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Maio 18, 2020
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A ética enquanto lógica

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O modelo ético é uma corrente de elos lógicos que sempre pode admitir novas premissas, e depois de proposto, não mais pertence exclusivamente ao seu proponente. Ou seja, se a partir da ética proposta por Hoppe é possível chegar-se à conclusão lógica de que a participação político-partidária configura uma agressão, por exemplo, pouco importa se o próprio proponente, Hoppe, se posiciona de forma contrária a esta conclusão. Assim, são as premissas e o mecanismo que levam à conclusão e não o proponente, caso contrário tratar-se-ia apenas de um apelo à autoridade.

Em suma, a discussão em tela não é sobre o que é possível e o que não é, é sobre o que é lógico e o que não é. Mesmo porque possibilidade ou impossibilidade dependem de uma série de variáveis como: inovações culturais e tecnológicas, um tecido moral pautado em condenar agressões, uma desmistificação do estado e a definitiva crença na desnecessidade de centralização de poder.

O próprio Murray Rothbard cita Hayek neste sentido:

“O economista F. A. Hayek, ele próprio de maneira alguma um “extremista”, escreveu de maneira eloquente a respeito da importância vital para o sucesso da liberdade de se manter elevada uma ideologia pura e “extrema”, como um credo a nunca ser esquecido. Hayek escreveu que um dos grandes atrativos do socialismo sempre foi a sua ênfase contínua numa meta “ideal”, um ideal que permeia, informa e guia as ações de todos aqueles que lutam para obtê-lo. Hayek então acrescentou:

Devemos fazer novamente da construção de uma sociedade livre uma aventura intelectual, um feito de coragem. O que nos falta é uma utopia liberal, um programa que não seja apenas uma mera defesa das coisas tais como elas são, mas sim um radicalismo verdadeiramente liberal, que não poupe a suscetibilidade dos poderosos (incluindo os sindicatos trabalhistas), que não seja excessivamente pragmático e que não se restrinja apenas ao que atualmente pareça ser politicamente possível. Precisamos de líderes intelectuais que estejam preparados a resistir aos agrados do poder e da influência, e que estejam dispostos a trabalhar por um ideal, por menores que sejam as perspectivas de sua realização inicial. Eles precisam ser homens dispostos a se ater a princípios e a lutar pela realização integral destes princípios, por mais remotos que eles sejam.

O livre comércio a liberdade de oportunidade são ideais que ainda atiçam a imaginação de um grande número de indivíduos; por outro lado, uma simples “liberdade razoável de comércio” ou uma mera “atenuação das regulações” não é algo nem intelectualmente respeitável nem capaz de despertar qualquer entusiasmo. A lição principal que o liberal genuíno deve aprender com o sucesso dos socialistas é que ser utopista foi um ato de coragem da parte deles, que lhes conquistou o apoio dos intelectuais e, por consequência, uma influência sobre a opinião pública que torna possível, cotidianamente, o que até pouco tempo atrás parecia ser algo totalmente remoto.

Aqueles que se preocuparam exclusivamente com aquilo que parecia praticável perante os pontos de vista dominantes acabaram descobrindo que até mesmo isto se torna rapidamente impossível, politicamente, devido às mudanças na opinião pública, a qual eles nada fizeram para orientar.  A menos que possamos novamente fazer das fundações filosóficas de uma sociedade livre uma questão intelectual mais viva, e sua implementação uma tarefa que desafie a engenhosidade e a imaginação de nossas mentes mais brilhantes, as perspectivas da liberdade são, de fato, sombrias.  Mas se pudermos reconquistar aquela crença no poder das ideias — que foi o que caracterizou o liberalismo em seu melhor momento —, então a batalha não está perdida.” [4]

Se não seguisse uma cadeia lógica muito à frente da tecnologia e ideias de seu tempo, Ludwig Von Mises, jamais teria defendido ideias inovadoras e “anti-democráticas”, como a secessão até o nível individual tantas e tantas outras, se não vejamos:

“Nenhuma pessoa ou nenhum grupo de pessoas devem ser mantidos contra sua vontade em uma associação política da qual não queiram participar. (Nation, State, and Economy, p. 34)

O direito à autodeterminação, no que tange à questão da filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizerem saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos.  Este é o único meio possível e efetivo de evitar revoluções e guerras civis e internacionais. (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p. 128)

O direito à autodeterminação de que falamos não é o direito à autodeterminação das nações, mas, antes, o direito à autodeterminação dos habitantes de todo o território que tenha tamanho suficiente para formar uma unidade administrativa independente.  Se, de algum modo, fosse possível conceder esse direito de autodeterminação a toda pessoa individualmente, isso teria de ser feito. (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p.129)

A circunstância de se ver obrigado a pertencer a um estado, contra a própria vontade, por meio de uma votação, não é menos penosa do que a circunstância de se ver obrigado a pertencer a esse estado em razão de uma conquista militar (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p.137).

Por tratar-se de uma ciência infalseável, ou seja, puramente lógica, repita-se, o possível e o que seria impossível são totalmente irrelevantes para seu estudo, tais parâmetros restringem-se então à sua aplicação prática, que não é o objeto deste texto.

Por esta razão seria completamente equivocado dizer que o libertarianismo trata-se de uma ideologia ou uma utopia. Muito embora boa parte dos libertários que se tem conhecimento muitas vezes defendam pautas que possam ser consideradas ideológicas e utópicas como a extinção total e imediata dos estados, ou um eventual ”ancapistão”, não se tratam de análises do libertarianismo em si mas apenas de projeções realizadas por indivíduos com base na lógica (ética) libertária.

Tais suposições seriam como afirmar que a banda “X” tenha péssima qualidade musical a partir da experiência de ouvir seus fãs cantando. Ou seja, as premissas não estão conectadas ao que se pretende ter como o objeto da análise.  A essência manteve-se incólume, preservada.

Em essência o fim do estado é totalmente desejável a qualquer libertário coerente, a criação de um território livre como um ancapistão é extremamente desejável, porém não se tratam de princípios do libertarianismo, mas ideais pautados na moral. Tratam-se assim da “importância vital para o sucesso da liberdade de se manter elevada uma ideologia pura e ‘extrema’, como um credo a nunca ser esquecido.” que Hayek menciona que deve ser defendida.  Contudo, não são ideias infalseáveis, não são assim elos da “cadeia lógica”.

Na prática, a construção de um tecido social de conexões humanas pautado na lógica proposta pela Ética da Propriedade Privada, o que afastaria de uma vez por todas as tentativas de legitimação psicossocial de qualquer tipo de agressor, como o estado, é conditio sine qua non para que finalmente a razão e, portanto a lógica, se sobreponha à existência da agressão e do próprio agressor, neste caso o estado.

Trecho extraído do artigo: https://rothbardbrasil.com/por-que-minarquismo-e-gradualismo-sao-incompativeis-com-o-libertarianismo/

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