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set 19, 2018
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A Escola Austríaca e o Socratismo: Incerteza Genuína.

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 O conceito de incerteza genuína caracterizada pela Escola Austríaca é o corolário da aceitação das hipóteses de ignorância e de tempo real. As implicações mais importantes da ideia de incerteza genuína se classificam em duas, são: (1°) a impossibilidade de listagem de todos os possíveis resultados provocados por um determinado curso de ação. (2°) a passagem da incerteza – que na teoria econômica convencional costuma ser tratada como uma variável exógena – para a categoria de variável endógena.
 Na mainstream economics a incerteza não está incorporada nas nossas escolhas, age como ”se pode calcular”. Deixa de ser exógena (fora deste modelo) e na teoria austríaca ela incorpora essa variável. Houve um avanço pelos ganhadores do nobel em 2011, onde passaram a incorporar a incerteza como uma variável endógena, 100 anos após Menger. Porém a classificaram no conceito de incerteza probabilística e não no conceito de incerteza genuína. Também pode-se mencionar mais recentemente, o Nobel do Thaler, relativo à primeira implicação da incerteza genuína.
 Essa característica importante da incerteza genuína que é a endogenidade; leva-nos a visualizar os mercados como processos dinâmicos ininterruptos, processos por si só geradores de mudanças as quais o sistema econômico deve adaptar-se. Isto significa que um estado de completa adaptação, ou um estado de equilíbrio, é algo incompatível com o conceito de incerteza genuína e de tempo real, o que pode ser considerado uma premissa socrática demais em relação ás outras Escolas.
 Para Mises, uma ciência econômica que enfatize apenas os estados de equilíbrio deixa de ser uma ciência da ação humana, para ser uma ciência da inação, isto é, a própria negação econômica.
 Isto ocorre porque a medida que o tempo (real) passa o estoque de conhecimentos necessariamente cresce, e portanto, também aumenta a ”produção” endógena de mudanças. Portanto, as mudanças não se processam aos preços do equilíbrio, o que deveria levar a teoria econômica a se preocupar essencialmente com a trajetória das trocas efetuadas sobre condições de desequilíbrio, isto é, com os comportamentos ”descoordenadores”.
 Um exemplo desse tipo de preocupação que a teoria econômica deveria ter sempre presente é a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, que explica a inflação e o desemprego, como resultado de trocas realizadas de maneiras descoordenadas, sobre condições de desequilíbrios.
 Ora, se não é possível alcançar uma fundamentação positiva para aquilo que julgamos ser nosso conhecimento, tudo o que nos resta é a tentativa de livrarmo-nos  dos erros e das falsas hipóteses ou crenças, isto é, resta-nos a postura humilde de reconhecer que, do ponto de vista da teoria do conhecimento não devemos nos atrever a ir além do método dedutivo que caracteriza o falsificacionismo-negativismo.
 Esta primazia da negatividade epistemológica que caracteriza o pensamento austríaco, isto é, esta posição anti-justificacionista e, portanto, falsificacionista é transferida então para a esfera teórica para o terreno das relações sociais, vale dizer da política, do direito, da economia e da sociologia. É a partir desse procedimento que os austríacos buscam as respostas para questões básicas da sociedade como liberdade, lei, justiça, estado, ordem social, felicidade e muitas outras.
 De um mesmo modo que nas ciências naturais, Pitágoras ainda é relevado como determinante por sua teoria ser julgada como certa em determinado instante do tempo, até que alguém a refute, logo, a Escola Austríaca de Economia herda deste mesmo princípio e condição, socrática.
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Economia
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