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4 meses atrás
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A Ascensão do Covarde

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O escritor brasileiro Nelson Rodrigues apontou a ascensão do idiota como fato determinante do século XX.

“[Até o século XIX,] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os ‘melhores’ pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. Houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.”

Até onde eu sei Nelson Rodrigues nunca foi apresentado ao agorismo, mas se tivesse sido, acredito que o teria aprovado. É dele também a frase:

“A maior desgraça da democracia, é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade.”

Eu, por minha vez, acredito que o fato determinante do início do século XXI é a ascensão do covarde, que, pensando bem, pode ser apenas a revelação de uma nova característica comum dos idiotas ascendidos no século passado. Numa civilização onde um bairro com dezenas de milhares de indivíduos é constantemente assaltado pela mesma dezena de meliantes nas ruas, é evidente a conclusão de que não apenas a maioria, mas quase a unanimidade dos habitantes são covardes.

Nos frequentes casos de estupro que acontecem nesse país, onde estão os pais enfurecidos que vão atrás do monstro perpetrador da barbárie para extirpá-lo da face da terra? Com tanta indignação popular por parte de pessoas que se sentem lesadas(e elas foram mais lesadas do que imaginam) pelos políticos, como podem os párias caminhar pelas ruas sem medo de apanhar dos transeuntes, ou coisa pior(melhor dependendo do ponto vista)?

O covarde domina absoluto a posição de modelo social.

Mas há mais um fato que chama a atenção. A imagem recorrente do meliante e do agressor. Não é o viking alto musculoso e feroz com a barba gotejante de sangue de outrora. Não, o meliante de hoje é pequeno, franzino e fraco. Eis talvez o fato mais surpreendente. Este é o comportamento que nossos bisavós jamais esperariam observar, e nunca seriam capazes de compreender.

Como your’s trully não é um bisavô, e sim de um estarrecido porém contemporâneo observador, vou arriscar um palpite.

O meu palpite é de que os covardes não tem apenas medo do combate. Eles temem também, e talvez principalmente o estigma. Hoje aquele que defende a defesa de si e de terceiros, que defende a bravura e a justiça (não confundir com burocratas do judiciário) não são vistos como bastiões da civilidade e sim como criaturas violentas e primitivas. Eis o motivo da predominância de malfeitores fracos e semi-incapazes, quanto mais frágil o malfeitor, mais estigmatizado é aquele que se defende dele. Na mentalidade doente do covarde contemporâneo, fraqueza é força.

Como espera então o covarde contemporâneo viver em paz e segurança, se ele condena a defesa dessas coisas? “Mas isso é trabalho da polícia” lhe dirá um deles, inadvertidamente nos entregando a maior pista que temos sobre o fenômeno. Não muito surpresos, encontramos as imundas digitais das pérfidas mãos do estado no núcleo do busílis todo.

Antes que o caro leitor me tire por um paranoico, ou teórico da conspiração, vamos aos fatos:

1) são recorrentes as declarações de agentes do estado, sobre tudo da polícia instruindo as pessoas a nunca reagirem contra os criminosos;

2) A lei estatal, sobretudo no Brasil, trata da legítima defesa de maneira draconiana, com uma rigidez que não se aplica a quase mais nada no código penal;

3) O desarmamento civil fala por si só;

4) A propaganda estatal em torno do politicamente correto, que trata coisas terrenas materiais e fundamentais como grosseria, e que exige das pessoas ignorar as imperfeições do mundo e enxergar a existência humana através de lentes cor de rosa.

O homem contemporâneo pode ter atingido um pico histórico de imbecilidade e covardia, mas não atingiu tal proeza sozinho, ele teve a companhia, o incentivo, e o direcionamento do estado. Pastores não gostam de ovelhas que mordem, e os lobos, que se diferenciam dos pastores apenas em termos do prestígio do qual estes gozam no rebanho, aproveitam e agradecem.

Mas se serve de consolo, ninguém é mais doutrinado que o doutrinador, e como consequência ninguém leva o politicamente correto mais a sério que o burocrata estatal típico. Sim estamos cercados de bobocas apavorados, mas pelo menos os integrantes do estado, que são os nossos reais oponentes na busca pela liberdade, são igualmente débeis. Exploremos isso, aproveitamos esta oportunidade, e nos livremos deles, e de quem mais nos agredir, até que possamos viver com paz e respeito mútuo.

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Foto de perfil de Gabriel Philbois

Investidor, empreendedor, libertário anarcocapitalista e agorista.

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