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8 meses atrás
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Os banqueiros não gostam do Bitcoin, mas gostaram do Blockchain

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O Bitcoin nasceu como uma moeda virtual libertária, com a promessa de subverter o sistema financeiro global. Sete anos depois, a invenção segue batendo recordes de usuários, transações e valorizações, enquanto instituições financeiras, empresas de pagamento e bancos centrais — isto é, os inimigos do Bitcoin — fazem uma corrida para capturar a tecnologia por trás da criptomoeda. Eles estão de olho no Blockchain, um modelo de rede virtual que permite que as transações financeiras aconteçam sem a necessidade de intermediários para validá-las.

Paschoal Baptista, sócio da DeLoitte, resume em quatro pontos o interesse do sistema financeiro no blockchain: reduzir custo, diminuir a intermediação, oferecer novos serviços e melhorar a capacidade dos serviços atuais. No caso dos bancos centrais, ele afirma que o objetivo principal é facilitar o processo de auditoria:

“No blockchain, não se pode mexer no registro das transações. Isso permite uma auditoria muito mais rápida e completa. Logo, ele é menos suscetível a fraude e erros” — disse. — “Até um processo como a apuração do Imposto de Renda pela Receita ficaria muito mais simples, por exemplo.”

O Fórum Econômico Mundial está convencido de que será uma peça-chave do sistema financeiro global. Segundo o fórum, mais de US$ 1,4 bilhão já foi investido na tecnologia nos últimos três anos, e 80% dos bancos do planeta devem iniciar projetos com ela em 2017. Já são também mais de 90 bancos centrais discutindo a tecnologia.

A BM&FBovespa criou um grupo com 16 profissionais de várias diretorias para entender os diversos padrões de blockchain que estão surgindo. Um deles é o Etherium, que possui uma moeda virtual pública que se apresenta como uma alternativa ao blockchain. Por trás dela está a firma de venture capital DAO. Outro modelo emergente é o Corda, desenvolvido pelo R3. No site do Corda afirmam que apenas as partes interessadas terão acesso às informações. Nele, a validação das transações também é feita por um número restrito de participantes — ou seja, o sistema de consenso é diferente do do bitcoin.

Além de utilizar modelos diferentes do bitcoin, o blockchain dos bancos também deve se desdobrar em várias redes, cada uma dedicada a um tipo de serviço, segundo Rony Sakuragui, gerente de Pesquisa e Inovação do Bradesco. Como as regras de cada serviço são muito diversas, pode haver um blockchain apenas para tratar de remessas internacionais, outro para o sistema de pagamentos, e assim por diante.

Bancos centrais em todo o mundo estão explorando as possibilidades de criar suas próprias moedas digitais nacionais baseadas na tecnologia “blockchain” do Bitcoin. Este “movimento” da moeda digital foi visto pela primeira vez na Tunísia, mas fez o seu caminho para a Ucrânia, Senegal e Suécia.

Apesar de seu interesse na tecnologia blockchain, esses bancos demonstraram uma visão hostil ao bitcoin, alegando que a criptomoeda não é viável como moeda ou meio de câmbio.

“Governos gostam de controlar (moedas). Eles têm bancos centrais. Eles gostam de controlar o fornecimento. Eles geralmente gostam de saber onde (a moeda) está e para onde vai… não vão apoiar moedas importantes que ultrapassem fronteiras as quais não controlem. Não vai acontecer”,  disse Jamie Dixon, presidente do JPMorgan.

Organizações financeiras consolidadas e bancos que participam em conferências do blockchain como a conferência R3 e em programas de destaque tais como os laborátorios de inovação do blockchain estão tentando configurar redes do blockchain que possam liquidar ativos e compensar custos de transação de forma eficiente e segura.

No entanto, estes bancos não estão interessados na natureza descentralizada da tecnologia blockchain nem em seu objetivo central. Seus interesses são originados em sua teimosia em admitir que o Bitcoin é uma tecnologia importante e disruptiva, e que sempre estiveram errados quanto ao seu potencial.

“O Bitcoin é disruptivo, e a razão pela qual é disruptivo é exatamente porque é tão difícil aceitá-lo em termos de investimento tradicionais”, disse Andreas Antonopoulos, especialista em segurança da informação, autor deMastering Bitcoin e residente na Califórnia.

“Assim como vimos com a internet, quando o primeiro escalão de empresas de telecomunicação quis controlar, lapidar e tornar a internet acolhedora e agradável, e inventaram a ISDN (em inglês, Rede Digital com Integração de Serviços) e a Compuserve, algumas das empresas do terceiro escalão que sabiam que não poderiam competir naquele ramo de atividade pegaram a internet e a usaram como um cavalo de tróia para causar a disrupção de todo o ramo de telecomunicações.”

É difícil especular exatamente quando os bancos começarão a adotar e incluir o bitcoin como moeda e tecnologia financeira. No entanto, certamente levará muito tempo até que os bancos percebam que seu enfoque equivocado para com a “tecnologia blockchain” tem custado a eles milhões de dólares que, em última análise, os conduziu até um beco sem saída.

A maioria dos bancos está estudando e experimentando blockchain não pelo suporte a moedas virtuais, mas por seu potencial de uso em funções operacionais como liquidação, aquele momento crucial, mas pouco charmoso e custoso, quando dinheiro e títulos são trocados entre compradores e vendedores. Reduzindo seu custo operacional, e se tornando mais ágeis, os bancos podem enfrentar com mais força o avanço das Fintechs. Alguns bancos pretendem até criar suas próprias moedas virtuais como o Goldman Sachs, com seu SETLCoin, para facilitar estas operações. Vale a pena ler o artigo “Goldman Sachs wants to create its own version of bitcoin”.

A tecnologia blockchain, que nasceu da subversão do produto de Satoshi Nakamoto, pode ganhar novas formas de uso nas mãos de Wall Street, gerando mais eficiência ao modelo financeiro tradicional.

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Imobiliarista, investidor em criptomoedas, empresário no ramo de startups, desenvolvedor de websites, aplicativos móveis para smartphones e desktop. Entusiasta anarcocapitalista agorista e absolutista ético.