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2 meses atrás
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Ao contrário do senso comum, quem vota é que não pode reclamar

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Se você, assim como eu, não acredita em soluções pela via política, tenho a certeza de que, em algum momento, ao discutir política, você já se deparou com um interlocutor que, peito estufado e ar soberbo, disparou: “Se você não vota, então você não tem nenhum direito de reclamar!”

Qual o problema com esta afirmação?  Simples: sua lógica está totalmente invertida.  E é fácil explicar por quê.

Para começo de conversa, se eu não aceito a existência de algo (no caso, esta própria instituição chamada ‘governo’), qual seria a lógica de eu participar de um ato que implica meu consentimento para com sua existência?  Qual é a lógica de eu participar de um ato que serve apenas para chancelar minha aprovação à existência deste esquema?  Mais ainda: qual seria a lógica de eu fazer tudo isso e ainda reclamar da existência deste algo que desprezo?

Se você se associa a alguma coisa ou passa a lidar diretamente com ela, então passa a existir um entendimento tácito de que você aceitou suas condições.  Torna-se subentendido que você chancelou sua existência.

Por exemplo, se eu não gosto de comida japonesa, eu não vou a restaurantes japoneses.  Simples.  E dado que os proprietários de restaurantes japoneses não podem vir atrás de mim e me forçar a frequentar seus estabelecimentos, então não há absolutamente nenhum motivo para eu reclamar de comida japonesa.  Por outro lado, se eu voluntariamente for a um restaurante japonês, então isso significa que eu estou deixando claro que quero receber os serviços que ele oferta.

Da mesma forma, se você é um antipetista que defende a existência do estado — mas que obviamente não votou em Dilma —, você não tem direito nenhum de reclamar do governo; afinal, você, ao simplesmente ter votado em alguém (Serra, Marina ou Plínio), demonstrou concordar com a condição de que você iria aceitar os resultados da eleição independentemente de quem fosse o vencedor.  Sim, você pode reclamar de alguns aspectos do governo, da mesma maneira que eu posso reclamar de alguma coisa na comida do restaurante do qual sou cliente.  Mas isso não muda o fato de que, ao votar em alguém, você automaticamente demonstrou consentir com a existência do atual sistema e com todos os seus possíveis resultados e consequências.

Não faz sentido dizer “Eu defendo a existência de um governo, mas não gosto das políticas do atual governo”. Governos sempre fazem a mesma coisa: dão ordens, controlam, espoliam e redistribuem.  O que varia é apenas a intensidade com que estes crimes são cometidos e quem é o espoliado.  Mas os crimes nunca deixam de ser cometidos e pessoas nunca deixam de ser espoliadas.  Esta é a essência de todo governo.

Por outro lado, dado que eu não aceito a legitimidade de um governo — tampouco creio ser necessário existir qualquer governo —, então eu, e apenas eu, tenho o direito de reclamar de absolutamente qualquer coisa relacionada a este sistema nefasto.  Apenas eu posso criticar, sem nenhuma incoerência, todo e qualquer aspecto deste monopólio ineficiente e corrupto que me oprime e me espolia sem que eu sequer queira os “serviços” que ele fornece.

Você, que defende a existência deste ente sórdido e espoliador — mas que acha que ele poderia “ser gerenciado por pessoas melhores, mais honestas e mais competentes” — não tem nenhum direito de reclamar de qualquer aspecto negativo dele.  Você está recebendo exatamente aquilo que você defende.

E aí, já decidiu em quem vai votar?

Autor: Luis Almeida.

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Direito e Ética
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