidades, as suas performances, os seus preços e para mantê-los sob controle.

A carreira de um árbitro é construída em cima de julgamentos sadios e em um mercado voluntário terá de enfrentar a ruína rápida caso se afaste disto.

 

Propriedade

O sistema descrito acima lida com pessoas e bens, mas apenas a propriedade que é reconhecido mutuamente. Ambas as partes podem perceber que possuem benefícios de um comércio e concordam, pelo menos temporariamente, qual propriedade é de quem e quais os limites de comportamento existem (por exemplo, antes de entrar em um carro showroom você acorda que a loja e os bens não são seus e que você vai pagar por quaisquer danos acidentais). Então, o que acontece quando duas pessoas têm um desacordo sobre propriedade fora dos acordos contratuais? Suponha que dois empresários querem fazer mineração na mesma área, mas um deles está usando uma entrada com o seu equipamento e o outro quer passar. Devem eles resolver com armas? Qual é a solução? Quem está realmente certo?

De um mesmo modo como antes, pode-se prever tais problemas. Pelo fato de que podem ser previstos chegamos a esperar determinadas provas e procedimentos a serem adotados para lidar com a situação.

A sociedade em geral não quer que pessoas tomem propriedades que não pertençam a eles. Assim, no caso da terra, para ganhar legitimidade na opinião pública em caso de algum conflito, você paga por um serviço independente e confiável de verificação e apresentação que você tenha feito no terreno e quando.

Se você possui registros públicos confiáveis comprovando que você construiu uma casa em algum lugar há 20 anos, e qualquer outra pessoa declara que é dela, no entanto, se ele não possuir nenhum registro verificável e confiável quanto a isso, então podemos concluir com segurança que este segunda pessoa é ou um criminoso ou perturbado. Uma agência de proteção poderia, nesse caso, dispor de armas, se necessário, afim de proteger o legítimo proprietário. Uma agência de proteção não pode simplesmente vender os seus serviços a qualquer um de qualquer forma pois também são examinados pelo público. Se eles são vistos com base em regras de mercenários, criminosos, eles se tornam um adversário de toda a sociedade, que tem muitas mais armas, recursos, mão de obra, e estão todos cooperando.

No exemplo de mineração não há criminoso algum. Isto significa que recorrer a táticas violentas seria altamente suspeito. Pelo fato de ser fácil ver que este tipo de disputa pode ocorrer se torna esperado de pessoas envolvidas em novo uso de um propriedade ter uma lista pré-determinada e cognoscível de árbitros quais estão dispostos a usar em tais casos. Como diferentes áreas têm diferentes árbitros especializados (agricultura, de perfuração, mineração, etc), haverá árbitros adequados que são bem sucedidos e respeitados. Esperamos que isso ocorrer nessas listas. Esta seria a solução razoável. Se uma das duas partes sente que está sendo tratada injustamente, ela sempre terá o grande trunfo de ir para a imprensa e tornar público o caso, para o qual pode ser um preço alto a ser pago pelo seu adversário.

 

Identificação

Como você pode provar a um cliente que um certo registro reputação pertence a você? Prevemos este problema e é muito esperado que sejamos exclusivamente identificáveis pelo nosso provedor de reputação, o que torna a identificação parte do serviço.

 

Contexto de mercado: custos e benefícios

O mecanismo explicado é uma maneira em que uma sociedade voluntária poderia funcionar. Algumas situações podem justificar um investimento maior para um risco ainda menor. Para disputas de propriedades industriais pode-se tomar o uso de vários árbitros deste caso que decidem através de uma votação. Para disputas contratuais as pessoas podem preferir usar uma arbitragem em camadas, o que significa que o primeiro passo de arbitragem é mais barato e qualquer uma das partes pode decidir recusar o veredicto e ir para o procedimento fino mais preciso e caro. É também possível que a função de serviço de reputação e arbitragem seja oferecido como apenas um, e que poderia muito bem tornarem-se serviços ainda mais separados.

Não podemos saber tais situações exatamente, e o que o mercado nos trará provavelmente excede qualquer uma de nossas imaginações atuais.

Vídeo:

 

Autor: Niels L. , estudante de Economia Austríaca desde 2006.
Tradução: Jean Pimenta.
Artigo original aqui.

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